Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

Mostrar mensagens com a etiqueta X Encontro Internacional de Aguarelas de Santa Cruz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta X Encontro Internacional de Aguarelas de Santa Cruz. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Aguarelas de Santa Cruz - Parte IV - Pela noite dentro...

 O dia foi muito longo, tão longo que tive de encurtar o post, portanto se quiserem ler a história completa, vão até ao meu blogue, aqui

No final da tarde, fomos recebidos pelo executivo do Município de Torres Vedras numa cerimónia de agradecimento pela nossa presença...

À medida que o Sol ia descendo sobre a praça do Município, a cerimónia continuava com o coffee break e uma oferta do município para todos os artistas convidados, bem como uma agradável conversa entre todos. Depois, foi tempo de voltar ao frio (e chuva!) de Santa Cruz para o evento da noite: Pintura nocturna em conjunto com os Urban Sketchers! 


Aqui, o papel organizador passou para mim e para o Bruno (Faltavas tu Ana para o circulo ficar completo) enquanto coordenadores dos Oeste Sketchers e também para dar as boas vindas aos Urban Sketchers que nos visitaram. Foi uma alegria enorme recebê-los e dar a conhecer o nosso colectivo aos aguarelistas presentes. "Vocês ainda são bastantes!" exclamava a Angela, ao qual eu respondi no meu fluente "portuñol": "..e ainda não viu nada, num encontro bem organizado, chegamos a ser bem mais de 50!" Fomos então em busca de um local para o registo nocturno e ainda sem encontrar o tal, vi o António Procópio a iniciar um desenho descomunal  e pensei, "é já aqui"... Tinha dado uma folha gigante da Canson ao António e fizemos, em conjunto uma verdadeira demonstração pública de sketch/aguarela para os muitos veraneantes que iam passando. A meio dos trabalhos tínhamos uma multidão enorme de gente em  nosso redor que eu ia vendo pelo canto do olho e mesmo assim mal devido ao holofote que nos projectava uma luz bem potente na cara! Antes de terminar o desenho, levantei-me para esticar as pernas e fui prontamente abordado por um jovem que exclamou que gostava de fazer isto e não conhecia ninguém na zona dele que desenhasse. "És de onde?" perguntei eu. "...vivo nos Açores, São Miguel". "Então fala com a Alexandra Baptista!" respondi prontamente. "Ahh, ela é minha stora!!!"  "Então tu tens uma professora que é uma das melhores Urban Sketchers nacionais, estás a espera do quê para começar nisto?!"  (Alexandra, espero que resulte em mais "clientes").  
No final do encontro, os resultados foram fantásticos e foi brilhante ver tantos, bons e diversos registos, todos reunidos junto ao Ar de Bar, incluindo os cadernos de pessoas que não sabiam do evento e se juntaram quando nos viram desenhar. 

No final do evento, esta aguarela nocturna foi também cedida para a Câmara Municipal de Torres Vedras.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Aguarelas de Santa Cruz - Parte III - E porque não?...

Neste encontro eu era claramente aquele que menos anos tinha de aguarela e uma falta de experiência notória no que toca a conhecimento de técnicas, materiais e mais truques do género. No entanto, há uma coisa que eu sei, é que o papel comanda a vida neste meio. Podem ser muito talentosos e ter as melhores tintas mas no fim, tudo se resume à qualidade do papel VS tipo de trabalho que querem produzir. Os artistas deste encontro têm um beneficio fantástico, o acesso practicamente ilimitado a papel de aguarela, papel esse que anda sempre nos 300g/m², quase sempre de algodão e com dimensões que não se comparam a qualquer caderno que eu tenha visto por aí. 

 Era 3ª feira, dia 1 de Agosto e as actividades passavam pela cidade de Torres Vedras, em grande parte para a dar a conhecer aos artistas que até então tinham estado sempre em Santa Cruz. Após um passeio matinal por ruas que eu já desenhei vezes sem conta, sentei-me no Largo de Santo António com o Bruno e com a Ana Ramos (o núcleo dos Oeste Sketchers :) que também já teve uma dose considerável de desenhos (aqui). Puxei da caneta e preparei a folha gigante de 70x40 e pensei... "E fazer uma aguarela à aguarelista? Porque não?..." e nesse instante, troquei a caneta pelo lápis e fiz um desenho bem mais solto e menos detalhado que o normal.


