Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blog só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Macacos me mordam


Em Novembro do ano passado, teve lugar na Rua de Xabregas 49, a exposição  Attero* by Bordalo II“, da autoria do artista plástico português Artur Bordalo.

Foi numa visita à exposição que conheci o Macaco, uma obra incluída no projecto do artista - “Big Trash Animals” - da qual fazem parte um conjunto de animais que decoram as paredes de Lisboa, construídos a partir de objetos recolhidos em lixeiras.

A exposição durou apenas 3 semanas mas o Macaco continua pendurado à espera que façamos menos lixo e nos tornemos mais conscientes do impacto do desperdício no planeta. Vai, também, ficar por ali à espera de ser desenhado e incluído no livro dos Urban Sketchers “Lisboa Oriental”.

Para além deste espectacular mural, existem outros locais que estão ‘em pulgas’ para aparecer no livro. Dia 23 de Setembro, no próximo Domingo, haverá um encontro onde podemos desenhar alguns pontos que ainda estão em falta e matar as saudades infligidas pela silly season.

Macacos nos mordam se não havemos de dar conta do recado...



*desperdício em latim


quarta-feira, 13 de junho de 2018

Desenhar como a Rita Catita

No passado sábado, foi dia de desenhar comigo no Museu Arqueológico do Carmo. Numa sala cheia de amigos, uns mais sketchers que outros, foi de coração que partilhei a minha relação com o desenho em cadernos.

Desenho: Nelson Paciência

Convidei a audiência a embarcar numa viagem que não é só minha. Todos os que encontrei nestes últimos anos, desde que descobri os desenhos, têm sido óptimos companheiros de jornada. Quem se deslocou ao Carmo para  ‘Desenhar Com a Rita’, foi desafiado a ‘Desenhar Como a Rita’:

1. O caderno é um diário de viagem

2. Durante o desenho vou
- estar atento
- descobrir uma história sobre o sítio
- saber mais sobre as pessoas que aqui vivem/trabalham/passeiam
- perceber que eu sinto sobre o que estou a descobrir

3. Escrever um texto que acompanha o desenho  utilizando metáforas, duplos sentidos, humor, caricatura...


Foto: Bruno Vieira

Os resultados foram fabulosos. Lisboa é, sem dúvida, fonte de inspiração, reflexão e memórias. Este dia será sempre recordado como um dos mais felizes da minha vida.
Obrigada a todos, não tem graça nenhuma ser feliz sozinha.




segunda-feira, 4 de junho de 2018

Rita Catita

É já no próximo sábado dia 9 de Junho às 15 horas que a Rita Catita vai dar continuidade ao ciclo de oficinas "Vamos desenhar com..." a decorrer desde o ano passado no Museu Arqueológico do Carmo. Tem sido um sucesso. Apareçam! 

Desenho de Rita Catita

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Sozinho... daqui ninguém sai vivo



Eu já sabia que ía encontrar as paisagens mais bonitas do planeta. O que eu não sabia era que ía encontrar o povo mais resiliente do mundo. ‘Encontrar’ é a palavra certa, pois os poucos mais de 300 mil habitantes não se deixam ver facilmente quando nos afastamos de Reykjavík.

Lá acabamos por achar um casal de agricultores, perto de Laugar, que transformaram parte da sua casa em alojamento local. Pernoitamos. Contaram-nos como se vive ali. O espírito comunitário é incrível. Todos exercem mais do que uma profissão. Quem limpa a neve das estradas, conduz o autocarro da escola e faz parte da equipa de resgates. Mesmo ao fim de semana, ninguém se atreve a recusar um pedido para ajudar nas tarefas da comunidade. Razões não lhes falta para desistir de viver ali: vulcões que acordam e tornam o ar irrespirável, nevões que cortam estradas, temperaturas negativas, quatro horas diárias de luz durante o inverno. Mas não. Ali ficam a criar ovelhas, cavalos e a trabalhar numa rede que amplifica a contribuição de cada um. 

