Já estive em várias situações engraçadas desenhando à chuva, mas esta, no décimo aniversário dos Urban Sketchers Portugal, acho que superou todas as outras.
Da parte da tarde um dos grupos foi com o Luís Miguel Frasco para o Miradouro da Senhora do Monte, e pouco tempo depois de lá chegarmos, já a desenhar, fomos apanhados por uma valente bátega.
Eu tinha começado a desenhar a paisagem com o Luís em destaque do lado direito, e a minha intenção era que desenhador e paisagem desenhada dialogassem no desenho, cada um dando força visual ao outro, ilustrando a intensa ligação que se estabelece eles.
Grande parte do lançamento inicial do desenho era aguarela e quando começou a chover em grossas gotas e em força, não houve sequer tempo de proteger o caderno.
Foi uma chuva tão forte como rápida e logo parou, como podem ver na fotografia que o António Alberto Frazão tirou de nós logo a seguir (outra fotografia ver aqui).
Apesar de se poder pensar que a chuva destruiu o desenho, eu gosto bem dele assim.
Já não lhe toquei mais. A natureza do tempo impôs-se e nas manchas e traços deixou a forte sensação daquele momento único, e refrescante. :)
Para mim este desenho manifesta uma das coisas que mais valorizo no acto de desenhar --- a observação do processo. O que fazemos orienta o desenho num determinado sentido mas o que acontece espontaneamente é aventura a viver e saborear.








Fomos desenhar com o Eduardo Salavisa para o Largo do Indendente e novamente desistimos porque as condições climatéricas eram péssimas. Abrigámo-nos no bar O das Joanas, que acabou por se converter num local muito simpático e acolhedor. Eu e o Zé ficámos à conversa com a Celeste Vaz Ferreira que entretanto apareceu. O grupo que inicalmente se tinha formado, e que foi atraindo a atenção de algumas pessoas que por ali estavam e pediram alegremente para serem desenhadas, acabou por se separar...

