Assim que comecei a lançar cores, voltei a ter a perfeita noção de que o papel faz mesmo toda a diferença. Este era um Arches de grão grosso e ver as cores misturarem e fazer efeitos extraordinários é um prazer quase indescritível. Não somos apenas nós que trabalhamos em aguarela, a água também trabalha connosco e é ela a principal responsável por uma aguarela extraordinária ou por mais uma folha para o "lixo" (nunca mandem desenhos fora, é apenas uma força de expressão). No fim, estava claramente satisfeito porque senti que tinha aprendido mais qualquer coisa...   

Para além de uma sala de trabalhos, este encontro dispões de uma galeria que serve apenas para a mostra de aguarelas feitas durante o mesmo. Assim que um artista termina um trabalho, ele coloca o seu trabalho na parede bem como um preço de venda ao público. Aqui estavam as minhas obras no final deste segundo dia de encontro, ao lado das fantásticas incursões "Banksyanas" do George Politis. No final da exposição e do encontro, esta minha aguarela passou a fazer parte da enorme e muito rica colecção de aguarelas do Concelho de Torres Vedras. Uma honra enorme poder servir a minha "casa" com o que mais gosto de fazer...

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Aguarelas de Santa Cruz - Parte II - O meu papel...

Desenhar em cadernos não é novidade para os artistas em geral, de modo que é ainda a forma que muitos tem de compor as suas obras andes de as transpor para grandes telas. Andar de caderno na rua a desenhar o que está diante de nós é uma prática tão antiga como os cadernos em si e para estes artistas, nada de novo tampouco...



No entanto, os Urban Sketchers introduziram uma nova variável nesta equação: a narrativa, o carácter jornalístico, e é essa componente que estes artistas não estão tão habituados a ver. O que nós Urban Sketchers fazemos nos nossos cadernos transcende a técnica, o rigor e a materialidade, nós contamos histórias que um dia poderão fazer parte da História, mas acima de tudo, são memórias nossas, porque estivémos lá numa determinada ocasião. Tinha encontrado nesse momento qual iria ser o meu papel nisto tudo. Apesar de não gostar do termo "registo" quando relacionado com o desenho, era isso mesmo que eu iria passar a fazer, a registar tudo o que eu conseguisse ver, ouvir e sentir...


Depois uma manhã bem carregada de chuva e tempo invernoso, passei o almoço bem divertido e a rogar pragas ao tempo oscilante de Santa Cruz. Após muito vinho e uma Macieira com o Augusto, subimos até ao miradouro da Praia Formosa para ver o mau tempo ir embora dando lugar a um sol radiante. "Adoro o Verão em Santa Cruz, o ano passado calhou a uma 4ª feira" brincava eu... Este ano começou na 2ª depois de almoço e deve ter ficado até 3ª a tarde, nada mau...  


Mas o que eu realmente queria era sentar-me na esplanada com os amigos e deixar o tempo passar entre desenhos, conversa e imperiais. Depois de muitos copos, era tempo para assistir à demo do talentoso George Politis da Grécia que fora reagendada para as 17h dado que de manhã havia água a mais para a aguarela...


Uma das coisas que os artistas convidados são "obrigados" a fazer, é uma demonstração pública do seu trabalho e normalmente, em Santa Cruz durante o mês de Agosto é sinónimo de bastante gente em redor a observar. Alguns curiosos paravam uns segundos e seguiam viagem mas havia alguns olhares bem interessados na fantástica performance deste premiado artista helénico. Ao lado esquerdo do George, a sua filha fazia um "cafuné" à pequena Ines (neta da artista Isabel) enquanto observava com orgulho as belas texturas que as Daniel Smith iam fazendo no Arches de 600g do seu pai. Do lado direito os olhares mais atentos eram das famosas e talentosas espanholas Angela Barbi e Teresa-Jordá. Vale bem a pena conhecerem o trabalho desta "malta" ;) 


Depois de mais uns copos, uma vez que há sempre brindes atrás de brindes cada vez que um artista acaba uma demo, voltamos ao nosso "Quartel-General", a pensão Mar-Lindo que tem das melhores vistas para a praia e respectivo por do sol. Não desenhei o clássico por do sol mas sim o efeito que o sol fazia no casario envolvente. Essa luz quente que provoca sombras luminosas é muito característica desta zona, mas no entanto também é muito rara, porque como disse no inicio, só há sol nestas bandas umas duas ou três vezes por ano.

