Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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domingo, 18 de junho de 2017

Poznań II




Budynek PZU, Plac Cyryla Ratajskiego







































Pomnik Polskiego Państwa Podziemnego i AK.


Em mais uma viagem à Polónia, ficam aqui dois dos registos que fiz na cidade de Poznań.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Poznań I



  Numa viagem que fiz à Polónia neste mês, deixo aqui o primeiro de alguns registos que fiz. Este na cidade de  Poznań, numa igreja de estilo neogótico, inteiramente revestida a tijolo no exterior, aspecto não comum no nosso país, pelo que as suas cores, texturas e planos que cativaram imenso.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Desenhos da Polónia #9 Bairro Judaico


"O cemitério judaico novo no coração de Kazimierz aligeirou a visão da morte. Um caos pacífico de pedras tumulares fundidas com a natureza. Durante vários minutos, estivemos sozinhos na calma dos mortos, até à chegada de uma turba de judeus ortodoxos israelitas, adolescentes e desajeitados, eufóricos na sua visita ao seu passado histórico."


Na verdade, estavam precisamente à procura da lápide que eu tinha escolhido como primeiro plano do meu desenho. Sendo gentio, temi um embate teológico portanto, pus-me ao fresco enquanto a horda de adolescentes, liderada por um rabino mais velho, bombardeava as vistas e as lápides com os flashes das suas câmaras digitais e smartphones. Chegando ao seu objectivo, entraram num frenesi de orações e fotos! Desde a visita à campa do Jim Morrison que nunca tinha visto tal devoção e entusiasmo turístico por uma lápide. Mais tarde descobri que a campa pertencia a um certo rabino Akiva Kornitzer, nascido nos Países Baixos no séc. XIX, e que foi Rabino Chefe de Cracóvia a dada altura.


Kazimierz, que continha o Gueto Judaico durante a ocupação Nazi, está polvilhada de sinagogas, algumas delas bem antigas. A Sinagoga Remuh é talvez uma das menos interessantes, mas é uma das duas sinagogas activas na cidade. A observação que mais apreciei for a devoção pela palavra impressa que o Judaísmo exala, na medida em que mesmo uma pequena sinagoga como a de Remuh disponibiliza uma pequena biblioteca à sua comunidade.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Viagem à Polónia #8 Auschwitz


"A presença da história judaica é sentida em muitos locais em Cracóvia. No seu extremo mais sombrio em Oświęcim, conhecida pelo seu nome alemão Auschwitz, e na sua extensão, Birkenau. Razões para visitar os antigos campos de concentração são provavelmente muitas, e muitas serão também as razões para não os visitar. Mas só depois da visita se torna claro o motivo para visitar. É um salto de fé para compreender a experiência humana na Terra."


A viagem de 2 horas de comboio até Oświęcim pareceu, pelo menos durante alguns minutos, parte da experiência de visitar os campos de concentração. O comboio enche até não poder mais na estação central de Cracóvia e fica-se a pensar se todas aquelas pessoas estão encaminhadas para visitar os campos! Só após duas paragens, quando quase toda a gente sai no Business Park de Cracóvia é que a ilusão é quebrada. Depois disso, uma segunda ilusão começa a assomar-se: a paisagem invernal desolada do sul da Polónia. Pode quase sentir-se que a lúgubre história se espalhou por estes campos.

A estação de comboios é a 15 minutos a pé dos campos, bom para descontrair um pouco em preparação do que está para vir. O que se encontra na visita aos campos é um imenso conflicto de palavras e emoções. Palavras como eficiência, morte, sistema, caos, poderiam ser usadas na mesma frase para descrever aquilo que nos rodeia. A ordem das coisas fica baralhada nas nossas mentes ao encarar-se a industrialização da morte. A matemática da carnificina. A ciência do assassinato.


Um cheiro a carvão percorre o ar no caminho de regresso de Birkenau até à estação. É a razão pela qual os campos foram construidos nesta região. É rica em combustível fóssil, e é necessária mão-de-obra para extrai-lo e processá-lo. A mesma mão-de-obra que habitava e morria nestes campos.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Viagem à Polónia #7 Música em Cracóvia

Excerto do meu texto em Diários de Viagem 2: Desenhadores-viajantes:


 Gosto de focar-me em pessoas, nas suas fisionomias – uma das heranças do Hugo Pratt, que estudava as feições dos vários povos que eram personagens nas suas histórias – nas posturas e na linguagem corporal. A senhora que cantava ópera numa esquina da cidade velha de Cracóvia expressava estas características faciais em soberbo exagero.


