Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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terça-feira, 2 de junho de 2020

De volta à rua!

Voltámos à rua! E aos desenhos  ao vento, aos cabelos nos olhos, ao sol na pele, ao calor, ao frio,  às dores nas costas... mas é assim que mais gostamos de desenhar.
 Este foi um dos primeiros desses, pós quarentena. Feito numa esplanada, a ver a praia, podia ser um normal desenho de Verão.
  A diferença é que há no ar um ambiente festivo e de intenso convívio que contrasta com a  contenção que o distanciamentoum social requer. Pressente-se um desejo de perpetuar o lazer, a brincadeira, a boa disposição. É quase noite e parece haver uma recusa em voltar para a casa onde se esteve fechado tanto tempo e onde talvez amanhã não seja preciso acordar cedo. Estamos num dia de semana de Maio e há algo de estranho em ver a praia assim. É um cenário que desafia as rotinas instituídas  para a época, em que é suposto estarmos a trabalhar a estas horas. Há algo de plástico nesta alegria toda, ou então sou só eu que me sinto dissonante.
Divirtam-se, pois! ( mas já agora,  afastem -se um bocadinho, se puder ser).

segunda-feira, 1 de junho de 2020

A parte boa...

Todos nos queixamos do uso da máscara, mas pensar que estamos em processo de desconfinamento dá-me a sensação de liberdade e faz-me relevar este constrangimento. A parte boa desta imposição é que me permite estar com os outros, sei que os protege e se os outros a usarem também me sinto protegida!

domingo, 31 de maio de 2020

Primeiro passeio urbano


Tendo continuado bastante recolhida estes dias, com excepção de uma bela caminhada que fiz no campo, só esta semana é que tive oportunidade de desenhar num lugar público.
Fui aos correios, e depois sentei-me num canteiro do jardim do largo da igreja do Monte Abraão, olhando as senhoras africanas sentadas nos bancos a conversar e os miúdos a andar de bicicleta. Acho que em todo o jardim a única pessoa que tinha máscara era a senhora no banco à direita.
Passei a andar com um caderno A5 para pequenos apontamentos e poder estar tranquila independentemente do tempo que espere para entrar em algum lugar.

E o Trabalho,Senhora?




Pôr o mercado de trabalho a funcionar não é tão simples como afiar um lápis, parece pensar Ana Mendes Godinho,actual ministra do Trabalho e Solidariedade Social.
A manutenção dos postos de trabalho é uma dor de cabeça constante para todos os governos, nestes tempos Covid19.
E resolve-se com muito, muito dinheiro, imaginação e rapidez.
O Ministério do Trabalho tem sido muito criticado por não agilizar em tempo útil o que promete, e ser demasiado burocrata.
Pois vamos lá ao Trabalho,Senhora Ministra!

Fiquem bem

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A Nossa Cientista Molecular



Aqui está a nossa Cientista Molecular,Maria Manuel Mota.
Quando se apercebeu que os testes de diagnóstico do Covid eram importados e escasseavam, pensou numa forma de os fazer em Portugal,usando a tecnologia da investigação da malária.
Os reagentes que faltavam no mercado internacional foram feitos cá.
Conseguimos naquela fase inicial da doença em que todos os países lutavam por testes,suprir parte do problema.
O habitual desenrascanço portugues,deu lugar á inesperada performance lusa.
Mais tarde, a frase que ela utilizou do “relativamente bonzinho”poderá ser super polémica, mas vem de uma cientista, e percebo o contexto.
Por isto tudo,quero  agradecer aqui á Maria Mota e á sua equipa o grande contributo que deram no combate á pandemia.
Mais uma mulher!

Fiquem bem

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Covidário V


Covidário IV


Covidário III


Covidário II


Covidário I


As mais poderosas




Quem não conhece as duas mulheres mais poderosas da Saúde em Portugal?
Dizem que Graça Freitas é uma falsa frágil ,Marta Temido  teme o Covid19, diz que errou, e vai para a cabeça do touro tentando fazer melhor.
Depois de 84 conferencias de imprensa da DGS tento extrair o importante e relativizar o que é relativo.
Olho agora para algumas dessas conferências que começaram no inicio de março e sinto que passaram anos.

Fiquem bem e Mulheres ao Poder

Reencontro de familiares


Da minha varanda, observo aos fins-de-semana o reencontro das famílias nas casas vizinhas. Normalmente chegam de carro, estacionam ao pé e ficam em frente da casa a conversarem com pais ou avós. Nestes desenhos captei 2 casais novos na conversa à distância. Não há beijos e abraços, mas matam-se saudades ao vivo e a cores. 
É bom assistir ao contentamento de todos, dentro do que é possível actualmente.


sexta-feira, 22 de maio de 2020

Sair, Desconfinar e Ver o MAR!