Continua...

Santa Cruz, o dia da demo colectiva

6 de ago. 10h45. Esplanada ARDEBAR.

A habitual espera dos artistas. O dia era especial, pois o encerramento do encontro incluí uma demonstração colectiva.

Os trabalhos estão atrasados. Enquanto o Tomás e o Duarte partilham cromos da bola, eu bebo um café e faço este rabisco.

Todos os artistas convidados pintam ao vivo uma obra em conjunto. O desenho foi lançado pelo Pedro (a impressora humana). Rapidamente a folha branca começa a ser invadida pelas manchas de cor, e que cores. Mais do que uma pintura,  foi uma performance, com uma coreografia magnifica. A leveza da mão e o sorriso estampado na cara, fazem-nos crer que aquilo é fácil...  No final a apoteose. Desce o pano, bebem-se as últimas imperiais,  a emoção no rosto de todos, os últimos abraços... para o ano há mais.

Obrigado António Bártolo e família (muito importante em toda a organização), por permitirem ao comum dos mortais conviver e aprender com artistas desta craveira. Parabéns a todos os artistas pelos trabalhos desenvolvidos e pela forma impecável com que se relacionaram com o público.

Pedro Alves, já te disse tudo o que tinha a dizer. Fico-me pelo habitual e sincero PARABÉNS.



terça-feira, 8 de agosto de 2017

Aguarelas de Santa Cruz - parte I - O inicio...

O Encontro de Internacional de Aguarelas de Santa Cruz é um evento que aos poucos pôs o concelho de Torres Vedras nas principais rotas dos aguarelistas, que tal como nós Urban Sketchers, viajam pelo mundo fora para pintar, ensinar e sobretudo, aprender... O seu mentor, António Bartolo já está ao leme desta iniciativa há 10 anos, que promete afirmar-se como um dos principais encontros de aguarela do país e da Europa.

Quando em Dezembro de 2016, ele me convidou para ser um dos artistas seleccionados para o evento, eu não soube muito bem como responder e  numa estranha mistura de plena felicidade com incredibilidade lá esbocei um tímido "Obrigado!..?" Acho que desde então e até ao momento em que escrevo isto me continuo a perguntar: "Porque é que um desenhador de rua como eu foi convidado para um evento de pintores de aguarela?! What?!"


Sim, eu uso a aguarela e aos poucos fui ficando um pouco refém dela, não porque me acomodei mas porque quero ficar refém, numa espécie de Sindrome de Estocolmo benéfico. É nela que eu vejo novidade a cada desenho que faço, mas no entanto faço questão de salientar que o que eu faço são de facto desenhos... As minhas linhas ainda são (e serão sempre) aquela componente do meu trabalho que melhor me define, enquanto desenhador e potencial artista... 
...no entanto, não há nada de errado (antes pelo contrário) de explorar novos caminhos e enquanto a aguarela me continuar a mostrar novos sentidos, eu vou embarcando e vou desfrutando da viagem.
Para ganhar um pouco de confiança para o que estava para vir, comecei por fazer o que faço normalmente, mas numa folha mais generosa. Assim que acabei, não fiquei nada feliz com o resultado pois não havia nada de novo e naquele instante eu soube logo que esta aventura iria mudar o meu método de desenhar uma vez mais. E nada melhor que um evento desta natureza para nos "forçar" a tal, a estarmos de mente aberta para deixar a novidade e a inovação entrar, quer gostemos ou não do resultado final.

No fim de contas, o que interessa é a viagem e não tanto o destino...

domingo, 6 de agosto de 2017

"Esplanando" em Santa Cruz

Demonstração de aguarela dia 3 de Agosto - X Encontro Internacional de Aguarela de Santa Cruz.