 Já a Sofia, portuguesa encontrada por acaso, ensaiando na rua para um mini-concerto alguns minutos depois, expressava-se subtilmente com o corpo, como boa fadista.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Viagem à Polónia #6 Comida de Cracóvia

Excerto do meu texto em Diários de Viagem 2: Desenhadores-viajantes:


"Na Polónia, a comida é deliciosa e barata! Em parte, virtude da existência dos Bar Mleczny, ou bares de leite, espécie de cantinas, subsidiadas pelo estado, que servem refeições substanciais baratas. O Polakowski é uma reinterpretação ultra-decorada desses lugares caracteristicamente polacos. Os pratos, simples, mas pesados em molho, lacticínios e couves – rechonchudas kielbasas, pungente bigos, grosseira golanka ou massudos pierogi – são ideais para operários, estudantes, reformados, ou viajantes que caminham quilómetros a fio.


Depois de algumas cervejas e wódkas a altas horas da noite, as ubíquas e simples zapiekankas tornam-se pitéus dignos da intelligentsia, dignos equivalentes de um falafel ou uma bifana.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Viagem à Polónia #5 Vistas de Cracóvia




Cracóvia é definitivamente mais turística que Varsóvia. A sobrevivência da cidade medieval durante a Segunda Guerra Mundial possibilitou a Cracóvia evitar as reconstruções modernistas do estilo Soviético e ajudou à preservação do ambiente de uma cidade histórica Europeia, com todas as camadas de todas as épocas precedentes à vista desarmada. O centro histórico é muito pacífico, mesmo que invadido por turistas predominantemente Russos mas de outros Europeus também. Em tempos idos foi a capital da Polónia, até que Sigismundo III Vasa, um rei com origem na dinastia Sueca, transferiu a capital para Varsóvia, para ficar mais perto de todos os territórios sob o domínio da Comunidade Polaco-Lituana.


O centro histórico de Cracóvia (que inclui a cidade velha, Kazimierz e a colina de Wawel), é Património Mundial da UNESCO desde '78, e foi um dos primeiros do género. O ADN cultural da cidade parece muito diferente do de Varsóvia, em parte devido ao ambiente urbano, mas também porque, enquanto Varsóvia estava mais próxima da Alemanha, da Suécia e da Russia, e presa para os seus exércitos invasores, Cracóvia estava próxima das ambições dos Habsburgos Austríacos.

Viagem à Polónia #4 Edifícios de Varsóvia




Edifícios são talvez o objecto de desenho que menos me agrada, o que choca com a minha formação de base como arquitecto. Mas uma das regras tácitas que tenho para mim é: desenha aquilo que te aborrece até não te aborrecer mais! O infame Palácio da Cultura e da Ciência foi um antagonista à altura. São 237 metros de nemesis de betão que me agradaram tanto desenhar como agrada às gentes de Varsóvia. Tentei tornar o resultado um pouco mais interessante imprimindo duas camadas distintas – a forma e o ritmo da arquitectura em linha e a sua verdadeira escala em mancha. Por vezes as experiências não resultam como queremos e o diário gráfico é nisso um mestre severo – obriga-nos a carregar os nossos próprios erros. Especialmente os cadernos sem argolas.



Quando se trata de desenhar edifícios, prefiro interpretar a apropriação que as pessoas fazem deles, como no caso dos Pawilony – pré-fabricados de betão de desenho repetido que deram origem a um dos mais quentes locais da noite de Varsóvia. Costumo focar-me em detalhes, mas aqui, entre desenhar o interior extravagante de qualquer bar e o exterior regular do conjunto, optei pela imagem geral monótona. Mais um desafio cumprido!


