Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Da floresta portuguesa e da natureza domesticada

 A artificialidade cansa-me (e às vezes desgosta-me até) e por isso refugio-me em locais onde ainda há vestígios da natureza ibérica mais autêntica.

Ramo de castanheiro com ouriços

Aqui perto da cidade onde vivo encontro um desses refúgios - a Quinta Nova de Queluz. Tem uma diversidade apreciável de espécies vegetais, incluindo muitos sobreiros e medronheiros, os maiores pilriteiros que já vi, um par de carvalhos-alvarinhos e um castanheiro, que depois de ter secado no tronco e nos grandes ramos, rebentou cheio de força: nas varas que brotaram da terra agora exibe ouriços a amadurecer. Gostava que a "gestão" florestal deste espaço fosse mais eficaz a defender as nossas árvores, mas infelizmente as intervenções de "limpeza" acabaram por favorecer a invasão por acácias e por isso uma das áreas mais bonitas e selvagens da quinta transformou-se radicalmente nos últimos quatro anos.

Bagas de pilriteiro


Depois, na semana passada estive a explorar a Tapada de Mafra durante dois dias e o javali foi o tema a que consegui dar mais atenção. Na parede da sala do pequeno-almoço uma grande cabeça espreitava-nos. Visto de lado podia parecer-nos um animal feroz, mas olhando-o nos olhos postiços, podíamos adivinhar que afinal talvez fosse só um porquinho peludo e brincalhão.



Javali caçado na Tapada de Mafra

Lá fora, percorremos a ribeira, que se manterá seca enquanto for verão, e no areão do leito encontrámos uma coleção de ossos de gamo e uma mandíbula de javali. Um tesouro cuja primeira peça foi encontrada pelo meu filho de quatro anos. E tudo o que precisámos de fazer foi caminhar ribeira acima em vez de seguir pela estrada.


Crâneo de javali encontrado no Pulo do Lobo (Mértola)


Às vezes basta mudarmos o nosso ponto de vista para encontrarmos qualquer coisa maravilhosa, que nos escaparia se nos mantivéssemos a olhar o mundo a partir do sítio do costume. :)

Finalmente, esta semana, chegou uma pequena cadelinha a casa dos avós. Exausta com a transição para a sua nova morada, fez a primeira soneca e aproveitei a oportunidade para ajudar a povoar de sangue quente o meu caderno habitualmente repleto de vegetação. Apresento-vos a Irina.


Irina recém-chegada


Se acham que, para variar, gostariam de ser sketchers sem urban, por três dias vou estar em retiro de field sketching e tenho vagas para quem queira alinhar, a 4, 5 e 6 de Agosto em Tramagal. Vamos começar no meio de vinhas domesticadas, depois percorrer uma ribeira selvagem e finalmente olhar o Tejo a partir de Tramagal (Abrantes) no lugar onde natureza e civilização se encontram.

Para mais informações podem espreitar:
http://velhadaldeia.blogspot.pt/2017/07/retiro-de-desenho-e-aguarela-2017-45-e.html
https://www.facebook.com/events/2002123253407210/


Chão da Ribeira, Madeira