O meu primeiro desenho no Porto foi uma tentativa de casario que não tive tempo de terminar. Está ali em cima, à esquerda. Depois foi muita conversa e horários sempre em atraso...
Cheguei tarde à livraria Lello, mas ainda me deixaram entrar. O Matias precisava de ir dormir, pelo que abri o caderno e desatei a desenhar como senão houvesse amanhã...
Ao olhar para as linhas pretas pensei: "bolas, isto está mesmo mal...."
Tirei a caneta sépia e desatei a desenhar a
Reham Ali que estava do meu lado esquerdo, a
Gail Wong, um pouco mais à direita, e a
Johanna Krimmel, ainda mais à direita.
Terminei e fui deitar-me a pensar que o Porto ia ser um desastre...
No dia seguinte, o da acreditação na Alfândega, decidi que ia desenhar apenas. Nada de aguarelas, nada de cor. Todos os momentos que tivesse seriam para a linha. Das janelas da sala do Arquivo, a vista para a cidade era deslumbrante. Fui fazendo este desenho aos poucos. Num dos momentos, um brasileiro chorava ao meu lado enquanto falava ao telefone. Estava perturbado com alguma coisa que estava a acontecer no Brasil à sua família. Sentia-se impotente por estar deste lado do oceano.
Desligou o telefone.
Perguntei:
- Está tudo bem?
- Não, está tudo mal. Está tudo mal...
- Vou buscar-lhe uma cadeira e um copo de água.
- Obrigado, muito obrigado.
Fechei o caderno.
Consegui primeiro a cadeira, mais tarde o copo de água.
Falei um pouco com ele.
Só voltei a desenhar ao final do dia, na Praça da Ribeira...
Palavras para quê?
Este foi um momento que gostei muito de partilhar com a grande
Cláudia Mestre e o
Filipe Almeida, com quem não estava já há algum tempo e soube-me mesmo bem!
Começou assim o meu Simpósio no Porto!