Eu já estava a achar que a Islândia me estava a esconder qualquer coisa. Perguntei-me várias vezes "porque vivem estas pessoas aqui contra todas as probabibilidades?". Porque esta pergunta só faz sentido se pensarmos no indivíduo ou no núcleo familiar. O poder da rede comunitária é imenso, incalculável e poderoso.

Liguei a um amigo para partilhar as minhas descobertas. Contou-me que a selecção de futebol da Islândia tem melhorado muito devido ao espírito de equipa.  

Quando aterrei em Lisboa, soube que o Benfica tinha perdido com o Tondela...







quinta-feira, 22 de março de 2018

Innamorata di Milano

A ideia inicial era ficar mais uns dias em Milão para ir a Crema, uma cidade 50 km a sudeste, onde foi flmado o belo "Chama-me pelo teu nome". Uma hstória sobre um primeiro amor baseada no romance de André Aciman.

Depois alguém sugeriu Cremona por causa dos Stradivarius. Mantova também era de ir. "Porque não Turim, Rita?". Decidi ficar para ir a Verona. A verdade é que estou a sentir-me tão bem em Milão que adiei um dia a minha ida à cidade dos Capuletos e Montecchios.

Depois de três dias de trabalho árduo, despedi-me de alguns colegas: eu adoro-vos mas ainda bem que se vão embora porque eu quero desenhar.




sexta-feira, 16 de março de 2018

Amor à primeira vista da janela

Há expectativas transversais aos seres humanos. Uma delas é sobre a vista dos quartos de hotel. Se o destino é praia nada mais se espera que aquela varanda em cima do mar.

Quando se viaja em trabalho não há tempo para estar à janela. Ainda assim é a primeira coisa que faço quase antes de pousar a mala.

Esta janela, embora no 5º piso, podia ser completamente aberta, caso raro em edifícios mais modernos ou em cumprimento das regras de segurança mais restritas. Gostei logo da vista. Ainda mais quando me debrucei... com a devida cautela.

Só tinha acontecido uma vez por o despertador para fazer um desenho. Um despertador é um despertador. Não vale a pena dizer que não custa porque é para desenhar.

Nice, 06h45min, 15 de Março de 2018,


Rita 



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Barra


A barra do Tejo tem a magia dos grandes acidentes geológicos.

A passagem de rio a mar é disruptiva, incerta e descontrolada pelo desaparecimento das margens que, até ali, ampararam o caudal ao longo do seu percurso.

Desta janela vê-se a barra, veem-se os navios que entram e saem conduzidos por experientes pilotos que têm quase todas as certezas sobre o fundo do rio.

Um destes dias, os navios apitaram toda a noite. Parecia que estavam aqui dentro de casa. Perguntei ao Dr. Google “navios apitam barra tejo”.  Do nevoeiro eu já sabia. Encontrei uma explicação muito mais na linha do que procurava:

“Navios que não apitam, não se despedem”
 
 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

"Juntos à Tarde" na SIC

Primeiro foi preciso conhecer uns pincéis especiais: os pincéis da sala de caracterização dos estúdios da SIC em Carnaxide. Depois os cadernos foram dispostos em posição televisiva com a ajuda de uma cenógrafa.

3,2,1... Palmas. Eduardo à frente, Rita no meio, Tomás aqui, por favor. Entre o Baú do Tesouro e a promoção de pílulas de emagrecimento para o Verão, lá explicámos o que são os Urban Sketchers e porque gostamos tanto de registar as nossas viagens, quotidianas e outras, em cadernos.

O João Baião e a Maria Botelho Moniz, apresentadores do programa ‘Juntos à tarde’, do canal SIC, desafiaram-nos a desenhar em directo e nós não nos fizemos rogados. Os resultados aqui estão! Obrigada ao João Baião, à Maria Botelho Moniz e a toda a produção que foram uma simpatia, do principio ao fim, e tornaram esta aventura muito mais fácil.
(Texto de Rita Catita)

Desenho de Tomás Reis

Desenho de Eduardo Salavisa

Desenho de Rita Catita

domingo, 25 de junho de 2017

A Sesta e a Penitência

Andava D. João de Castro, Vice-Rei da Índia no encalce de um veado, que a sua testosterona lhe prometera, quando vencido pelo cansaço se deixou adormecer. A manta morta serviu-lhe de colchão e um penedo de sombra. Até sonhou. Sonhou com um pedido: deveria construir ali um templo cristão.

