Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

domingo, 28 de maio de 2017

Choveu Fruta @ Gulbenkian

    Mesmo com a ameaça de chuva, corri à Gulbenkian, apetecia Almada ... mais uma vez ... mas enquanto os bilhetes dormiam para só de tarde acordarem de borla, eis que chovia fruta nos jardim. Que cenário encantador. Sentei na relva e os patinhos também ... E à minha frente uma jovem talentuosa disse poesia e lengalengas e histórias de encantar.
Sabiam que as laranjas são castelos onde vivem princesas com vestidos de oiro?
E que se o papa papasse papa/ se o papa papasse pão/ o papa papava tudo/ seria o papa papão ... 
Até Miguel Torga se ouviu no jardim, para nos lembrar que de todo o fruto não devemos querer só a metade!
Depois veio a dança e África  ... e Bongo ...
Nem a chuva parou a festa ...porque as árvores são amigas ...
Há tardes assim, bem passadas, entre sorrisos e rabiscos. 
Almada dá assim ... aquela comichão no Olhar e uma vontade louca de desenhar !

Encontro de Urban Sketchers em Viana do Castelo


montejunto_parte III

Ainda Montejunto, os últimos desenhos
 

Ervas espontâneas em Lisboa

     Perco-me sempre que vou caminhar, a olhar para as ervinhas e florzinhas que rompem passeios, que galgam pedras ... Que bem nos faz o seu verde !
Tantos namorados que para aqui vão ... a malta nem saltava com muita força, que era para não caírem todos das nossas costas ... e quanto mais peluda a camisola, melhor. Lembram-se?


A matar saudades de Odeceixe e da grafite


Açores uma viagem de sonho II

No segundo dia, depois de ter chovido toda a noite, soube que não dava para ir para a Lagoa das 7 Cidades, pois estava tudo enevoado. E assim fomos para o outro lado da ilha, começamos a desenhar em S. Roque, seguindo-se Lagoa, na Ponta dos Carneiros, onde almoçámos. Fomos andando por Remédios, Lagoa do Fogo, Caldeira Velha, Ribeira Grande, Rabo de Peixe, Calhetas, Fenais da Luz, São Vicente Ferreira, tendo regressado a Ponta Delgada, exaustos.



Fim de semana




Passagem da Barca





Barca do lago, Esposende, Portugal, 20.05.2017
Mais alguns em avista.naocoisas.com

Órgãos da Basílica do palácio nacional de Mafra

A Basílica do Palácio Nacional de Mafra tem 6 órgãos. Cada um tem um nome: Órgão do Evangelho, Órgão da Epístola, Órgão de São Pedro de Alcântara, Órgão do Sacramento, Órgão da Conceição e Órgão de Santa Bárbara. Este conjunto é único no Mundo. Uma das suas principais características é o facto de terem sido pensados para tocarem em conjunto. Comportam-se como uma orquestra. Quando foram feitas não havia peças musicais para eles. Por isso a partir de 1907/1908, altura em que foram construídos, foi um frenesim de compositores em seu redor.
A Câmara Municipal de Mafra, ciente do seu valor, criou com a ajuda do ministério da Cultura, um prémio internacional de composição para estes órgãos, que já vai no seu terceiro ano. Este ano teve bastantes candidatos dos 4 cantos do mundo. No dia 25 de Maio fomos ouvir as peças vencedoras. É um espectáculo admirável.


no quintal da minha mãe










sábado, 27 de maio de 2017

Workshop com João Catarino


Foi um desenho sofrido. O João Catarino sugeriu que desenhássemos com o pincel, esquecendo atrevidamente o esboço. A ideia era decompor a luz de Lisboa em três cores. Nada fácil no início. Prendi-me no tronco da árvore, uma olaia retorcida, e não saía dali. Mas pouco a pouco tentei soltar a linha-mancha, e finalmente tentei dar aquele ar das escadas. A companhia ajudou. Recebi dicas preciosas do Mestre. No fim do encontro, instalou-se ali um quarteto de jazz que podia ter começado mais cedo, porque a música era de chorar por mais.

A surfar nas Escadinhas de S. Francisco

O Nelson já disse tudo. Uma oficina do João Catarino não se pode perder! Ainda por cima cá, no Chiado,  não no Brasil ou em Chicago!
A parte do "sofrimento" é verdade, não o podemos negar. Mas, o que o Nelson não disse, é que também sabe muito bem tentar embarcar na onda do João Catarino. Enquanto ele faz floaters, cut backs , aéreos e360º, nós embicamos, enrolamo-nos, perdemos a prancha e engolimos pirolitos.
Mas a boa disposição do João é tão contagiante, que não deixa que os nossos fracassos  nos esmoreçam . Pelo contrário -  pelo menos para mim - a vontade de aprender aumenta. Talvez para a próxima, quem sabe, já me consiga  pôr de  pé na prancha!
Deixo aqui a minha primeira trapalhada, o desenho da banda (que parecia estar ali só para nos descontrair)  e, por último, mais uma tentativa de cumprir a proposta  feita, mas desta vez no Largo de São Paulo, enquanto me deliciava com um belíssimo gelado.
Sim, que tanto sofrimento  merece ser recompensado:))





