Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Chicago - dias 2 e 4

O melhor dos Simpósios são as pessoas, não os desenhos. Já o disse pelo menos um par de vezes, e vou voltar a dizer. Também já disse que desenhei (muito) pouco em Chicago, e as razões para essa secura. Mas existem situações que são impossíveis de não desenhar, talvez porque sejam essas que quero eternizar no caderno para me lembrar com quem estava e a felicidade efémera mas marcante que o momento nos trazia.

Este foi o único par de desenhos que fiz, ao jantar ou pelo meio de um copo de vinho no Riverwalk. Mesmo sem muita vontade, obriguei-me a destapar a tampa preta da caneta BIC e a avançar aparentemente destemido. Com desenhos que, uma semana e tal depois, reparo que revelam um misto de ansiedade e nervoso miudinho à responsabilidade de instrutor que de forma tonta e aventureira me sujeitei.

Na terça feira, fomos jantar a restaurante de pizzas com massa tão alta que mais pareciam pequenos vasos. E umas cervejas de meio litro com sabor a laranja e uma rodela argolada no copo. Tudo delicioso, ainda assim incomparável à companhia. A Rita Catita, a super companheira nesta semana na América, ficou de fora deste desenho, sorte a dela, que iria aparecer assim deformada e com ar de ruim. E fico sempre espantado com a habilidade e leveza com que os óculos de costura do Zé Louro se seguram na ponta do nariz, por entre tiradas de mestre e sabedoria.


Este desenho foi feito na quinta feira, enquanto bebia um copo de vinho tinto ao balcão de um bar no Riverwalk, já passava das oito da noite. O João, que vestia vaidoso uma t-shirt preta dos "Xutos e Pontapés on tour", estava a começar um desenho tão estranho, que começou com um borrão de tinta preta. No final da noite mostrou o desenho terminado e ia trincando a língua de espanto. Uff, quase cinco anos depois de ter conhecido o João, ainda fico espantado com aquilo que ele consegue fazer, ao mesmo tempo que se desconcerta a rir de coisas vagas e nos diverte de graça.
A Rita neste dia estava tão gira, tinha uns brincos que pareciam uns reposteiros...


Saímos dali e fomos jantar com a Genine, o Andy, a Fernanda e o Luís Araújo. Comemos uns supostos hambúrgueres famosos,  mas que não eram grande coisa. Uma hora e tal depois apareceram o João e a Rita, que ficaram no Riverwalk até aquilo fechar. Acelerados, esfomeados e rabugentos, para animar o nosso serão. Desenhei apenas o par de cervejas que bebi, num dia longo e difícil, já não conseguia desenhar mais gente alguma no meu caderno. Pedi à Genine para desenhar a toalha de mesa por mim, que me apetecia levar um bocadinho de todos para casa...



(ainda) continua...

9 comentários:

Bruno Vieira disse...

Tudo tão bom.

João Catarino disse...

Grande reportagem grandes desenhos que atiçam a saudade!

Pedro Alves disse...

No meio de tanta alegria, desenhos e de convivio, que treta não teres uma cerveja tuga para beber bem como um cafezinho cá dos nossos ;)

Rita Catita Afonso disse...

O melhor foi quanto o JC apenas tinha um borrão preto no caderno, a base para aquele admirável nocturno, alguém passou e disse "WoW amazing". E era só um borrão preto, mas era do JC.
Que maldade Nelson, estes relatos e desenhos tão bons. Assim estou sempre a voltar a Chicago...

Alexandra Baptista disse...

Parece ter sido excelente, gosto da reportagem, mt bom.

Rosário disse...

Grande reportagem!

Isa Silva disse...

Grandes memórias que fizeram :-)

José Louro disse...

Mestre és tu!

André Duarte Baptista disse...

Qexcelente, texto e desenho. Parabéns