Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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quarta-feira, 23 de março de 2022

Oficinas de Iniciação ao Desenho de Observação

Olá a todos!

Começa já no próximo sábado o meu mini-curso de iniciação ao desenho de observação. São três oficinas presenciais (finalmente!) sobre os fundamentos do desenho de observação, na Biblioteca Orlando Ribeiro em Telheiras, Lisboa. Vamos fazer magia apenas com caneta e papel!

A Biblioteca é também a generosa anfitriã da minha exposição "Caminhos do desenho e da aguarela", de desenhos feitos durante demonstrações de workshops.

A primeira oficina é das 14h às 16h de 26 de Março, sábado. Depois disso, estão todos convidados a aparecer na inauguração da exposição, no mesmo dia às 16h30.

Desenhar é ver o mundo com olhos diferentes. Começamos a reparar em coisas que nunca notaríamos, captamos uma projecção mais cheia e viva do que nos rodeia, e somos capazes de exprimir essa realidade num caderno, com nada mais do que linhas.
Neste conjunto de três oficinas de Iniciação ao Desenho de Observação, daremos os primeiros passos no mundo do desenho a tinta. Através de demonstrações, exercícios e dinâmicas diversas, iremos começar a olhar o mundo de forma diferente, com um pouco mais de atenção, e sentir-nos-emos mais confortáveis a transmitir ao papel o que vemos, com recurso a ferramentas comuns.
Cada oficina pode ser frequentada independentemente das restantes. No entanto, recomenda-se a frequência das três, para uma experiência mais completa e contínua. Clica AQUI para mais informações, ou contacta-me em pedro.mac.loureiro@gmail.com









domingo, 8 de novembro de 2020

Pode perder-se um diário gráfico, mas cada desenho fica gravado na nossa memória para sempre.

Fiz este desenho no primeiro encontro de Urban Sketchers a que fui. A cada um dos participantes foi atribuida uma fachada da Rua Augusta em Lisboa. A minha ficava ao lado da do António Araújo, com quem conversei um pouco. Perto de mim, outra pessoa sentava-se no chão, por razões muito diferentes - era um pedinte. A fachada estava parcialmente coberta por um andaime e uma lona. Combinei o lápis e a caneta para transmitir a ideia de semi-transparência da lona.

Ao fundo, encostado à esquina, na posição descontraida que nos habituou a encontrarmo-lo, apoiado numa perna apenas, a outra cruzada, o Eduardo desenhava no seu pequeno A6. Ficou o tempo suficiente para o incluir no desenho. Foi, creio, a primeira vez que o conheci. E ainda bem que todos o pudemos conhecer.

domingo, 12 de abril de 2020

Do diário gráfico à folha de aguarela - Expo ao vivo no Instagram


Este rochedo remonta ao verão passado, enquanto aguarelistas de classe mundial, munidos de enormes cavaletes e paletas e aventais, pintavam as vistas maravilhosas de Santa Cruz, durante o Encontro Internacional de Aguarelas, eu espreitava e tentava imitá-los no meu diário gráfico.

Alguns meses mais tarde, e muitas formações e experiências depois, estou já pronto a mostrar aquilo que tenho feito no campo da aguarela pura e dura, sem nunca esquecer o inabalável diário gráfico, porque é dele que tudo vem!

Convido-vos assim para a inauguração desta minha exposição "Do diário gráfico à folha de aguarela"! Não irá ser a inauguração planeada na Biblioteca Orlando Ribeiro, mas irá ser no mesmo dia, à mesma hora, na minha sala, convosco a assistir nos vossos ecrãs, numa sessão ao vivo no Instagram. Espero por vós! Tragam bebidas e petiscos, porque infelizmente para isso não vos posso convidar. A conversa será em Inglês, para que a plateia internacional também possa participar.

Até breve!

Evento facebook: www.facebook.com/events/875585032904191
Perfil Instagram: www.instagram.com/pedromacloureiro

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Tom de indigo


Para o desafio do Filipe Pinto, desenterrei uma tinta acrílica da Sennelier, do tempo em que a febre das canetas de aparo me atacou. Descobri logo que não podia usar tinta acrílica nas canetas sem dar cabo delas. Assim, este belo azul indigo ficou relegado à Gaveta do Esquecimento. Com uma bela aguada, regressou ao activo. A esferográfica não é uma favorita, mas volta e meia vem ao de cima.

