Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Auto-retrato: O senhor desafio


O autorretrato é desde logo um senhor desafio mas nós, os urbansketchers, adoramos ser desafiados (para desenhar claro). Esta temática levou-me a pensar sobre o que é um autorretrato. O nosso diário gráfico, sendo biográfico, é em si mesmo um retrato da forma como olhamos o mundo. Quem o folheia, passa a conhecer um pouco de nós. Mas o autorretrato é acima de tudo uma reflexão sobre nós, que fazemos de forma consciente. Partindo desse princípio, comecei por desenhar o meu olho. São os olhos que nos permitem olhar para o que nos rodeia. Também me lembrei de uma frase que a Inês me disse em tempos: “Desenhas bem porque vez mal”. Achei muita piada a esta contradição de palavras. Aparentemente não ver demasiados pormenores, ajuda-me a selecionar apenas alguns e isso acaba por ser uma mais-valia. Depois desenhei a minha mão esquerda porque quando era mais novo desejava ser canhoto. Este desejo surgiu por ter conhecido alguns bons desenhadores canhotos. Naquela altura achava que eles desenhavam bem porque eram canhotos. Por brincadeira, desenhei com a minha mão esquerda, bem no centro do caderno, a minha orquídea. Depois desenhei a caneta com que habitualmente desenho. Uma caneta de 0,1 mm. Adoro desenhar com canetas finas. Ainda sobrou espaço para desenhar os edifícios e os seus telhados e claro, as árvores. As árvores foram desenhadas com caneta pincel porque sou uma pessoa de contrastes. Passar do 0,1 para o pincel deixa-me bem desperto. Como dou muita importância à linha a cor fica muitas vezes colocada de parte. Mas desta vez assumi outra das minhas caraterísticas. Gosto de arriscar tudo, mesmo que isso signifique destruir o desenho já feito. Mas que importa isso. Estou a viajar. Estou a experimentar. Continuo a preferir os lápis de cor e as canetas Pitt artist pen porque faço a mistura de cores diretamente no papel. O desenho ficou uma grande confusão mas no fundo sou tudo isto.

17 comentários:

Pedro Alves disse...

Leia-se: Reservado para a capa de Julho! Que bomba de página!

Rita disse...

Fabuloso António! :)

Ana disse...


Magnifico! Amanhã irei à feira do livro dar-te os parabéns pessoalmente.

Manuela Rosa disse...

O que me deixa muito feliz, após a leitura do teu texto e da análise cuidada do teu desenho, é que correspondeste na íntegra ao desafio! Deixaste-nos conhecer-te ainda melhor e, a quem ainda não te conhece, a vontade de te procurar no próximo encontro!

Ana Crispim disse...

Está ganho!!!

Rosário disse...

O resultado é muito bom! Parabéns!

Maria Celeste disse...

...gosto muito...
...e é inspirador...

Pedro Loureiro disse...

Mai' nada! Parabéns António! Mais que um auto-retrato, é uma auto-reportagem-gráfica. E parabéns também pelos ímanes-receitas na Zest, que conheci durante a semana passada, por acaso, de passagem pela feira. É uma ideia espectacular!

Pedro Loureiro disse...

Comentar duas vezes conta como mais um voto? ;)

abnose disse...

muito bom!

Rodrigo Briote disse...

Muito bom o pormenor dos olhos

Rita disse...

Fantástico António! :)

Marilisa Mesquita disse...

Maravilhoso!!!

Luís Ançã disse...

Conseguiste escrever um livro numa página. Boa, António.

DiasVanda disse...

gosto, gostooo, gostoooo!

Fernanda Lamelas disse...

Gosto muito!

Rosário disse...

Que bom auto-retrato!