Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Encontro em Silves


No dia 18 de Abril foi o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. Era dia de agenda preenchida nos Urban Sketchers Portugal. Como ia em trabalho ao Algarve, aproveitei a oportunidade de passar um dia em Silves para a conhecer na perspectiva do desenhador.


Cheguei ao princípio da tarde, mas já se desenhava desde a manhã, principalmente à volta da ponte sobre o Arade e na encosta sul do burgo histórico de Silves, entre o rio e o castelo. Um par de dançarinos e um fotógrafo apareceram na praça das portas da vila para uma sessão fotográfica e foi uma variação gira de tema de desenho.


A característica mais visível dos monumentos e das fortificações da cidade é a pedra vermelha de que está revestida. As pedras das muralhas e do castelo cobrem um núcleo de taipa que torna as muralhas de Silves um caso de estudo de durabilidade da construção de terra crua. Fica à interpretação dos historiadores se as muralhas eram históricamente caiadas ou não, mas o contraste cromático entre a pedra vermelha e a cal branca das casas constrói a atmosfera de Silves.


A cidade tem o seu próprio Museu Arqueológico, expondo peças que vem desde o paleolítico, passando pela ocupação Romana e a Ibéria Islâmica, a reconquista Cristã, culminando em algumas peças de cerâmica do séc. XVI e XVII. Então, a cidade já tinha perdido a sua importância como centro estratégico no sudoeste da Península, em parte porque o caudal do Arade já não permitia a navegação e porque a reconquista já tinha acabado e o país estava virado para o mar.


Nenhum encontro de Urban Sketchers fica completo sem alegre patuscada, comezaina e bate-papo. Fiquei encantado de conhecer tanta gente nova (que ainda só conhecia do blog), bem como de rever algumas caras já conhecidas.


O resto da noite foi passado no Museu Arqueológico, assistindo a cinco comunicações de desenhadores batidos, as suas histórias e as suas viagens.



(publicado também em http://pedromacloureiro.com/)

16 comentários:

hfm disse...

Gostei tanto!

Suzana disse...

Ena tão bom, adorei a reportagem!! :) Os efeitos de fundo dão um aspeto gráfico muito giro, usaste máscara?

Fátima Santos disse...

fico babada, Pedro!

Teresa Ruivo disse...

Gosto obviamente de todos, mas o segundo desenho, da sessão fotográfica, tem algo muito especial...

Rosário disse...

Que bons desenhos!

João Santos disse...

Tanta vida nestas páginas!

Pedro Loureiro disse...

Obrigado a todos!

Suzana: Sim, usei máscara nos dançarinos e nas cabeças de pedra do museu. Como me tinha esquecido das aguarelas em Lisboa, acabei por fazer tudo em casa, mais tarde. Comprei a máscara há pouco tempo para um trabalho e aproveito para praticar no caderno. O background é um vaporizador da Multiópticas de limpar os óculos, com água e aguarela de tubo diluida.

Vicente disse...

Os dançarinos estão geniais mas eu também não saí mal do retrato.l

Miú disse...

Gosto tanto dos dançarinos! Ei, parece que não sou a única!...:)

nelson paciencia disse...

Valha-te Deus home, que isto é um abuso!

Suzana disse...

Ah tenho um desses vaporizadores par iniciar umas experiências :)

Ana Jacome disse...

Fantástica reportagem para quem não foi...muitos parabens...o 1ºlugar vai para os dançarinos!

Mário Linhares disse...

Grande post Pedro! É isto um verdadeiro post uskp!!!

Cesar disse...

Parabéns, Pedro, estão fantásticos!

Manuela Rosa disse...

Que maravilha... Já está tudo dito!
Os oradores de sábado à noite, que página bestial! Já nem me atrevo a colocar os meus...

Pedro Loureiro disse...

Obrigados redobrados :)

Manuela: Então! Venham eles!
Suzana: Tenho também um da Derwent que tem um borrifar mais grosso. O da Multiópticas deixa uma mancha mais suave (e é mais barato). Já agora, deixo um conselho: tapa a boca e o nariz com um pano. Fiquei à rasca da garganta durante o dia todo :S