A Polaroid é um modelo velho, mas foi comprada já neste século, em segunda mão. Quando a comprámos, só havia uma empresa a fazer filme para esta câmara, uma antiga fábrica da Polaroid na Holanda recuperada por uns carolas do Impossible Project. É um hobby engraçado, mas em última instância insustentável - os filmes são muito caros e o lixo que se produz é tremendo. Mas é um pisa-papéis com pinta!

Da savana à cozinha


Para o desafio do Eduardo Salavisa, eu a dar uma de David Attenborough (ou de Herman José a imitá-lo), escondido atrás da planta da sala, a assistir aos hábitos e comportamentos da torradeira, da cafeteira e de uma outra planta, lá ao fundo na cozinha.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Genoa-Lisboa Sketch Connection

No ano passado tive a oportunidade de ir a Génova dar um workshop de desenho a convite dos Urban Sketchers Liguria e do Municipio, como parte de um evento de dois fins de semana com oficinas, exposições e outras actividades de desenho.


Uns meses depois, a Valentina Raiola, que me acompanhou por lá em várias cervejas e boas conversas, propos-me fazer um desenho por mês, durante todo o ano de 2020, sobre 12 temas que relacionassem Génova e Lisboa - duas cidades que têm muito em comum.



E assim começámos o Genoa-Lisboa Sketch Connection. Até agora, os temas dos desenhos de Janeiro, Fevereiro e Março foram, respectivamente: ruas estreitas, frente ribeirinha e bacalhau. Desenhei umas escadinhas na Mouraria, o Cais das Colunas e bacalhau cozido, que é o meu favorito!



Sigam o nosso projecto no meu blog e no nosso instagram:
#GenoaLisboaSketchConnection
@pedromacloureiro
@valentina.raiola

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Centro Interpretativo do Vizinho da Frente

Desculpa Paulo, tive de arranjar forma de desenhar pessoas no teu desafio, que isto de desenhar objectos satura ;)


O CIVF do Lumiar é uma instituição com 20 anos de história. Reúne esforços de etnólogos, antropólogos, sociólogos e outros cientistas sociais, para interpretar e catalogar as actividades a que os vizinhos do prédio da frente se dedicam quando estão na varanda, bem como os hábitos de manutenção destas plataformas habitacionais sobre a via pública.

Conheçam os pijamas, a roupa interior, as pantufas e as antenas parabólicas deste recanto de Lisboa como nunca antes os viu!

terça-feira, 31 de março de 2020

Discursos surreais


Os neosurrealistas agora são governantes de países enormes! Ouvir um discurso e desenhá-lo tal e qual pode já ser um exercício do surreal.

A propósito, sugiro-vos um filme que tenta explicar o surrealismo político e económico da actualidade - HyperNormalisation (2016) de Adam Curtis, livre para ver no Youtube aqui.

Do caderno à mesa e muito mais além


Arranquei um caderno com o excelente desafio do Luís Ançã e enchi-me de paciência. Mas a música estava boa! Ao fundo, o portátil transmitia as celebrações da Deutsche Grammophon do #worldpianoday, transmissões ao vivo de pianistas de vários locais do mundo, a tocar a partir de sua casa. Portanto, do caderno à mesa, e mais além, muuuito mais além!

Lilliputos e Brobdingnagos


Foi preciso vir o Zé Louro para me por a fazer colagens! Este Lilliputo ia à boleia. 


E este Brobdingnago era tão grande que a cabeça nem coube no caderno!

quinta-feira, 26 de março de 2020

Quarentena é tempo de videoconferências




Muita videoconferência se faz nestes tempos. Nem preciso de interromper o trabalho para ir para o espelho. Subversão das regras do Luís Frasco ;) E para quem disser que isto nao é urban sketching, estão ali umas prateleiras ao fundo à esquerda!

Procopiando um WC no Lumiar


Com estas Procopiadas, a minha casa de banho de 1m2 até parece grande!

quarta-feira, 25 de março de 2020

Web Oficina 2-Céus

 O estado do tempo varia ao longo do dia brindando-nos com uma variedade de céus. Estes são os "meus céus", observados ao início da manhã, início da tarde, fim da tarde e início da noite, A nebulosidade foi diminuindo e no fim do dia o céu estava limpo. É uma vista de uma janela de minha casa, virada para poente, Sintra. (papel de aguarela Rembrandt, 300gr, 25%de algodão- não é o melhor para aguarelar céus).

terça-feira, 24 de março de 2020

Web Oficina 2 - Quarentena Desenhada - Céus

Olá a todos!

