Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Cadernos de viagem em Abrantes #2


Passeando pela cidade antiga de Abrantes, poder-se-à encontrar um par de obras de arquitectura contemporânea. A recém-construida unidade de saúde foi projectada pelo colega de desenho local Pedro Costa - não sabia disso quando desenhei, por isso, foi uma surpresa para ambos quando ele folheou o meu caderno e encontrou o seu próprio trabalho riscado no papel. E ganhei um autógrafo!

Muito perto da unidade de saúde, o novo mercado municipal projectado pelos ARX Portugal, resolve a transição de cotas entre duas ruas que contornam o quarteirão, num lote relativamente estreito, enquanto contribui com um pouco de modernidade ao alçado da rua.


Já era tarde, quando dezenas de estudantes do politécnico local se juntaram numa das muitas praças do centro histórico, tocando guitarras e cantando, bebendo cerveja e festejando nos seus trajes negros. Cerveja e sol são excelentes desculpas para a minha chegada tardia à palestra do Javier de Blas sobre a sua estadia com os refugiados Sahauris em Tindouf, na Argélia. O trabalho dele - à semelhança do da Simo Capecchi com os habitantes de L'Aquila - é de investigação e intervenção. Ele regista e mostra-nos vidas comuns de pessoas comuns vivendo em condições incomuns. Nos seus desenhos e palavras, os pensamentos e sentimentos dos refugiados Sahauris tornam-se próximos dos nossos, e gradualmente, a camada dramática e política que outras visões nos inculcam desvanece-se. A visão de um desenhador é paciente, e nesse processo, a ira e a revolta dão lugar à empatia e à compreensão, que poderão ser maneiras mais eficazes de chegar às pessoas pela causa de outras pessoas.

10 comentários:

ana magalhães disse...

Tão bonitos estes desenhos!

Teresa Ruivo disse...

Mega-craque! :)

Pedro Alves disse...

Confessa, foste ao Photoshop e meteste aquelas layers mágicas eh eh Nah, estão optimos, as tuas arquitecturas estão bem melhores, aquela praça está do catatau ;)

Manuela Rosa disse...

Sou profunda admiradora dos desenhos e das tuas reflexões/ comentários.

Maria Celeste disse...

...gostei de ler e pensar no texto...
...os desenhos estão muito bons...

jeanne disse...

eu gosto é do primeiro.

cláudia mestre disse...

Gostei dos desenhos e do texto que escreveste!

Henrique Vogado disse...

Texto e desenhos em grande! É fantástico olhar para estes traços e na rapiz que são feitos. Incrível.

Marcelo de Deus disse...

Que bonito

Pedro Loureiro disse...

Muiti obrigado a todos! :)
Pedro: Chiu! Nada de desvendar os segredos ;) Mas é verdade que essas layers começam a aparecer sob a forma de aguarela aqui e ali.