D. João de Castro morreu antes de responder à solicitação. Haveria de ser o seu filho D. Álvaro de Castro a cumprir a incumbência de fundar, em 1560, um convento de frades Franciscanos: o Convento dos Capuchos ou Convento de Santa Cruz.

Quando olhamos por entre as árvores, somos convidados  reconstruir a sesta de D. João de Castro e outras lendas como a de Frei Honório: um homem religioso que não resistiu à contemplação de uma formosa rapariga que deambulava pela Serra de Sintra. Uma gruta adjacente ao singular e austero Convento dos Capuchos serviu de penitência, durante mais de três décadas, a este virtuoso frade.

Talvez Frei Honório só quisesse fazer um desenho no seu caderno.




 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A marginal é por ali

A jornada foi preparada de véspera. Enquanto uns levantavam os dorsais que dariam acesso à Mais Bela Corrida do Mundo, um pé lesionado e uma preguiçosa inteiravam-se dos horários dos comboios Peso da Régua – Pinhão – Peso da Régua.
Chegado o dia, havia um certo nervoso miudinho mesmo para quem só iria correr para apanhar o comboio.
Na margem esquerda do Rio Douro, milhares de pernas davam tudo para chegar ao fim. Na margem direita, o comboio levava-nos por um passeio admirável.
O Pinhão tem aquela graça de localidade pequena em que os locais, viciados em tanta beleza, desvalorizam “a marginal é por ali, e é isto, não há mais nada”. E é isto?
Miguel Torga disse que o Douro era um “poema geológico”, um “excesso de natureza”.


Ah se eu pudesse contar-vos sobre o Gaivão Branco 2013... (isto sou eu que digo)


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Cazaquistão em Salzedas

Não foi à primeira que chegámos à Cascata do Varosa. Foi preciso usar o GPS analógico, também conhecido por "Pergunta aí a alguém" para chegarmos ao local onde iríamos pernoitar. No entanto, foi à primeira que encontrei poiso para as aguarelas.

Olga, a dona da casa, juntou-se ao meu caderno para me contar que tinha nascido no Cazaquistão e estava farta da cascata e das lontras. Se pudesse, voltava para o Porto. Estava verdadeiramente entusiasmada com os desenhos, só não percebia como é que eu não me irritava quando as cores se misturavam. Falámos, então, sobre a União Soviética.

Entre a conversa e o cair da noite o desenho saíu distraído.

"Tu estás aqui a desenhar e as tuas amigas a fazer o jantar... tu tens homem?"
"Deixa lá, Olga, eu depois lavo a loiça."



 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Oeste Sketcher em Montejunto III/III

Como estava insatisfeito com o desenho anterior, onde não consegui apanhar todos os sketchers e a Rita no canto do bloco parecia um gremlin transformado, resolvi apanhar com linha toda aquela desarrumação de lápis e pincéis à sua volta, estava mesmo a divertir-se, descalça, de posição irrequieta, sentada ou deitada, a desenhar como se tivesse voltado aos tempos de criança, entre o sonho e a realidade.
Achei interessante, a Rita como "diamante em bruto" (segundo ela) vai pintando com manchas, descomplexada, evitando limites ou regras rígidas, deixa o desenho fluir a partir de uma realidade desfocada, vai definindo e deformando aos poucos, ao sabor do prazer que a atravessa pelo simples acto de desenhar.
Para ela, a linha é demasiado definitiva, segue um processo oposto à minha forma de pensar, onde é difícil desconectar do que academicamente me formatou, voltei ao papel procurando esse "desligar", mesmo mantendo a linha, são estes desenhos rápidos com pouco tempo para pensar que acabam quase sempre por me dar mais prazer. Obrigado Rita.


domingo, 14 de maio de 2017

Tinha ali uns guaches dentro de uma lata...