Excelente arranque do ciclo de Web Oficinas, com o António Procópio! Ainda não tive tempo de cumprir, mas como hoje irão todos estar ocupados com a segunda oficina, vou aproveitar para ganhar terreno.

O que vos proponho hoje é um tema que está quase sempre presente nos desenhos dos urban sketchers, e que não nos falta, basta espreitarmos pela janela - o céu! Desenhem quatro céus diferentes ao longo do dia:
  • um matinal
  • um de tarde
  • um por do sol
  • e um noturno.
No video linkado (30 minutos), revelo os materiais e técnicas que costumo usar para pintar os meus céus e faço uma demo da pintura de cada céu diferente. Sigam os conselhos ou usem as vossas próprias técnicas e aproveitem para desgrudar dos ecrãs e contemplar a beleza da abobada celeste!


Materiais necessários:
- aguarelas, água, papel (se ainda tiverem!), lápis ou lapiseira, caderno ou papel de aguarela, um dia inteiro em casa.

Cores recomendadas:
- azul cobalto, azul ultramarino, azul phthalo, indigo, cinzento payne, carmim alizarin, siena queimada, siena crua

Não se esqueçam de partilhar os vossos resultados no blog e nas redes sociais com o #quarentenadesenhada e #weboficinas

domingo, 20 de outubro de 2019

10 anos dos USkP



Infelizmente, a minha participação na celebração dos 10 anos foi muito limitada. Com o sábado a trabalhar, apenas tive a manhã de domingo para me juntar à malta de caderno e pincéis em riste

À chegada ao Terreiro do Paço, vi dezenas de pessoas no lado norte da estátua do D. José, e sentei-me logo com elas a desenhar. Vi rostos amigos, conhecidos e desconhecidos, rostos mais antigos e rostos muito novos. Vi o Nelson Paciência tão atarefado que ora estava a desenhar sentado no chão, ora estava de pé a fotografar com outra roupa já. Vi mais tarde que me desencontrei de metade dos desenhadores, porque estavam no lado solarengo da estátua equestre. Vi o fundador, Gabi Campanario. Vi flashbacks do Simpósio de 2011 de Lisboa, que à distância, parece uma miniatura. Vi estes dez anos todos, que tanto mudaram a minha vida, e vi o papel principal que os urban sketchers tiveram nessa mudança!

Depois puseram-me comida à frente e não vi mais nada.

Obrigado por estes 10 anos :)

sábado, 19 de outubro de 2019

Curso de urban sketching - Academia de Pintura Parque das Nações


Olá a todos!

O artista Carlos Marques é também o dinamizador da Academia de Pintura Parque das Nações. Esta época, o Carlos convidou-me outra vez a integrar a excelente lista de formadores, para dar um curso de quatro aulas sobre urban sketching, no mês de novembro de 2019.

Ao longo de quatro aulas em quatro sábados de manhã (9, 16, 23 e 30 de Novembro), iremos abordar vários temas, práticas e exercícios de desenho que caracterizam a minha forma de observar e representar o mundo em diários gráficos.

As aulas irão tratar do desenho de ambientes e de pessoas. Iremos viajar pelas aprendizagens mais influentes no meu trabalho, bem como pela banda desenhada, ilustração, arquitectura e cinema.

São bem vindos desenhadores principiantes e intermédios. Também são bem vindos todos os materiais de desenho e todos os suportes, com preferência para o diário gráfico com um bom papel de aguarela, a caneta com tinta à prova de água e um conjunto de aguarelas.

Inscrições aqui.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Desenha como um cineasta


O IndieLisboa está aí à porta, e decidiu integrar o desenho nas suas actividades!

