Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Desenho à noite em Óbidos


A oficina de desenho à noite dos Pedros (Alves e Loureiro) regressa a Portugal, depois de viajar por Barcelona e Riga. A 18 de Maio, das 21h à meia-noite, iremos desenhar e pintar a vila medieval muralhada de Óbidos.

Esta oficina é apoiada pelo Latitudes e patrocinada pelas canetas Posca. Cada participante irá receber uma Posca branca, ideal para desenhar fontes de luz sobre uma aguarela terminada.

Para mais informações e inscrições até 15 de Maio, por favor contactem dklimpgen@gmail.com e/ou pedro.mac.loureiro@gmail.com

Como incentivo para pernoitar na vila histórica, os Oeste Sketchers organizaram um encontro de desenho na manhã seguinte. Ver informações AQUI!

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Simpósio do Porto III (Post 500!!)


O meu post nº 500 neste blogue é com o desenho que mais gostei de fazer neste Simpósio. A ponte e todo o entorno do Rio Douro visto da Serra do Pilar. Para não vos massacrar mais com posts do Simpósio, continuem a seguir a história no meu
blog:  intervalosalmoco.blogspot.com/2018/08/simposio-porto-iii

Todos os meus posts futuros referente a esta fantástica aventura estarão por lá em breve.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Simpósio do Porto II

A sexta feira foi o dia mais longo, com workshops de manhã e à tarde e com apenas 4 horas de sono, estava receoso para com os meus "alunos" e com algum medo de não corresponder às expectativas porque no fundo, todos eles se inscreveram no workshop da Virginia Hein, não no meu... Trepámos as colinas do Porto até ao Passeio das Virtudes e comecei a minha odisseia de workshops. Depois de muitos pedidos de desculpa em nome do povo português por construir cidades em sítios escabrosos, 10 minutos volvidos e já todos nos sentíamos em casa. Após a minha demo, o grupo foi fantástico e respondeu de uma forma exemplar aos exercícios propostos. 


À tarde, mais do mesmo... Mais um grupo fenomenal e uma tarde muito divertida e bem passada a desenhar (eu a andar de um lado para o outro feito louco). Achei interessante publicar ambos os resultados da minha demo para verem como a mudança da luz altera um desenho do mesmo local, quase por completo. De repente a fachada que outrora estava com a luz total, perde força e detalhe quando se encontra à sombra. 


Às 18:30 eu estava exausto, parecia que tinha sido atropelado por um camião, à medida que descia lentamente a encosta em direcção à Alfândega. Ao chegar à cota zero, alguns "vadios" estavam na esplanada logo ali ao lado a desenhar, conversar e beber. Para eles, as sessões de "Drink and Draw" duravam o dia todo e esta sessão ainda estava a meio ;) Bebi um "fino" de "pênalti" (Obrigado Bruno Vieira!!!) e outro logo a seguir para saborear com mais calma... Depois disto foi tempo de rumar a Ribeira para mais copos que duraram a noite toda...

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Lisboa +40º


Interrompo os posts sobre o Simpósio do Porto para informar (como se ainda não tivessem notado...) que em Lisboa está um calor do... dos infernos! Ou ficam numa esplanada a cerveja (ou água) ou então... boa sorte :D

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Simpósio do Porto I

Cheguei ao Porto já bem mais tarde que o previsto mas ainda a tempo de saborear tudo e mais alguma coisa do que estava para vir. Depois do check in na Alfândega e de ver que o meu local para a Demo ficava no topo de uma subida tramada, fui testar o local compatível mais plano possível. 


...e ficámos as 17h em ponto no Jardim da Praça do Infante, junto ao mercado onde iria explicar em que consistia o meu workshop "Frame your Sketch" usando apenas duas ou três cores. À medida que desenhava, explicava tudo e mais alguma coisa para quem me assistia, desde os materiais que uso, os erros que dei neste desenho, como conviver com eles e acima de tudo, como eu me divirto enquanto desenho. Aproveito para deixar um abraço ao Tomás que assistiu à minha demo e fez um belíssimo desenho enquanto eu falava pelos cotovelos, vejam AQUI
A demo que deveria ser de uma hora, demorou duas porque eu não me calava e as pessoas foram ficando numa espécie de tertúlia improvisada na hora sobre a melhor coisa do mundo: desenhar! Já na Ribeira, depois de ver o máximo número possível de amigos sketchers, sentei-me na esplanada onde estavam os "vadios", os nossos amigos desenhadores que também não falham o Encontro de Torres Vedras por nada. Enquanto os "finos" iam surgindo na mesa como que por magia, íamos desenhando qualquer coisa e este por do Sol sobre Gaia era fantástico para o efeito... 


