Depois de horas na estrada, demos com uma bela cidade, que a Unesco diz ser Património da Humanidade. As casas de madeira são autênticas relíquias de carpintaria, talhadas para ser confortáveis como casas de bonecas e resistentes aos invernos mais inclementes. As duas ruas principais pareceram-nos vazias, o comércio todo fechado pelas férias da Páscoa. Mas o café da praça central estava aberto e serviu-nos expressos de todos os tamanhos e feitios. E à frente da Igreja estavam os vizinhos a enfeitar os arbustos com ovos da Páscoa. Durante a meia-hora que estive neste lugar, fiquei com a sensação de que aqui, a vida corre lentamente. Quando me sentei para desenhar os históricos Paços do Concelho, comecei a sentir os flocos de neve na cabeça, que começaram a cari lentamente. Mas a bebida quente que acabara de tomar deu-me alento para acabar o desenho.
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Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.
John Ruskin, intelectual inglês do século XIX
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quinta-feira, 18 de maio de 2017
Finlândia X - Rauma
Depois de horas na estrada, demos com uma bela cidade, que a Unesco diz ser Património da Humanidade. As casas de madeira são autênticas relíquias de carpintaria, talhadas para ser confortáveis como casas de bonecas e resistentes aos invernos mais inclementes. As duas ruas principais pareceram-nos vazias, o comércio todo fechado pelas férias da Páscoa. Mas o café da praça central estava aberto e serviu-nos expressos de todos os tamanhos e feitios. E à frente da Igreja estavam os vizinhos a enfeitar os arbustos com ovos da Páscoa. Durante a meia-hora que estive neste lugar, fiquei com a sensação de que aqui, a vida corre lentamente. Quando me sentei para desenhar os históricos Paços do Concelho, comecei a sentir os flocos de neve na cabeça, que começaram a cari lentamente. Mas a bebida quente que acabara de tomar deu-me alento para acabar o desenho.
quarta-feira, 17 de maio de 2017
terça-feira, 16 de maio de 2017
Finlândia VII - igrejas de Helsínquia
Há um certo ambiente familiar e, ao mesmo tempo, cosmopolita, na cidade de Helsínquia. Por um lado, as ruas são silenciosas, com gente a esperar ordeiramente na passadeira pelo semáforo verde, mesmo quando não há carros. O sentimento de segurança quase persegue, num país onde virtualmente não há pobreza nem crime, e de onde dificilmente sairão manchetes de jornais. Porém, estes antípodas da Europa começam a ser descobertos pelo turismo, tal como na ocidental praia lusitana. Os turistas japoneses e coreanos enchem os aviões e os principais monumentos, parecem ter encontrado pontos de afinidade cultural, seja na arquitectura de madeira, no minimalismo hedonista, nas bebidas quentes e até mesmo na sauna. Ver para crer.
E por falar em fé, ia rezar no Domingo de Páscoa, quando encontrei a sé católica cheia de turistas coreanos. A multidão enchia meio adro e as paredes da igreja claramente ficavam aquém da afluência dos crentes.
Tive de recorrer às igrejas protestantes. Duas delas são bastante singulares e merecem uma visita demorada e meditativa. A capela do Silêncio (Kampin kappeli) fica numa das mais movimentadas praças da cidade, onde as pessoas correm para apanhar os autocarros. Mas lá dentro, a leveza da clarabóia e o peso dos sedimentos de madeira que ali gravita, faz-nos submergir literalmente no silêncio e na introspecção.
Mas o templo que mais me marcou talvez tenha sido a Igreja na Rocha, ou Temppeliaukio kirkko. Está num bairro pacato, arrumado a régua e esquadro, até que se chega a um inesperado cabeço de granito, que os prédios teimam em não cobrir. Afinal, o monte é a igreja, toda ela escavada na rocha. Só a cúpula a denuncia. E lá dentro, só a paz reveste a nudez do granito. Vale realmente a pena.
segunda-feira, 15 de maio de 2017
Finlândia VI
Deixo esta imagem sem título: aqui o mar já não é rio, nem o rio é mar. E o Báltico, esse mar-lago, espelha as margens que também são tranquilas. Na floresta, nem uma folha mexe. E a presença humana só se faz anunciar numa ou noutra chaminé, cujo fumo civilizado nem vejo, só cheiro. É lenha de bétula, parece, mas não tenho a certeza.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Finlândia IV - arredores de Helsínquia
Uma amiga levou-nos ao parque natural de Porkkala. É um sítio que passaria despercebido, não fossem os olhos de quem vive em Helsínquia há 40 anos. Não é para menos: saímos da auto-estrada e a estrada vai estreitando, entre campos que ficam cada vez mais apertados pela grandeza da floresta. E no fim, a floresta, composta pela tríade bétula-abeto-pinheiro nórdico, ganha uma nova exuberância, com árvores cada vez mais frondosas.

