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Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.
John Ruskin, intelectual inglês do século XIX
Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.
Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio
quinta-feira, 27 de março de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Só neste país (é que se diz só neste país)
Na sequência da petição para sensibilizar direcções de museus para a possibilidade de desnhar no interior dos mesmos, escrevi à Rita Caré (que me incentivou a partilhar aqui) o seguinte.
Corria o Verão de 2010 e eu andava a desenhar na zona do Castelo,
em Lisboa. No horizonte estava a publicação do livro da Quimera sobre
diários gráficos em Lisboa, e a mim tinha-me calhado em sortes o
percurso entre Benfica e o Castelo. Pensei que valeria a pena dar um
salto ao Museu do Teatro Romano, ali ao pé da Sé, numa piscadela de olho
ao período Romano de Lisboa. E lá fui.
Já tinha ido ao referido museu anteriormente, e sabia ao que ia. Entrei e fui direito a uma escultura de um tronco humano reclinado, e pus-me a desenhar. Passado pouco tempo, sou interpelado pela funcionária que estava à entrada do museu, perguntando-me o que estava a fazer. Eu disse que estava a desenhar e ela informou-me que não o podia fazer. Eu contra-argumentei, e pedi para falar com a directora. O diálogo seguinte tomou laivos de surrealidade, quando a funcionária regressa com um telefone na mão e a directora em linha. Informei a directora de que já tinha desenhado em muitos museus em vários países e nunca antes me fora vedado o acesso ao desenho. "Teve muita sorte", disse-me a directora, dizendo que eu necessitaria de uma autorização para desenhar ali. Perguntei-lhe se me a podia dar por telefone, mas não, não podia, tinha de ser por escrito. Fui-me embora. E o Museu do Teatro Romano, que poderia ser divulgado gratuitamente no livro da Quimera, ficou de fora do mesmo.
E assim foi. Já tive funcionários de museus trazerem-me cadeiras para desenhar (Alemanha e Nepal). Já tive inclusive uma equipa de televisão da filmar enquanto desenhava num museu (Croácia). Luzes acendidas para que melhor pudesse ver (Irlanda). Geralmente ficam-se pelos sorrisos. Desenhei em museus na Turquia, em Omã, na França, Nepal, Alemanha, Irlanda, Espanha, Croácia, Estados Unidos da América. E aqui vem a parte Luso-fatalista, mas que neste meu caso é a mais pura das verdades— só neste país (é que se diz só neste país, canta o Godinho) é que me foi vedada a possibilidade de desenhar num museu.
terça-feira, 25 de março de 2014
Os rapazes da revolução
Ao final da tarde passei pelo torreão poente do Terreiro do Paço, onde decorria a apresentação de um novo livro com o título "Os rapazes dos tanques" do jornalista Adelino Gomes e do fotógrafo Alfredo Cunha. Neste livro quiseram ir atrás dos jovens militares de 20 anos que estiveram presentes naquele dia em plena acção.
Quando cheguei assisti a um desses "jovens", o antigo cabo Alves Costa a dar uma entrevista à equipa da RTP. Este antigo cabo nunca mais tinha voltado a Lisboa desde esse dia de 1974 e foi um mistério para o descobrir. O papel dele foi muito relevante no frente-a-frente entre as forças revolucionárias e as forças leais ao governo nessa manhã. Achei muito interessante a entrevista dele ao Público. Um "rapaz" inocente que ficou de frente para uma situação terrível e decidiu bem.
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