Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blog só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Sozinho... daqui ninguém sai vivo



Eu já sabia que ía encontrar as paisagens mais bonitas do planeta. O que eu não sabia era que ía encontrar o povo mais resiliente do mundo. ‘Encontrar’ é a palavra certa, pois os poucos mais de 300 mil habitantes não se deixam ver facilmente quando nos afastamos de Reykjavík.

Lá acabamos por achar um casal de agricultores, perto de Laugar, que transformaram parte da sua casa em alojamento local. Pernoitamos. Contaram-nos como se vive ali. O espírito comunitário é incrível. Todos exercem mais do que uma profissão. Quem limpa a neve das estradas, conduz o autocarro da escola e faz parte da equipa de resgates. Mesmo ao fim de semana, ninguém se atreve a recusar um pedido para ajudar nas tarefas da comunidade. Razões não lhes falta para desistir de viver ali: vulcões que acordam e tornam o ar irrespirável, nevões que cortam estradas, temperaturas negativas, quatro horas diárias de luz durante o inverno. Mas não. Ali ficam a criar ovelhas, cavalos e a trabalhar numa rede que amplifica a contribuição de cada um. 

Eu já estava a achar que a Islândia me estava a esconder qualquer coisa. Perguntei-me várias vezes "porque vivem estas pessoas aqui contra todas as probabibilidades?". Porque esta pergunta só faz sentido se pensarmos no indivíduo ou no núcleo familiar. O poder da rede comunitária é imenso, incalculável e poderoso.

Liguei a um amigo para partilhar as minhas descobertas. Contou-me que a selecção de futebol da Islândia tem melhorado muito devido ao espírito de equipa.  

Quando aterrei em Lisboa, soube que o Benfica tinha perdido com o Tondela...







5 comentários:

teresa ruivo disse...

Também acho que não deve haver na terra nada mais imensamente lindo que a Islândia. Ao poder comunitário, acrecentava a profunda comunhão com a natureza no que ela tem de mais bruto, belo e até aterrador. Com tudo isto, como sair de lá?...Belos desenhos, by the way:)

Bruno Vieira disse...

Depois de uns belos desenhos e uma descrição interessante sobre a Islândia, um final... sem palavras...

Rosário disse...

Bem bonito de ler e ver estes desenhos!

André Duarte Baptista disse...

Bela composição. Parabéns Rita

Rita Catita Afonso disse...

Obrigada amigos sketchers! Visitem a Islândia ;)