Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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domingo, 26 de agosto de 2018

af Chapman


Em Julho tive o prazer de leccionar um workshop de perspectiva esférica na conferência Bridges, que é não só o encontro mas verdadeiramente a festa anual da Arte e Matemática. Desta vez foi em Estocolmo, na Suécia. Procurando um hostel barato, acabei por encontrar em vez disso um hostel...peculiar. Fiquei numa camarata de um veleiro, o af Chapman, atracado em Skeppsholmen, uma das ilhas de Estocolmo. Claro que aproveitei para dar uso à perspectiva esférica em olho-de-peixe (ou azimuthal equidistante).

Embora aprecie e muito o jogo de fazer perspectivas a 360 graus, achei que neste caso o que se aplicava melhor era um pequeno corte de uma olho-de-peixe (feita a olho-de-mamífero, sem medidas exactas) cuja amplitude fosse suficiente apenas para mostrar o topo daquele belo mastro e da miríade de cabos e cordas que dele emanavam. Claro que como não percebo nada de barcos, a maioria destes cabos e cordas deve estar mal repressentada, mas foi o que se conseguiu - uma falha que demonstra os limites da máxima "desenha o que vês" - em circunstâncias realmente complexas nós só "vemos" o que "sabemos".

3 comentários:

Eduardo Salavisa disse...

Como sempre, fantástico desenho e ainda melhor observação. Temos que conciliar uma atenta observação com o que já conhecemos. O cérebro engana-nos muitas vezes.

António Araújo disse...

Olá Eduardo,

acho que era o Robert Beverly Hale que ilustrava essa questão com um pequeno diálogo que era qualquer coisa como isto:

-"Oh, eu simplesmente desenho o que vejo!"

-"Sim!...e vê lá o que desenhaste!" (com um tom de voz que implica tudo menos admiração)

Isto porque o Hale ensinava anatomia artística - um campo em que o estudante, como ele dizia, tem que desenvolver "olhos" de raio-X :)

Abraço
A.

Marcelo de Deus disse...

Extraordinário