As redondezas de Lisboa estão polvilhadas de subúrbios de formas, feitios e tamanhos diferentes. Desde tapadas e florestas até dormitórios residenciais de alta densidade, desde bairros de barracas até árias industriais. Desde mansões e palacetes de frente marítima até vilas medievais absorvidas pela mancha urbana da Área Metropolitana de Lisboa. O Palácio de Queluz é um desses ímpares subúrbios. Um pequeno povoado vernáculo, acompanhado por um palácio real do século XVIII, uma versão reduzida dos grandes palácios contemporâneos europeus. Este binómio poder-povo surpreende-me sempre no urbanismo. A proximidade de casas populares e símbolos do poder cria espaços de confronto, onde a realidade acontece - como o largo em frente ao Palácio de S. Bento, palco de inúmeras manifestações anti-governamentais.

Depois, há o Magoito, uma aldeia à beira da praia, a norte de Sintra. Suficientemente próximo para se candidatar ao título de subúrbio de Lisboa, mas longe o suficiente para se sentir que se está a tirar umas férias da capital. As pessoas estavam envoltas num sfumato de pó e iodo, e o vento salgado ainda é o melhor Alka Seltzer. O sol escondia-se por detrás das nuvens, e quando isso acontece, é preciso ter cuidado com as queimaduras sorrateiras. As camadas de azul do céu e do mar fundiam-se no horizonte e só os body-boarders polvilhados no mar permitiam a distinção. A areia não estava amarela, mas branca e em tons de castanho-escuro, altos contrastes por causa do vento e das nuvens.
(http://pedromacloureiro.com/2014/07/the-odd-suburbs-of-lisboa/)


3 comentários:
Hoje levas um comentário fora da caixa:
"Vai-te lixar com estes desenhos..."
Abraço.
Os teus desenhos da malta são mesmo, mesmo TOP!
Hehehe! Obrigados caríssimos! Um abraço
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