Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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terça-feira, 17 de março de 2015

Desenhar nas estilas


  É o tempo mágico das estilas. O medronho apanhado no Outono, e que ficou a fermentar todos estes meses, vai ser destilado.
  É tempo de acender a fornalha, colocar umas caldeiradas de medronho no alambique e fazer jorrar a aguardente. Saborosa, cheirosa, apaladada e inebriante.
  É tempo de ouvir histórias velhas e novas, de pôr as conversas em dia, ao longo das noites e dias que dura a destilação do precioso líquido.



Uma noite de convívio numa destilaria tradicional na serra de Monchique.





No dia seguinte ao fim do dia o coro da Confraria do Medronho Os Monchiqueiros 
animou com os seus cantares.



Visita a uma outra destilaria de medronho.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Le Bateau Mecanique


No dia 19 de Dezembro na Université Paris-Sorbonne, Jean-Yves Blot defendeu a sua tese de doutoramento com o título LE BATEAU MECANIQUE uma tese entre o saber arqueológico aquático e resistência de materiais (madeira). 

Jean-Yves Blot momentos antes, num café frente à 
Sorbonne.




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Passeio Micológico



Um convite dos Urban Sketchers de Évora fomos desenhar na Quinta Courelas do Monte, integrados num passeio micológico orientado por Ecofungos que nos transmitiu matéria interessante sobre os cogumelos. Foi um dia muito agradável.  No fim comemos um risoto de cantarelos cozinhado por um chefe cozinheiro, também participante. Muito bom! 




sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Num dia da apanha do medonho na Quinta do Brejo como a chuva também se fez convidada, não foi possível apanhar os referidos medronhos. Assim aproveitou-se o tempo para desfolhar o milho.o resto do tempo depois de almoço, os homens jogaram às cartas e as senhoras deram dois dedos de conversa…


















Desenhar Amanitas

Ontem. Final de um dia de campo, no Outono.

Chegamos a casa com alguns amanitas (o bonito e raro amanita caesarea).
 
O Carlos desenha-os, antes de os preparar num belo carpaccio, pois este cogumelo pode comer-se cru.
 
 
A minha caneta também não resistiu à cena...
 
QUEM QUER VIR A MONCHIQUE NO TEMPO DELES?












quarta-feira, 20 de março de 2013

Desenhar nas "Estilas", Serra de Monchique


Passamos grande parte do ano em Monchique (Carlos Abafa e Ana Rosário Nunes) o que nos tem permitido assistir a toda a vivência da produção artesanal de aguardente de medronho. Este é um dos locais onde funciona uma destilaria, na gíria local "estila".

Este ano partilhámos essa experiência com outros desenhadores. "Desenhar nas estilas" aconteceu no fim-de-semana de 9 e 10 de Março. Entre outros amigos, foi um prazer partilhar olhares, petiscos e traços com Luís Ançã e Pedro Cabral. Esta é a primeira publicação que fazemos nos USk com o que registámos desse dia. (Carlos Abafa caderno de argolas, Ana Rosário Nunes caderno cosido).



Tradicionalmente uma "estila" tinha sempre momentos de convívio. Destilar era um processo moroso e solitário, dado que se fazia em contínuo, noite e dia, mantendo sempre o lume aceso na fornalha. Assim, ir fazer um pouco de companhia a quem estava a destilar era uma questão de solidariedade…



E um petisco era sempre bem-vindo! Como estes enchidos tradicionais de Monchique: os "molhos" (recheados de arroz) e a "morcela de farinha" (nada tendo a ver com a farinheira, esta é muito escura, usa farinha de milho e é feita em sacos de pano).



Os novos contentores de plástico azul convivem com as velhas dornas. Em ambas o medronho colhido no Outono fermentou durante vários meses, formando a "massa" que irá agora ser destilada.



Entre bidons de medronho em fim de fermentação, o Pedro Cabral aninha-se a desenhar. Ao fundo brilha o cobre do enorme "cácero" que, de oito em oito horas, servirá para encher de novo o alambique com "massa" fermentada.




Na destilaria da Pedra Branca, na manhã fria e chuvosa, o calor da fornalha aquece a massa, enquanto o Luís Ançã desenha. A "cabeça" do alambique, como um estranho pássaro de cobre, mergulha o seu bico no tanque de água fria, arrefecendo o metal nessa travessia e provocando, assim, a condensação dos vapores. Do outro lado do tanque, com a lentidão dos processos ancestrais, escorre a aguardente cristalina.




Numa prateleira junto à bica de saída da aguardente, os instrumentos de aferição aguardam. Um pouco de aguardente será recolhida num copo feito com um troço de cana e nele será introduzido o "termómetro" para medir a graduação.



Na destilaria do Monte da Lameira assistimos ao ritual do fim e início de uma nova "caldeirada". É o momento em que melhor se entende o funcionamento do alambique. Enquanto no outro extremo da adega o enorme "cácero" recolhe do fundo da dorna a massa de medronho fermentado que irá encher a caldeira, a "cabeça" repousa invertida antes de ser cuidadosamente reposicionada e calafetada. A caldeira — o ventre esférico do alambique — também ela de cobre, pode agora ser observada por dentro durante as operações de limpeza que a preparam para receber nova "massa".



De novo a espera, com um controle discreto mas eficaz do destilador. O manso pingar da aguardente, com um fascínio semelhante ao do crepitar do fogo…