Ontem, depois da oficina no Museu do Convento do Carmo, fiquei cheia de vontade de experimentar novos materiais. Na confusão da minha mesa de trabalho onde vou escondendo, em caixas, alguns apetrechos que não quero ver porque não sei o que fazer com eles, lembrei-me que tinha ali uns guaches dentro de uma lata...
Se amanhã fosse dia de escola e eu tivesse de fazer uma redação sobre o fim de semana, começaria assim: o que eu mais gostei neste fim de semana foi de desenhar com a Teresa Ruivo.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Estudar na esplanada


Um desenho pode ser comparado a um exercício de álgebra. Desenhar o espaço negativo é como usar um teorema com o qual não estamos familiarizados.

A tarefa fica bastante facilitada quando se tem o melhor professor. A turma do Omar Jamarillo, no passado sábado, não precisou de máquina de calcular. Até porque no fim, um desenho nunca dá resto zero e o erro não é penalizado.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Berlim - A Recepção



A ida a Berlim foi uma correria. Não para mim, que quando cheguei a Kreuzberg, já a Miriam, o Luis, a Magui, o Renato, o Nuno, a Inês e o Gonçalo estavam de banho tomado e na senda dos alongamentos.

A comitiva de amigos que me esperava tinha acabado de correr a Berliner Halbmarathon (Meia Maratona de Berlim). Estavam tão satisfeitos! E eu tão orgulhosa.


sábado, 8 de abril de 2017

Querido Barreiro

O amor entre o Seixal e o Barreiro nem sempre foi apenas platónico.

Existia uma ligação física, uma ponte ferroviária, a unir as duas cidades. Em 1969, esta estrutura não resistiu aos ferimentos causados por um navio da Siderurgia Nacional. Desde então, a relação tornou-se mais distante. O amor, esse manteve-se.

Sentámo-nos junto ao cais fluvial do Seixal para desenhar um namoro antigo: o Barreiro admirado a partir do Seixal. O desafio proposto pela Manuela Rolão e o Henrique Vogado voltou a ligar os dois territórios. Objectos do lado de cá encurtaram a distância entre o lado de lá. Uma manhã cheia de sol onde um auto-rádio nos ofereceu Zeca Afonso como música de fundo.

O amor pode ser adiado durante 47 anos, mas não pode ser ignorado. Está prevista a construção de uma nova ponte, para peões e bicicletas, que fará a ligação entre o Seixal e o Barreiro. Querido Barreiro, o melhor está para chegar.
 


 
 

domingo, 26 de março de 2017

Mudança da hora

O caderno não é meu e só havia uma esferográfica BIC sem tampa. A conversa estava tão boa que tive de pedir material emprestado. A grande lição da noite chegou depois da mudança da hora e de alguns copos de rosé. "Se ouvires o som de uns cascos provavelmente são cavalos, até podem ser zebras mas é pouco provável". Para além de dizer coisas com imenso sentido, tem uma aguarela do Roque Gameiro no sotão de uma casa em Mangualde. No sotão?


 
 

segunda-feira, 20 de março de 2017

37º54'57.1''N 8º48'09.6''W

Esta é uma rua sem casas. Pelo menos, sem casas convencionais. No trajecto São Torpes - Porto Covo é comum encontrar casas com rodas. As autocaravanas dispostas junto à praia, no Verão, assemelham-se a edifícios em bairros suburbanos densamente povoados. No Inverno, mais parecem casas de campo, com espaço para por a mesa cá fora e quintal para jogar à bola. Na passada sexta-feira, lá estava ela, a M1109, com falta de alcatrão, quase deserta, com uma berma perfeita para estacionar o carro e fazer um desenho.

terça-feira, 14 de março de 2017

Relatos de um Peregrino Russo


O Professor não é O Embuçado mas não deixa de ser uma personagem de mistério. A noite já ía longa e os convivas procuravam o conforto de uma conversa, um cantar alentejano ou um fado popular. A tempestade perfeita para a tertúlia. O Professor conta-me acerca de uma obra mística do sec. XIX, Relatos de um Peregrino Russo, o livro que o levou a fazer-se ao caminho na sua primeira peregrinação. Sou toda ouvidos.