Já a pé, descobrimos o trilho que nos leva a uma torre de vigia, impecavelmente talhada em madeira. O Markku emprestou-nos os binóculos para que avistássemos a Estónia do outro lado do mar e das ilhas. Assim foi: conseguimos distinguir uma torre de comunicações e as chaminés das refinarias além do horizonte.

Continuámos entre trilhos. É admirável o respeito que os locais sentem pela natureza: apesar das multidões que passeiam na floresta, a limpeza é incondicional. Apenas se vêm luvas solteiras, penduradas nos galhos das árvores, até ao reencontro do par. O almoço foi ao ar livre, apesar das temperaturas negativas, que nem sequer impediram o lume de aquecer a refeição.

Já a pé, descobrimos o trilho que nos leva a uma torre de vigia, impecavelmente talhada em madeira. O Markku emprestou-nos os binóculos para que avistássemos a Estónia do outro lado do mar e das ilhas. Assim foi: conseguimos distinguir uma torre de comunicações e as chaminés das refinarias além do horizonte.

Continuámos entre trilhos. É admirável o respeito que os locais sentem pela natureza: apesar das multidões que passeiam na floresta, a limpeza é incondicional. Apenas se vêm luvas solteiras, penduradas nos galhos das árvores, até ao reencontro do par. O almoço foi ao ar livre, apesar das temperaturas negativas, que nem sequer impediram o lume de aquecer a refeição.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Finlândia III - Suomenlinna
Se há sítio de Helsínquia que qualquer visitante deve conhecer, é a ilha de Suomenlinna. Trata-se de uma das mais poderosas fortalezas do Báltico. Foi sueca, foi russa, e está ali, numa ilha hoje serena, bem perto do centro da cidade. A viagem de barco até lá é como um desfile de ilhas e de arquipélagos, num mar-lago onde a terra e a água quase se confundem. E a cidade, à medida que nos afastamos mar adentro, vai revelando a sua skyline única, onde a catedral luterana rivaliza com a ortodoxa, numa cidade que se quis fazer à imagem de São Petersburgo.
De repente, o barco deixa-nos numa ilha bucólica, com casas de madeira e gansos a esgravatar a terra húmida da neve recente. Lembra a ilha de Kristiania, na Dinamarca, mas aqui a paz é absoluta. A fortaleza, estilo vauban do século XVIII, é tão grande que jamais imaginei possível nesta latitude inóspita.
São talvez os seus 60ºN que justificam a classificação da UNESCO. E quase justificam, por si só, a ida aos antípodas da Europa.
terça-feira, 25 de abril de 2017
Finlândia II - logradouros de Helsínquia
Na chegada à cidade, deixámos as malas no quarto do hotel. Como o frio apertava, achei por bem desenhar no interior, espreitando a janela das escadas. Lá atrás estão as bicicletas arrumadas, uma mini-sauna e ainda o compartimento da reciclagem, onde os vizinhos separam o lixo em, pelo menos, meia dúzia de caixotes diferentes.
domingo, 23 de abril de 2017
Finlândia I
Partilho convosco uma série de desenhos que trago da última viagem. Foi um passeio de cinco dias, nos antípodas da Europa, onde fui visitar a irmã, que está de Erasmus. Da Finlândia pouco sabia: conheço amigos de lá, sei que é um país famoso pelos lagos, pelo Pai Natal que povoa a Lapónia, a par de algumas celebridades mais reais, como o compositor Sibellius, que partiu há mais de 60 anos, e dos telemóveis Nokia, onde já me diverti a jogar snake.
Neste momento, o avião de Paris pousa sobre o ar prateado que envolve o Báltico. É um Embraer 190, fabrico brasileiro, de grande conforto e suavidade. Mais à frente, as hospedeiras não têm mãos a medir com os pedidos da classe executiva de 8 lugares. Pressinto que a viagem irá surpreender, já que, para chegar ao extremo oposto da Europa, muito terá de mudar.
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