Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

sábado, 16 de novembro de 2019

Riscar a Arquitectura: Encontro de Diários Gráficos


Numa organização conjunta do Município de Ourém e da Delegação do Centro da Ordem dos Arquitectos, com o apoio dos Urban Sketchers Portugal e da Direção-Geral do Património Cultural, realiza-se no dia 23 de Novembro o evento Riscar a Arquitectura: Encontro de Diários Gráficos na Vila Medieval de Ourém, a partir das 10h00 junto à Galeria da Vila Medieval, convidando-se os amantes do desenho, e também da fotografia, a olhar para os edifícios e conjuntos urbanos de grande riqueza histórica e arquitectónica, como o é a Vila Medieval de Ourém.

PROGRAMA:
10:00H: Sessão de Desenho Urbano
13:00H: Almoço convívio (marcação obrigatória)
d.centro@oasrs.org
14:30H: Continuação dos trabalhos de Desenho Urbano





vieiras do Mercado de Campo de Ourique


Deixar a chuva desenhar




Já estive em várias situações engraçadas desenhando à chuva, mas esta, no décimo aniversário dos Urban Sketchers Portugal, acho que superou todas as outras. 
Da parte da tarde um dos grupos foi com o Luís Miguel Frasco para o Miradouro da Senhora do Monte, e pouco tempo depois de lá chegarmos, já a desenhar, fomos apanhados por uma valente bátega.
Eu tinha começado a desenhar a paisagem com o Luís em destaque do lado direito, e a minha intenção era que desenhador e paisagem desenhada dialogassem no desenho, cada um dando força visual ao outro, ilustrando a intensa ligação que se estabelece eles.

Grande parte do lançamento inicial do desenho era aguarela e quando começou a chover em grossas gotas e em força, não houve sequer tempo de proteger o caderno.
Foi uma chuva tão forte como rápida e logo parou, como podem ver na fotografia que o António Alberto Frazão tirou de nós logo a seguir (outra fotografia ver aqui).

Apesar de se poder pensar que a chuva destruiu o desenho, eu gosto bem dele assim.

Já não lhe toquei mais. A natureza do tempo impôs-se e nas manchas e traços deixou a forte sensação daquele momento único, e refrescante. :)
Para mim este desenho manifesta uma das coisas que mais valorizo no acto de desenhar --- a observação do processo. O que fazemos orienta o desenho num determinado sentido mas o que acontece espontaneamente é aventura a viver e saborear.

Convento de S. Francisco


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

É da chuva

É da chuva

Abrem-se as janelas ensonadas,
Lê-se a sina no céu,
Anunciam as nuvens encharcadas:
Vai cair como um véu.

E, de chuço na asa,
Navegando incógnitos na turba,
Vamos à vida, que se atrasa,
É da chuva, é da chuva.

A milenar cidade escurece
Mergulhada num breu de tristeza,
Que até a alma arrefece,
É da chuva, de certeza.

Está Braga de cara fechada
E encharcada por dentro,
Vertendo lágrimas na calçada,
Das ruas mudas do centro.

Também o ofício emperra,
Sonolento e desconsolado,
Falta-lhe sangue na guelra,
Porque chove pesado.

Tardou o toque de saída,
Mas não esquece o varetas,
E, em passo de corrida,
Vamos saltando valetas.

Batemos a porta da rua,
Mudamos a roupa que pesa,
Mas até a janta amua,
Foi a chuva, de certeza!
                       
Mário Carvalho
12 de novembro de 2019


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Vouzela

Quando havia uma rede ferroviária era por esta ponte enorme, bonita e toda em alvenaria, que o comboio chegava a Vouzela.
Hoje já nem linhas tem mas sobrou um lindo percurso pedonal, onde nem há chulipas para atrasar o paço e que, de cima da ponte tem uma esplêndida vista sobre o Rio Zela. Também não são de desprezar os troços mais fechados entre matas de carvalhos e castanheiros.

Bairro do Arco do Cego, Lisboa


Edifício Arte Contínua

É neste lindíssimo edifício, junto à praia de Santo Amaro de Oeiras que se realizará o workshop
  A RISCAR SE VAI AO LONGE
A sala onde decorrerão as sessões foi pintada por mim.
Se tiverem curiosidade em vê-la, filmada pelo Vasco, cliquem AQUI.
Vou estar POR ALI no sábado dia16, a partir  das 15h.
 Se alguém quiser aparecer é muito benvindo :)


Quinta das Conchas








A manhã de ontem foi boa para desenhar, Ficam aqui dois dos sketches que fiz. Os outros feitos na mesma manhã virão em breve.

Amor primata

A Nini é Educadora de Infância e, embora durante muito tempo se tenha conseguido escapar a essa praga que vai não vai povoa a cabeça dos miudos, desta vez os piolhos apanharam-na. Fez o tratamento, livrou-se deles, eu próprio fiz a vistoria. Depois pediu à minha mãe para fazer nova vistoria. Mas claro, só ficou definitivamente convencida quando a sua mãe o confirmou... não há mãos nas quais confiemos mais que as da nossa mãe. "Não vais publicar isso!", disse-me com um sorriso envergonhado quando se apercebeu que eu estava a registar o momento. Mas para mim, que o observei atentamente, este é sobretudo um acto de ternura entre uma filha, que mesmo adulta, mesmo já ela mãe, ali voltou a ser uma criança que procurou o cuidado seguro da mãe. Não é um momento embaraçoso, mas sim de ternura, de amor puro, de amor primata.


terça-feira, 12 de novembro de 2019

Medronhos deliciosos

Tenho comido estes medronhos deliciosos. Espero que as árvores ainda tenham muitos na proxima semana depois das chuvas que se esperam.
Leonor Janeiro

Jardim Estufa Fria



Desafio105, Desenhar à chuva- Lagoa das Furnas


 E foi durante o workshop da Alexandra Batista, na Lagoa das Furnas,  que inesperadamente começou uma chuva miudinha condicionando a aguarela que eu estava a fazer, tentando captar a humidade existente no ar. Não fugi, deixei-me ficar, na esperança que algo resistisse. E os resultados de uma "verdadeira " aguarela  estão à vista, ficando na minha memória para todo o sempre uma paisagem "húmida" magnífica!



S Pedro do Sul

Mais fados

Desenhos de coisa diversa




Desenhos de uma fugida ao Porto para ver a exposição de fotografia "Tête à Tête | Retratos" de Henri Cartier-Bresson.
Recomendo VIVAMENTE. 





Desafio 105 - Desenhar à chuva

Não me importo de continuar a desenhar quando começa a chover. Uns pingos até podem dar algum dinamismo ao desenho. O pior é quando a própria caneta deixa de escrever. Aí não há nada a fazer e temos que parar. Neste desenho, felizmente, já tinha feito o que queria. Até o dragoeiro à direita que me traz algumas recordações de quando eu tinha 12 anos.

Biblioteca Municipal de Algés