Conversa com Poeta José Augusto Pereira de Carvalho.Viana do Alentejo




Oliveira centenária, no Convento da Provença, freguesia de Ribeira de Niza, Alto Aentejo.
























           http://cesarcaldeira11.blogspot.pt/

Bruxelas





O Transe do Mimo

Começo pelo início da estória:
O João Catarino hoje dava um workshop gratuito, nas escadinhas de São Francisco que ligam a Rua Ivens à Rua Nova do Almada. Um workshop gratuito do João Catarino, vejam bem, nem parecia de verdade. Existe malta que vai pagar um dinheirão, fora estadia e viagem, só para o ver em Chicago, tenho a certeza que os bilhetes já devem estar esgotados, ao bom estilo das estrelas pop. 
Cheguei atrasado, e não ouvi o enunciado. Disseram-me que o exercício era desenhar directamente com um pincel, utilizando 3 tons diferentes para cada camada do desenho. Um workshop ao estilo do Catarino, entenda-se, e ao qual, por razões idiossincráticas, não me sujeitei.  
Decidi desenhar as pessoas que desenhavam, e o "sofrimento" que lhes estava a ser infligido. Fazia pena. Por razões de direitos de imagem, e porque não quero que me venham depois meter processos a exigir dinheiro, não os publico aqui...
Mesmo no finalzinho do workshop, e quando estávamos a tirar a foto costumeira, uma banda de improviso começou a tocar, mesmo ali, onde há pouco estávamos sentados a desenhar. Tinha um estilo das fanfarras do Emir Kusturika, de que gosto tanto, e muitos de nós não resistiram. Voltámos a sentar-nos dos degraus, eu de copo de cerveja na mão, para nova sessão gratuita nas escadinhas de São Francisco. Eram quatro no total, mas apenas apanhei dois, o contra-baixo e a guitarra eléctrica ficaram de fora, que não couberam na folha. 
Perguntei ao Thomas qual o nome da banda, disse-me que tinham vários, um deles era "o transe do mimo". Achei o nome meio estranho, e sem relação com o som que dali saía. Mas a música tinha pinta e os gajos eram muito desenháveis, valeu mesmo a pena - tal como o workshop do João.
Saí dali animado, à conversa com a Teresa Ruivo, a Mónia e a Patrícia, absolutamente convencido que Lisboa é mesmo uma cidade maravilhosa!





No quintal da D. Bela Mestre

A mãe da Cláudia Mestre tem um quintal especialmente cuidado. 
Hoje, pela segunda vez, fomos desenhá-lo.



10x10 Lisboa: objectos do domínio público


Na passada quarta-feira, dei a minha primeira aula como instrutor no curso 10 Years x 10 Classes dos Urban Sketchers em Lisboa. Todas as aulas são focadas na reportagem gráfica e nas histórias desenhadas, e vamos abordar os assuntos em três escalas diferentes. Vamos aprender a contar histórias pequenas, médias e grandes, sobre os sítios onde vivemos.

Na minha aula de histórias pequenas, focámo-nos em objectos da cidade que não notamos que lá estão, mas que podem ser muito importantes paa a nossa segurança, conforto ou prazer - objectos do domínio público. Aprendemos a colher uma história interessante a partir dos mais mundanos objectos na nossa cidade. Afinal, há melhor maneira de nos tornarmos bons contadores de histórias que tornar um assunto aborrecido numa reportagem fascinante? Também praticámos o equilibrio entre texto, título e desenho nas mesmas páginas. Finalmente, desafiámo-nos uns aos outros ao contar, em viva voz, a nossa história aos nossos colegas.


No primeiro exercício, deenhámos uma vista urbana, filtrando tudo o que não era objecto do domínio público. Aqui, o nosso sentido crítico foi fundamental, porque incluimos ou excluimos objectos baseados nas nossas próprias opiniões. Afinal, o caderno é nosso, fazemos o que queremos nele. Terminámos a atribuir um verbo a cada objecto desenhado.


No segundo desafio, escolhemos um dos objectos, desenhámo-lo de vários pontos de vista, quando necessário, e tomamos apontamentos - apenas factos, ou interrogações sobre factos que gostariamos de ver esclarecidos. No final, tivemos um minuto para mostrar e contar o nosso desenho a todos.

#desenhoruadosalitre #desenhoLisboa


10 x 10 - Objectos de domínio público - Lago de S. Domingos

No segundo exercício escolhi um candeeiro típico de Lisboa.


No terceiro exercício teria de utilizar o mesmo objecto mas agora com pessoas(que eu não sei desenhar) mas valeu o exercício. Muito bom!