Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dia 3 - Desafios

Manhã passada com a Cathy Gatland e a Isabel Fiadeiro. Elas reservaram-nos um senhor desafio! Quem quer que costumasse desenhar à linha, passava à mancha; quem usasse mancha, que desenhasse à linha. Para mim era a mancha. Este desafio levou-me bem fora da minha zona de conforto!


Cada desenho (não estão cá todos) tornou-se um laboratório de incremento de técnicas. Com pontuais orientações da Cathy e da Isabel - "deixa as cores misturarem-se", "liga menos à cor e mais aos tons" - o progresso estava ao alcance. Sair da zona de conforto multiplica, de facto, o potencial de aprendizagem por dez!


Depois do almoço, a Simonetta Capecchi contou-nos outros desafios. O desafio que a população de L'Aquila enfrentou após o terrível terramoto que devastou a cidade. O desafio que ela e um grupo de sketchers tomaram em mãos quando decidiram entrar nas ruínas e registar o pós-terramoto, as vidas, as histórias das pessoas, com o único propósito de "espalhar as notícias". Conceito simples. Numa altura em que os meios de comunicação tradicionais parecem perder o significado ou o impacto, será que o urban sketching é um meio mais eficaz de fazer chegar a notícia ao destino? Uma maneira de contar a história de forma apelativa? Recordando a conferência da Simonetta, bem como o movimento 15M na Espanha, registado por vários sketchers indignados, allgo me faz crer que temos aqui algo importante. Desenha como se tivesses um propósito!


Ou, pode-se também animar o ambiente, entreter uma plateia, contando os feitos de um projecto de desenho em viagem, com uma mistura porreira de humor e um estilo de desenho eficaz, da forma como o António Jorge Gonçalves fez connosco.


O climax aconteceu no Terreiro do Paço, a magna praça de Lisboa, com cerca de 300 sketchers congregados (a maior parte, abrigados à sombra da arcada ocidental), conversando, partilhando e, claro, desenhando, uns aos outros, outras pessoas, edifícios, o castelo no topo da colina, o rio, as gaivotas, tudo o que se mexesse ou estivesse quieto.


Quanto a mim, queria continuar as experiências em que tinha sido iniciado. Dá-lhe mancha!


Muito obrigado, caros organizadores! Isto foi um feito!

8 comentários:

Manuela Rolão disse...

Pedro, parabéns pelo texto que me fez recordar o 3º dia e aprender com o teu workshop com a Cathy e a Isabel, já que estive no "Lisbon ruins" - onde desenhámos nos cadernos uns dos outros, continuando, à vez, os desenhos começados por outros...Os teus desenhos estão fantásticos e superaste os desafios! Vou experimentar também só mancha. No "Lining over colour" também começávamos com mancha mas depois era a linha que também a mim me confortava...

hfm disse...

Grande texto! servido por belos desenhos.

Quanto a pergunta que me fazes do material usado no meu post que comentaste é tudo feito com canetas da Pentel de tinta da China.

Mário Linhares disse...

Excelente reportagem Pedro.

Pedro Loureiro disse...

Obrigado a todos pelos comentários!

Manuela: Ouvi coisas muito boas sobre o "Lining over colour" do Richard Câmara. Gostaria de lá ter estado. Também seria agradavelmente desconfortável, aposto!

hfm: Obrigado pela dica sobre as canetas. Tenho de ficar atento na próxima ida à papelaria.

Manuela Rolão disse...

Pedro, ele dá um workshop em Setembro.Vê na coluna da direita.O Richard é um excelente formador.

Isabel disse...

grande reportagem Pedro e obrigada pelo feed back sobre o nosso workshop, excelentes desenhos.

Cathy Gatland disse...

Good to hear and see results of our workshop Pedro, thank you - your watercolour washes are very successful!

Pedro Loureiro disse...

Thank you Isabel & Cathy! I'm still struggling with the watercolour washes. Still not in comfort, but trying to get there!