A cidade tem coisas assim. Sobe-se a um sótão ou a um terraço e olha-se em redor. E os olhos dão-nos visões que queremos reproduzir depressa, como se fosse uma corrida entre o pincel e o olhar. Por um lado apetece apenas olhar e gravar a imagem na memória, mas por outro vem aquela tensão de querer pintar e riscar tudo no diário.
Vemos o convento de São Vicente e a cúpula do Panteão Nacional, quase como se fosse tudo o mesmo edifício. E vai cor, pinceladas e traços. E saltam-se pormenores porque a posição já faz doer o corpo. Mas o encanto anestesia a dor e aguenta-se. Porque Lisboa tem muitos recantos assim onde é impossível não os desenhar.

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