Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Alto da Vela - entre a beleza e o suicídio



Cresci a admirar este espaço - miradouro Alto da Vela - Praia da Amoeira, entre Santa Cruz e Praia Azul.
Quem chega, por norte, ou sul depara-se com este cenário - o velho miradouro, composto por um muro que serve de guarda, um pequeno banco de alvenaria e no meio, comode uma escultura s e tratasse, temos o velho marco geodésico. À 1ª vista parece um espaço pobre, sem interesse, mas quem o conhece, sabe a sua riqueza - para lá do muro, o mar e uma linha de costa de uma beleza inigualável - a norte, as arribas de cor de fogo, a Praia Formosa, o Penedo do Guincho, a Torre, Santa Rita, e quando o clima ajuda - Peniche e as Berlengas. Para sul, o extenso areal da Praia Azul, a Foz do Sizandro, os campos verdes da Quinta da Areia. Para traz das costas, uma panorâmica fantástica de 360º sob o concelho de Torres Vedras, avistando-se o Varatojo e a Serra de Montejunto, mas no meio, abaixo do olhar, ainda temos o aeródromo de Santa Cruz e claro, a mais bela terra do mundo - a Boavista (declaração de interesses - onde cresci)
No entanto, ao longo das ultimas décadas este espaço tem-se tornado num fazedor de sentimentos antagónicos. Hoje o meu pensamento não foi para a beleza do espaço, mas sim para todos aqueles que ao longo de décadas, aqui têm encontrado forças para colocar termo à vida. O que leva as pessoas a deslocarem-se vários quilómetros, estacionarem os automóveis (alguns aqui, onde estacionei o meu para desenhar), saírem, caminharem até ao muro e daí se atirarem de uma altura de cerca de 90m. Porquê??? Coragem/cobardia; alegria/tristeza; saúde/doença; certezas/incertezas?? Não sei, o que eu sei é que aqui perdemos, ainda esta semana, uma pessoa muito querida por todos os torrienses, a Dona Maria do Carmo, que brindou-nos com o seu sorriso, ao longo de 40 anos atrás do balcão da "Brazileira de Torres Vedras"

4 comentários:

Pedro disse...

A perspectiva ascendente leva-nos a adivinhar o horizonte e a vista que fica para lá do promontório. E o tema ganha em ser tratado sem cores.

Maria Celeste disse...

...a morte de um sorriso...
...a angustia parece que fica associada ao local...
...e recordamos com o desenho...

hfm disse...

Gosto do desenho e a história daria para horas de conversa.

André Duarte Baptista disse...

obrigado aos 3. estou disponível para as horas de conversa, principalmente com uma companhia como a vossa :-)abraço