No dia 21 de Abril, o Banco de Portugal, junto com o GECoRPA - Grémio do Património e o ICOMOS - Concelho Internacional de Monumentos e Sítios, organizaram uma conferência de um dia inteiro sobre o futuro da Baixa Pombalina como potencial Património Mundial da UNESCO. O processo de candidatura parece estar emperrado nos meandros das manobras politicas e parece que ninguém tem uma imagem completa daquilo que de facto se passa. A missão da conferência era colocar toda a informação em evidência e em perspectiva para todos os envolvidos directa ou indirectamente no processo, desde o decisor ao cidadão. Os contributores para o debate foram desde engenheiros e arquitectos, mostrando estudos e casos de sucesso de projectos de reabilitação levados avante, até representantes da arena política e historiadores e intelectuais com algum grau de conhecimento sobre o assunto em foco.
O valor nuclear da Baixa Pombalina é que é um marco histórico no urbanismo mundial. Foi um plano urbano exemplar no sentido mais alargado da expressão. Resolveu o problema imediato do alojamento de incontáveis vítimas do terramoto de 1755; trouxe o centro de Lisboa para o clube das cidades com desenho urbano mais sofisticado, com um projecto global de arquitectura pré-fabricada resistente a sísmos; estableceu os termos em que Lisboa se expandiu durante os séculos vindouros; e foi planeado com o apoio de uma engenharia financeira e política que o permitiu ser implementado e mantido durante muito tempo.
Enquanto que o objectivo final - a candidatura da Baixa Pombalina a património da UNESCO - permanece distante e enublada e nas mãos de demasiadas variáveis políticas e económicas, os ganhos a que se propunha a conferência foram a compreensão mais ampla da complexidade do problema por todos os que estavam presentes. Por lá, estavam, ao lado de profissionais e burocratas, muitos estudantes. É possível que alguns deles venham a encontrar-se no futuro em posições que os obriguem a decidir sobre este assunto.
Ainda houve tempo, a seguir ao almoço, para uma visita guiada rápida ao futuro Museu do Dinheiro. Parece um projecto bem enquadrado, se pensarmos que o edifício pertence ao Banco de Portugal. E se pensarmos, já agora, que o edifício é uma antiga igreja no coração da Baixa Pombalina? Há aí alguém das teorias da conspiração?
(Também publicado em http://pedromacloureiro.com/)
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Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.
John Ruskin, intelectual inglês do século XIX
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8 comentários:
Bela reportagem Pedro. E gostava de ter lá estado a assistir.
Estás um excelente repórter, muito interessante :)
Muito bom!
Estes diários gráficos são autênticos dicionários de lugares, coisas e experiências. Muito, muito interessante!
Como é possível caberem tantas coisas neste caderno?!
Que síntese fantástica!
...o que se aprende contigo...
...bela reportagem...
Obrigado a todos! É uma maneira diferente de assistir a uma conferência, mas costumo esforçar-me por fazer assim, em jeito de escrivão-desenhador
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