Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Voltei ao Restaurante


A semana passada voltei ao escritório depois de um par de meses em teletrabalho. Almocei no restaurante habitual. Esperei mesa, embora o espaço tivesse pouca gente, mas por agora é a lotação possível. Tirei a máscara já sentado, depois de terem desinfectado a mesa e a cadeira. O menu estava à entrada do restaurante e pedi logo enquanto esperava à porta. Aproveitei para voltar a desenhar à refeição. Ao fundo uma mesa com 4 pessoas, colegas de trabalho, conversavam à vontade. Os empregados mantinham as máscaras no atendimento. Soube-me muito bem a refeição. No fim estive um pouco à conversa com a D. Aida e a filha, donas do espaço e que conheço há muito. O tempo é de preocupação e também de esperança. 

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Aproveito este post para, em nome da direcção dos Urban Sketchers Portugal, apelar ao retorno do desenho de Observação de acordo com o nosso manifesto. 

Findo que está o período de Confinamento em que resistimos ao isolamento e ansiedade através do registo das Web Oficinas, com desenhos de viagens virtuais, de fotografia em pc e televisão, com ideias excelentes de colegas formadores e resultados muito engraçados; regressamos aos encontros de rua (máscaras e distanciamento) e aos desenhos de Observação presencial porque essa é a nossa maior força enquanto Comunidade Urban Sketcher. 

Vale a pena recordar as regras do nosso Manifesto seguido por sketchers de todo o Mundo. 

1. Desenhamos in situ, no interior e no exterior, registando directamente o que observamos.
2. Os nossos desenhos contam a história do que nos rodeia, os lugares onde vivemos e por onde viajamos.
3. Os nossos desenhos são um registo do tempo e do lugar.
4. Somos fiéis às cenas que presenciamos.
5. Usamos qualquer tipo de técnica e valorizamos cada estilo individual.
6. Apoiamo-nos uns aos outros e desenhamos em grupo.
7. Partilhamos os nossos desenhos online.
8. Mostramos o mundo, um desenho de cada vez.

Desenhem muito e partilhem!

domingo, 31 de maio de 2020

Primeiro passeio urbano


Tendo continuado bastante recolhida estes dias, com excepção de uma bela caminhada que fiz no campo, só esta semana é que tive oportunidade de desenhar num lugar público.
Fui aos correios, e depois sentei-me num canteiro do jardim do largo da igreja do Monte Abraão, olhando as senhoras africanas sentadas nos bancos a conversar e os miúdos a andar de bicicleta. Acho que em todo o jardim a única pessoa que tinha máscara era a senhora no banco à direita.
Passei a andar com um caderno A5 para pequenos apontamentos e poder estar tranquila independentemente do tempo que espere para entrar em algum lugar.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Covidário V


Covidário IV


Covidário III


Covidário II


Covidário I


Reencontro de familiares


Da minha varanda, observo aos fins-de-semana o reencontro das famílias nas casas vizinhas. Normalmente chegam de carro, estacionam ao pé e ficam em frente da casa a conversarem com pais ou avós. Nestes desenhos captei 2 casais novos na conversa à distância. Não há beijos e abraços, mas matam-se saudades ao vivo e a cores. 
É bom assistir ao contentamento de todos, dentro do que é possível actualmente.


terça-feira, 19 de maio de 2020

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Finalmente!! a desenhar cá fora!!

Não sou de caminhadas. Poucas tenho feito nesta época de confinamento. A minha higienização mental faço-a com desenho.
No entanto, desta vez acedi a acompanhar a família, consciente de que o corpo exige mexer-se e o desconfinamento passa também por isto. Mas, para me motivar, levei o bloco, uma caneta, pincel de água e aguarelas.

Ao fim de 4 km parámos junto ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Rocha, em Queijas - erigido no local onde, em 1822, descobriram uma imagem da Virgem numa gruta. Também foi o ponto de encontro escolhido por 3 famílias  para se reverem pós-confinamento, à volta de uma "jolas" e gelados para as crianças.

Depois foram outros 4 km de regresso, satisfeito por, enfim, fazer um desenho no exterior passados 2 meses.




tapeçaria «luminescente»

Fui - munida de máscara - espreitar o campo de São Francisco levando comigo poucos utensílios de desenho e um caderno relativamente pequeno.



