Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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quarta-feira, 18 de março de 2015

Desenhar nas estilas

Encontramo-nos de novo, serra acima, para desenhar nas destilarias de medronho, as "estilas" no falar serrano de Monchique.
A noite avança, a aguardente pinga... 





 Terminada uma caldeirada, a borra é retirada com o grande cácero de cobre, e o alambique é limpo para receber a nova porção de massa de medronho.


De novo a cabeça é colocada, vedada com borra amassada ou com argila. O lume bem alimentado. Recomeça um novo ciclo de 4 horas...


O alambique mergulha o seu longo "nariz" na tina de arrefecimento que provocará a condensação.
Perto, a bomba (densímetro) e o canudo usados para controlar a graduação.



Petisca-se, canta-se, joga-se às cartas. Na Quinta da Brejeira a noite é longa...


No Monte da Lameira, a poucos quilómetros, outro cácero de cobre brilhante descansa entre duas caldeiradas.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Passeio micológico

No passado dia 2 de Novembro de 2014, fomos a Courelas do Monte a convite do Luis Ançã e dos Urban Sketchers a um passeio mitológico desenhar cogumelos. Foi um dia memorável cheio de bons momentos e muita informação interessante sobre os cogumelos.

     





sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Na visita ao Vale da Paz, em Monchique 
















Num dia da apanha do medonho na Quinta do Brejo como a chuva também se fez convidada, não foi possível apanhar os referidos medronhos. Assim aproveitou-se o tempo para desfolhar o milho.o resto do tempo depois de almoço, os homens jogaram às cartas e as senhoras deram dois dedos de conversa…


















Desenhar Amanitas

Ontem. Final de um dia de campo, no Outono.

Chegamos a casa com alguns amanitas (o bonito e raro amanita caesarea).
 
O Carlos desenha-os, antes de os preparar num belo carpaccio, pois este cogumelo pode comer-se cru.
 
 
A minha caneta também não resistiu à cena...
 
QUEM QUER VIR A MONCHIQUE NO TEMPO DELES?












quarta-feira, 20 de março de 2013

Desenhar nas "Estilas", Serra de Monchique


Passamos grande parte do ano em Monchique (Carlos Abafa e Ana Rosário Nunes) o que nos tem permitido assistir a toda a vivência da produção artesanal de aguardente de medronho. Este é um dos locais onde funciona uma destilaria, na gíria local "estila".

Este ano partilhámos essa experiência com outros desenhadores. "Desenhar nas estilas" aconteceu no fim-de-semana de 9 e 10 de Março. Entre outros amigos, foi um prazer partilhar olhares, petiscos e traços com Luís Ançã e Pedro Cabral. Esta é a primeira publicação que fazemos nos USk com o que registámos desse dia. (Carlos Abafa caderno de argolas, Ana Rosário Nunes caderno cosido).



Tradicionalmente uma "estila" tinha sempre momentos de convívio. Destilar era um processo moroso e solitário, dado que se fazia em contínuo, noite e dia, mantendo sempre o lume aceso na fornalha. Assim, ir fazer um pouco de companhia a quem estava a destilar era uma questão de solidariedade…



E um petisco era sempre bem-vindo! Como estes enchidos tradicionais de Monchique: os "molhos" (recheados de arroz) e a "morcela de farinha" (nada tendo a ver com a farinheira, esta é muito escura, usa farinha de milho e é feita em sacos de pano).



Os novos contentores de plástico azul convivem com as velhas dornas. Em ambas o medronho colhido no Outono fermentou durante vários meses, formando a "massa" que irá agora ser destilada.



Entre bidons de medronho em fim de fermentação, o Pedro Cabral aninha-se a desenhar. Ao fundo brilha o cobre do enorme "cácero" que, de oito em oito horas, servirá para encher de novo o alambique com "massa" fermentada.




Na destilaria da Pedra Branca, na manhã fria e chuvosa, o calor da fornalha aquece a massa, enquanto o Luís Ançã desenha. A "cabeça" do alambique, como um estranho pássaro de cobre, mergulha o seu bico no tanque de água fria, arrefecendo o metal nessa travessia e provocando, assim, a condensação dos vapores. Do outro lado do tanque, com a lentidão dos processos ancestrais, escorre a aguardente cristalina.




Numa prateleira junto à bica de saída da aguardente, os instrumentos de aferição aguardam. Um pouco de aguardente será recolhida num copo feito com um troço de cana e nele será introduzido o "termómetro" para medir a graduação.



Na destilaria do Monte da Lameira assistimos ao ritual do fim e início de uma nova "caldeirada". É o momento em que melhor se entende o funcionamento do alambique. Enquanto no outro extremo da adega o enorme "cácero" recolhe do fundo da dorna a massa de medronho fermentado que irá encher a caldeira, a "cabeça" repousa invertida antes de ser cuidadosamente reposicionada e calafetada. A caldeira — o ventre esférico do alambique — também ela de cobre, pode agora ser observada por dentro durante as operações de limpeza que a preparam para receber nova "massa".



De novo a espera, com um controle discreto mas eficaz do destilador. O manso pingar da aguardente, com um fascínio semelhante ao do crepitar do fogo…