Lembram-se da oficina 10x10 Sketch like a filmmaker? É o programa ideal para juntar o desenho ao cinema neste festival icónico Lisboeta! Com os formadores Francisco Costa e Pedro Loureiro, iremos descobrir a relação entre o filme e o desenho, e de que forma podemos aprender a desenhar melhor, com a ajuda de técnicas cinematográficas. O desenho e o cinema são ambos veículos para contar histórias. As regras de composição, de sequência e de narrativa que se aplicam à captação e montagem de um filme podem também ser aplicadas ao desenho em cadernos, e o Francisco, profissional de montagem de cinema e video irá trazer a sua experiência em cinema para nos mostrar como.

A oficina Desenha como um cineasta irá ter lugar no Cinema São Jorge, em Lisboa. Encontramo-nos nos degraus à porta do Cinema, no próximo sábado, dia 4 de Maio, às 10h. Esta oficina é apoiada pelo IndieLisboa e tem o custo de 11€! Aproveitem!

Por favor inscrevam-se escrevendo para pedro.mac.loureiro@gmail.com, ou contactando o 927 892 783. Precisamos da vossa inscrição para antecipar o número de participantes.

Até lá e bons desenhos!

terça-feira, 23 de abril de 2019

Capitolino, Palatino e Aventino


A colina do Palatino é, como o nome sugere, o bairro palacial da antiga Roma. Muitos imperadores e patrícios estabeleceram aqui as suas residências, com vista para as restantes seis colinas da cidade, e ligado a elas pelos restos dos fora e de outros espaços públicos. É agora uma área fechada, acessível com bilhete, onde os turistas contornam as ruínas, tentando descobrir como os antigos mestres do império viviam o quotidiano.



Mesmo ao lado, o Capitolino, uma colina-cidadela fortemente ligada aos mitos que povoam as origens de Roma, foi o local de construção de vários templos, incluindo um grande templo consagrado a Júpiter. Hoje em dia, os palazzi pós-medievais dominam a colina, com a estrondosa Piazza del Campidoglio de Michelangelo no centro do palco.



Mais a sul fica o Aventino, tornado famoso pela sua associação com a classe operária Romana e as associações criminosas na excelente série da HBO, "Rome". O passado histórico do Aventino é de uma área diversa, onde povos e religiões estrangeiras entravam na cidade antiga. Hoje, o Aventino é uma colina afluente e idílica, onde mansões abastadas e jardins ricamente desenhados miram o Circo Massimo e o Tibre entre os pinheiros mansos do Giardino degli Aranci.


sábado, 13 de abril de 2019

Villa Adriana


Tendo lido as Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar na juventude, um ponto alto da viagem a Roma tinha de ser a villa pessoal do notório imperador, nos arredores de Tivoli, a uns 30km da capital do império.



Nos seus anos tardios, Adriano governou da villa, a uma distância conveniente de Roma, mas longe o suficiente para se sentir numa pacata propriedade de campo.



A escala do complexo é imensa, tal como a expansão do império Romano à data da sua vida. Seria supostamente auto-suficiente, com vários hectares de terra cultivada em seu torno, e população suficiente para funcionar como uma aldeia.



O imperador hospedava a sua corte lá, bem como convidados frequentes e funcionários imperiais.



O plano da villa evoluiu a par e passo com o próprio Adriano. Muitos dos locais eram nomeados a partir de divindades e influências Gregas e Egípcias que despertavam o interesse de Adriano, e as várias adições feitas à villa reflectem a vida, os amores e as viagens do imperador.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

O Coliseu



O antigo e controverso anfiteatro é o ícone arquetípico do império Romano. O espectáculo da vida e da morte alastrava-se por detrás dos seus arcos e sobre o seu palco oval desde a sua conclusão em 80 dC. Gladiadores, escravos, condenados e feras, vertiam o seu sangue na areia ao longo do jugo do império Romano.

Os seus muitos usos ao longo da história, que atesta à qualidade arquitectónica do complexo, também reflecte as mudanças nas noções da sociedade sobre as prioridades da vida e da cidade. Na Idade Média, habitantes de Roma fizeram das abóbadas do Coliseu a sua casa. Uma ordem religiosa estabeleceu-se lá durante alguns séculos. Uma família Romana fez dele a sua fortazela por um tempo. Os seus blocos de pedra e partes em bronze foram retirados para outros usos na cidade. Terramotos e fogos também deixaram a sua marca na estrutura, antes de finalmente darem lugar às presentes vagas de turistas que, diariamente, invadem o Coliseu.



(publicado também AQUI)