Encostei-me num canto do «altar» que foi espontaneamente tecido pelas pessoas ao longo destes dias. São velas, são flores, são promessas e votos de esperança que cobrem o adro da igreja formando uma tapeçaria «luminescente» com aroma, cores e textura da festa do Senhor Santo Cristo dos Milagres. Esta manifestação -popular- deixa um cunho de forte identidade e serena resiliência sendo incrivelmente genuína.

sábado, 16 de maio de 2020

Contrastes



Nesta altura todos compreendemos que nos é pedido um esforço global que destoa com tudo o que tenhamos, até aqui, vivido. A atualidade remete-nos para o isolamento e para a interioridade como se não fossemos animais reflexivos ou instrospetivos. Somos pessoas, somos mamiferos e é da nossa natureza manifestarmo-nos nem que seja em silêncio. Contrastando com os anos anteriores, o dia de hoje no Campo de São Francisco encharca-se de solidão, deixando apenas no silêncio o mote da partilha. Enquanto os carros vão passando lentamente ao redor da praça algumas pessoas aparecem como «salpicos» de cor numa tela por pintar, estabelecendo entre si uma cumplicidade comovente, muitas depositam as suas preces, flores ou velas à porta da Igreja com sentir de Esperança e afastam-se sabiamente.


O pequeno foi cortar a juba


Consegui marcação no cabeleireiro, para o final do dia, onde costumo ir. Desta vez era só o pequeno que já parecia o Chewbacca do Star Wars. Manteve-se calmo e aceitou a máscara na cara. Era uma de adulto e tive de dar a volta aos elásticos. 
Foi rápido e aproveitei para desenhar a uma boa distância da cabeleireira. Quando ela colocou a viseira já me parecia que ia ver o trabalho de um soldador. Correu bem. Um pouco mais difícil para cortar atrás das orelhas.
Ele ficou todo satisfeito com o corte e o gel no fim. Elas começaram a limpeza e desinfecção final do espaço. A nova realidade.
Acho que nos habituamos às máscaras, mas não sei como vai ser com o calor do verão. Fiquem bem!

quinta-feira, 14 de maio de 2020


Reaprendendo a vadiar, fui até Sintra. Senti um choque, pois não encontrei quase ninguém (talvez uma dúzia de pessoas)!!?? Tudo encerrado, pude desenhar sem ser atropelado por turistas ou alunos do secundário com os respectivos profs. a debitar sobre os Maias!!! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra!  

terça-feira, 12 de maio de 2020

Um pequeno/ grande percurso no (des)confinamento


Sabe bem poder passear novamente sem aquela sensação de entrar na clandestinidade quando se pára para desenhar…

P.S. desenho no local e pintura feita em casa.

sexta-feira, 8 de maio de 2020

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Regresso ao meu querido cabeleireiro

Neste período de desconfinamento progressivo, no qual esperamos não ter de dar nenhum passo atrás....deixo às sketchers um sinal de confiança para que não esqueçam os seus cabeleireiros que tanto precisam delas!
O que eu nunca tinha pensado, pois nunca esperei que me acontecesse, era a falta que eles nos fariam numa quarentena prolongada...

Deixo aqui o meu testemunho do passado dia 5 de Maio. O desenho foi feito com base numa foto gentilmente permitida pois, por medida de segurança, no meu querido cabeleireiro não havia compassos de espera no atendimento que permitissem pegar num caderno e numa caneta.

Confesso que saí de lá com a minha moral em alta :-)




quarta-feira, 6 de maio de 2020

Uma rua a desconfinar-se


Pela primeira vez em quase dois meses, voltei a percorrer as ruas da baixa do Porto. No metro havia muito pouca gente, bem menos do que esperaria encontrar, e em boa parte das ruas o cenário era o mesmo, com mais estabelecimentos (re)abertos do que pessoas a passar. Em Cedofeita dei de caras com uma visão invulgarmente ampla de toda a rua, facilitada pela ausência de obstáculos visuais como esplanadas, guarda-sóis, veículos e toda a massa humana que habitualmente andaria por ali. Uma oportunidade de desenho que a chuva não permitiu aproveitar pelo que segui caminho calmamente, porque este era também um percurso de reencontros.
Com o tempo a abrir, só em Santa Catarina, a mais comercial e habitualmente a mais movimentada das ruas, pude registar no caderno a minha primeira impressão destes dias de desconfinamento Portuense. Poucos transeuntes, alguns proprietários de lojas a falar uns com os outros e, mais lá para o fundo, no troço habitualmente mais animado, um número apenas ligeiramente maior de pontinhos em movimento.
Mesmo sem os turistas, vendedores, artesãos, pedintes, os músicos já com lugar cativo e outros dos habituais actores desta e demais artérias, a sensação de voltar à rua foi incomparável. Depois de tanto  confinamento, uma cidade a meio gás  - ou talvez um quarto de gás - quase nos parece uma cidade em festa.