Durante um tempo andei a passear uma "esfera" reflectiva comigo (na verdade a base de um piaçaba), a tentar perceber como as reflexões se relacionavam com a perspectiva esférica. Não eram a mesma coisa, isso percebia bem, mas porquê?
Fiz este rabisco durante um seminário, para perceber o que acontecia aos pontos de fuga das canetas e das mesas...
À porta da Universidade Aberta (onde trabalho) fiz este outro, parcialmente por observação directa da mesma esfera, parcialmente pensado enquanto perspectiva, que depois pintei em casa digitalmente. Os transeuntes estavam muito interessados no maluquinho parado no meio da rua a olhar para uma bola de cristal.
Qual é a diferença afinal, entre a perspectiva esférica e a reflexão?
Há várias. A maior diferença é esta: Se uma coisa está em frente (esconde) a outra em perspectiva (esférica ou clássica), não está necessariamente em frente a ela em reflexão esférica. É possível, numa reflexão, ver objectos que estão escondidos a olho nu (por outro lado, outros que não se escondiam passam a fazê-lo).
A segunda maior diferença é esta: as perspectivas esféricas têm fama de ser dificeis de desenhar, e as reflexões têm fama de ser fáceis. Isto só é verdade porque as reflexões são desenhadas por observação directa numa superfície espelhada. Sem essa ajuda, o contrário é verdadeiro: fazer perspectivas esféricas é relativamente fácil com régua e compasso e um pouco de geometria descritiva. Fazer reflexões é muitíssimo difícil. Mesmo para um computador. A única forma fácil de desenhar uma reflexão é mesmo por observação directa de uma superfície reflectiva.
E no entanto, a olho nú, a maioria das pessoas não conseguiria distinguir uma reflexão de uma perspectiva esférica. A magia está nos detalhes...