Faço parte dos portugueses típicos: aqueles que sentem que lhes falta algo de importante quando são privados de ver o mar.

Por isso, para mim, a porta aberta ao desconfinamento, que está implícita no desafio 110 dos USk é também e sem dúvida para ir ver o mar. Foi o que eu fiz!

Era tanta a saudade que foi como se a porta se abrisse e o mar quisesse entrar em casa de tanto ser desejado.


terça-feira, 19 de maio de 2020

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Finalmente!! a desenhar cá fora!!

Não sou de caminhadas. Poucas tenho feito nesta época de confinamento. A minha higienização mental faço-a com desenho.
No entanto, desta vez acedi a acompanhar a família, consciente de que o corpo exige mexer-se e o desconfinamento passa também por isto. Mas, para me motivar, levei o bloco, uma caneta, pincel de água e aguarelas.

Ao fim de 4 km parámos junto ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, em Queijas - erigido no local onde, em 1822, descobriram uma imagem da Virgem numa gruta. Também foi o ponto de encontro escolhido por 3 famílias  para se reverem pós-confinamento, à volta de uma "jolas" e gelados para as crianças.

Depois foram outros 4 km de regresso, satisfeito por, enfim, fazer um desenho no exterior passados 2 meses.




tapeçaria «luminescente»

Fui - munida de máscara - espreitar o campo de São Francisco levando comigo poucos utensílios de desenho e um caderno relativamente pequeno.



Encostei-me num canto do «altar» que foi espontaneamente tecido pelas pessoas ao longo destes dias. São velas, são flores, são promessas e votos de esperança que cobrem o adro da igreja formando uma tapeçaria «luminescente» com aroma, cores e textura da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Esta manifestação -popular- deixa um cunho de forte identidade e serena resiliência sendo incrivelmente genuína.

Serve the City


 

Serve the City é uma associação de voluntariado pessoa-a-pessoa,  que pretende construir pontes que aproximem os cidadãos, particularmente os mais fragilizados. Em tempos de Covid , a Equipa Amizade em Linha tenta acompanhar por telefone  algumas das centenas de pessoas que costumam sentar -se à mesa nos jantares comunitários (que muitos de nós já desenhámos), impossíveis de fazer neste momento.
 Hoje conheci o Paulo, com quem tenho vindo a falar ao telefone durante a quarentena.
Apesar do seu discurso confuso, próprio da sua condição psicopatológica, o Paulo é muito simpático. De viseira em punho e calças de camuflado conversou longamente sobre o sua relação próxima com os Góis, com procuradores  gerais, com chefes da PJ,com  presidentes disto e daquilo.
 A tudo vou acenando com a cabeça, e alinho na conversa. Afinal, se essa é a sua realidade mental, quem sou eu para o contrariar?
 Só espero que a sua viseira embaciada o consiga proteger... Eu cá vou continuar a ligar-lhe! 

sábado, 16 de maio de 2020

Contrastes



Nesta altura todos compreendemos que nos é pedido um esforço global que destoa com tudo o que tenhamos, até aqui, vivido. A atualidade remete-nos para o isolamento e para a interioridade como se não fossemos animais reflexivos ou instrospetivos. Somos pessoas, somos mamiferos e é da nossa natureza manifestarmo-nos nem que seja em silêncio. Contrastando com os anos anteriores, o dia de hoje no Campo de São Francisco encharca-se de solidão, deixando apenas no silêncio o mote da partilha. Enquanto os carros vão passando lentamente ao redor da praça algumas pessoas aparecem como «salpicos» de cor numa tela por pintar, estabelecendo entre si uma cumplicidade comovente, muitas depositam as suas preces, flores ou velas à porta da Igreja com sentir de Esperança e afastam-se sabiamente.


O pequeno foi cortar a juba


Consegui marcação no cabeleireiro, para o final do dia, onde costumo ir. Desta vez era só o pequeno que já parecia o Chewbacca do Star Wars. Manteve-se calmo e aceitou a máscara na cara. Era uma de adulto e tive de dar a volta aos elásticos. 
Foi rápido e aproveitei para desenhar a uma boa distância da cabeleireira. Quando ela colocou a viseira já me parecia que ia ver o trabalho de um soldador. Correu bem. Um pouco mais difícil para cortar atrás das orelhas.
Ele ficou todo satisfeito com o corte e o gel no fim. Elas começaram a limpeza e desinfecção final do espaço. A nova realidade.
Acho que nos habituamos às máscaras, mas não sei como vai ser com o calor do verão. Fiquem bem!

quinta-feira, 14 de maio de 2020


Reaprendendo a vadiar, fui até Sintra. Senti um choque, pois não encontrei quase ninguém (talvez uma dúzia de pessoas)!!?? Tudo encerrado, pude desenhar sem ser atropelado por turistas ou alunos do secundário com os respectivos profs. a debitar sobre os Maias!!! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!