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Viagem à Polónia #3 Varsovianos

Varsóvia é uma cidade cincenta, mas os seus cidadãos, nem por isso. As polcas tocadas pela Orkiestra z Chmielnej invadem os túneis debaixo de uma das enormes avenidas soviéticas, aproveitando as multidões que caminham em todas as direcções.
Esperava encontrar feições eslavas, mas a verdade é que os polacos são muito diversos, atestando as fronteiras movediças do seu país. Muito desejada, e por vezes, invadida e abusada por vizinhos próximos e afastados ao longo dos séculos, a Polónia e, mais particularmente Varsóvia, parecem ser uma encruzilhada da Europa Central. Feições eslavas, nórdicas e germânicas são predominantes, mas conseguem-se identificar feições de praticamente todos os cantos da Europa.
À noite, a juventude invade bares como o Warszawska, em Śródmieście, o bairro central da capital. Alguns fregueses, após repararem que estavam a ser desenhados, tornaram-se amistosos e entabularam conversa. Um dos mais comunicativos era um produtor de vídeo e artista de stop-motion local. A taberneira, com aparente idade ilegal para estar atrás dum bar, mostrou uma inveja silenciosa por não estar a ser desenhada, portanto, fiz-lhe a vontade. Não tenho é a certeza de que tenha ficado satisfeita com o resultado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Viagem à Polónia #2 Comida em Warsawa

Porco! É porco!
Excerto do meu texto em Diários de Viagem 2: Desenhadores-viajantes

"[O diário gráfico p]ermite composições de elementos em diferentes escalas, notas e apontamentos. Sobretudo, e talvez a característica que me agrada mais: é pretexto para sentar um pouco, descansar, e ficar no local observando e interpretando, durante um tempo prolongado, aquilo que se passa ao redor. Pode ser um problema em viagens com várias pessoas: “Isso ainda não está pronto?” poderá ouvir-se eventualmente, com a consequência de sermos obrigados a continuar a andar com o caderno aberto na mão, aguadas ainda a secar (processo químico fastidoso em temperaturas próximas do zero)."

Mais porco.

E. Wedel, uma chocolateira centenária que serve pequenos-almoços ricos e achocolatados num ambiente vitoriano à maneira.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Viagem à Polónia #1 Comboio para Warsawa


"Desde cedo que, no meu imaginário, a viagem está associada ao desenho, graças a leituras repetidas das edições antigas dos álbuns do Corto Maltese do meu pai. Quando começaram a sair as edições modernas com belas aguarelas no início, do romântico soldado da fortuna em exóticos ambientes, ainda mais ainda se acentuou a minha vontade de viajar e deixar em linha e cor aquilo que vou vendo, saboreando, cheirando, ouvindo e sentindo, as pessoas que vou conhecendo, ou que não conheço, mas que por alguma razão fizeram a caneta riscar o papel de mais uma página de um diário gráfico.

Viajar e desenhar são duas das minhas actividades favoritas. A primeira, alimentada pelo mistério do desconhecido e pela curiosidade que o outro desperta, impele-me a caminhar pelo globo fora, encontrando familiaridades e singularidades, os diferentes lugares e os diferentes aspectos da existência humana, que me ajudam a construir uma imagem, ou uma ideia do que diabo andamos por cá a fazer.

A segunda trata de registar em traço e em cor aquilo que sinto relativamente ao que vou conhecendo na viagem. O desenho é um interface com o mundo exterior e aquilo que resulta de destilar o eu e o outro juntos. Talvez o segundo seja a resposta à pergunta do primeiro: procurar o modo de nos fundirmos com o mundo.

Uma viagem de alguns dias à Polónia não parece ligar com as buscas esoterico-românticas do marinheiro, certamente não é a chave para os segredos da experiência humana e a união espiritual através do desenho, mas creio que até nas viagens mais curtas ou nos lugares menos exóticos o desenho serve esse propósito de interpretar e acrescentar bocadinhos de sabedoria à colecção de singularidades que nos torna únicos.


Adiante, para assuntos mais prosaicos: O desenho em viagem é um óptimo modo de preencher 3 horas de viagem de comboio. É um melhor desbloqueador de conversa que wódka. É uma excelente câmara de longa exposição, captando muitas coisas que acontecem em paralelo ou em sucessão no mesmo local com maior clareza que a máquina fotográfica (ou o telemóvel)."