Dia 5, alguns Oeste Sketchers faziam tempo na bela da esplanada para a demonstração de aguarela do Franck Rollier. Às tantas o panorama foi este... :)


sábado, 5 de agosto de 2017

10º Encontro Internacional de Aguarelas _ Santa Cruz

4 de Agosto, Encontro de desenho nocturno

20h - Mar-Lindo - Jantar entre aguarelistas e desenhadores. Lá estava o anfitrião, António Bartolo, que ano, após ano, e já lá vão 10, consegue manter o entusiasmo e a força de vontade para se superar. Uma palavra de apreço para a sua família, a Aldina e os seus filhos, sem os quais nada disto seria possível.

Depois do jantar, descemos para o café onde (re)encontrámos mais amigos. Lá fora a famosa chuva "molha tolos", muita humidade. Ganhámos coragem e seguimos para a rua. Já desenhei muitas vezes à noite, mas nunca com o objetivo de transmitir a atmosfera.

Não tinha aguarelas, só o pincel da pentel e canetas de feltro da Faber-Castell. Não esquecer o meu pequeno luxo - TWSBI ECO Black Fountain Pen, acabadinha de chegar pelas mãos do meu amigo Filipe.

Apesar da humidade e algum frio, a rapaziada não desanimou. às 23h3o fez-se a habitual partilha.

Quanto ao desenho, foi o melhor que se conseguiu.



 Caderno Tiger; pincel da pentel; canetas de feltro da Faber-Castell; TWSBI ECO Black Fountain Pen


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Mais desenhos do Leo

Pois é, ele também foi ao Workshop do Pedro Alves em Santa Cruz e ficou tão entusiasmado que depois do dito, ainda se fartou de desenhar...
O primeiro desafio (desenho com 1 ponto de fuga) não lhe correu bem, mas depois de perceber melhor o que era para fazer, fez este.


O segundo desafio (desenho com 2 pontos de fuga) resultou nestes dois desenhos


E depois ainda fez mais estes
Um senhor numa esplanada em Santa Cruz
E um treino de perspectiva com multidões e depois planos para uma BD.



Workshop em Santa Cruz

No âmbito do X Encontro de Aguarelas de Santa Cruz, estava programado um workshop de desenho com o Pedro Alves. Pensei logo: é mesmo disto que estou a precisar. E lá fui. Não me vou  alongar em detalhes, mas excedeu as minhas expectativas. Depois duma primeira parte dentro de portas, viemos para a rua. O primeiro desafio foi fazer um desenho com 1 ponto de fuga.

Ainda ficou um bocado mastigado ali do lado esquerdo e com demasiadas linhas e hesitações. Mas, lá está, treino, treino, treino... e há-de ir.
O segundo desafio foi fazer um desenho com 2 pontos de fuga.
As "dicas" do Pedro foram preciosas. Desta vez, foi no lado direito do desenho que a coisa não correu bem... Mas garanto que fiquei com bagagem para poder perceber melhor como estruturar o que vejo e conseguir colocá-lo na folha!
Obrigada Pedro Alves.



segunda-feira, 23 de maio de 2016

Arte ao Centro - último dia

dia 22 de maio - Santa Cruz
Encontro Nacional de Aguarelistas e Desenhadores de Rua
Organização: Municipio de Torres Vedras; AAPOR e Oeste Sketchers


o meu contributo.......

Aqui me sentei a desenhar com o Tomás.... 1º a Azenha e a Torre
2º - Surgiu um enxame de Vespas que pediram para ser desenhadas. Só desenhei uma, aquela que eu gostaria de ter (e o Tomás também). Depois da Vespa, veio a história - "Pai, para que servia a Azenha?". No interior, enquanto o meu avô explicava ao bisneto o que era e como funcionava a Azenha, "entreti-me" a a perceber como era este território no séc. XVI. Pude dar-me ao luxo de perder a lição de história do meu avô, pois também já tive a mesma sorte do meu filho :-)


Depois do almoço, sentei-me junto a amigos, abrigados da brisa e banhados pelo fantástico sol que se ia despedindo de nós. Gosto destes enquadramentos ocasionais. Obrigado Pedro, pelas tuas sombras, que valorizaram e muito o meu desenho...