 Várias cervejas e tostas mistas depois, orientámos num instante um encontro de desenho nocturno, em torno do Rio Douro e uma ponte muito mal iluminada para meu desprazer... Ainda assim, adorei todo o entorno da Serra do Pilar e aquele batel que atracou perto de nós com dois potentes holofotes que reflectiam na água negra cheia de personalidade. Mais cerveja menos cerveja, foi tempo de ir dormir... O dia seguinte iria ser repleto de workshops para dar...

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Pré Simpósio Porto 2018


A data do evento mais esperado do ano aproximava-se e duas semanas antes recebo a notícia que o Comité de Educação escolheu a minha proposta de workshop para substituir a Virginia Hein que infelizmente não podia vir até ao nosso país. Apesar do infortúnio, não pude deixar de estar em êxtase  e ao mesmo tempo pensar nos pobres desgraçados que iam deixar de  ter a "fofura" e "doçura" da Virginia para ficarem com o "homem rude do campo" que sou eu... Ainda assim, devorei a proposta de workshop da Virginia e adaptei a minha oficina ao máximo para não desapontar ninguém. Com o mote "Minimal colour: Maximum Punch" comecei a ensaiar estas propostas no caderno tal como se estivesse a fazer o workshop da Virginia e nasce assim o renovado "Frame your Sketch" que iria levar até ao Porto...


Entretanto, o meu amigo de Curitiba, o Simon Taylor chega a Lisboa antes de rumar ao Norte e tivemos oportunidade de por a conversa em dia e de recordar com saudades os nossos dias no Brasil em Araraquara. No final do almoço, um sketch rápido porque uma refeição de "desenhistas urbanos" não pode acabar sem a devida sobremesa. 


E na manhã de 5a feira, já com um dia de atraso devido a compromissos profissionais, lá fui eu e o meu nervoso miudinho até à Gare do Oriente para apanhar o Alfa Pendular das 10h para a Campanhã. O meu Simpósio começara desta forma. O melhor, estava a 300km de distância e 3h de viagem...

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Uma espécie de impressionismo

Ao caminhar lentamente em direção ao comboio que partia para Sintra dentro de 27 minutos, lembrava-me de uma das minhas pinturas preferidas do Monet, a Gare de Saint-Lazare, e numa espécie de impressionismo nasceu este estudo de luz e sombra numa linguagem que certamente irei experimentar mais vezes.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Desenhar no Vimeiro

Mais uma vez, o batalhão de desenho reuniu-se, desta vez no 18º Encontro Oeste Sketchers, de caderno na mão seguiram a recriação histórica da Batalha do Vimeiro.
Alguns em posição estratégica, outros decidiram seguir as tropas até à Igreja onde ocorreram a maior parte dos confrontos, o fumo das espingardas e dos canhões era tanto que mal se viam os exércitos no centro do conflito.
Este ano, a Ana Ramos, trajada a rigor orientou grande parte da actividade, com um reforço feito pelo Pedro Alves à tarde, agradecimentos ao André Baptista pela reportagem fotográfica, ao Centro Interpretativo da Batalha do Vimeiro pelo convite e a todos os que aceitaram este desafio, decerto não se arrependeram.
Partilha de desenhos e fotos do evento em Oeste Sketchers Link



quinta-feira, 12 de julho de 2018

Malagráfica '18


 No final do mês de Abril, juntei a família e rumámos  ao Sul de Espanha e após uma breve passagem por Cordoba, fomos para Málaga onde iria ser formador na Malagráfica. Ao chegar à Plaza del Obispo, já muitos estavam a beber e a desenhar a imponente catedral da cidade.
  

A conversa era muita mas curiosamente ninguém parava de desenhar! Todos falavam uns com os outros e desenhavam em simultâneo! Eu que pensava ser um desenhador compulsivo tive de repensar o meu estado e concluir que afinal há casos piores que o meu. Para não  destoar, continuei a desenhar ao mesmo tempo que pensava "Estes Espanhóis são loucos..."


Aqui, num dos poucos desenhos que fiz durante os workshops, uma parte da Plaza de la Merced num divertido workshop com a Maru Godas e Jorge Arranz. Para além de excelentes instrutores são pessoas fantásticas  e o Jorge tem uma história de vida absolutamente incrível e se tiverem hipótese de ir a uma conferencia com ele, não percam a oportunidade! 

Depois do festival chegar ao fim, a cidade de Málaga merecia a nossa permanência e para tal, alugámos um apartamento em pleno centro histórico e continuamos mais uns dias para absorver tudo o que esta bela cidade oferece. Neste dia convidámos o Sílvio a jantar conosco que levou o vinho e uma boa dose de conversa. Para além de ser sitio para voltar, eu arrisco a dizer que vivia lá de bom grado. É uma cidade incrível e que superou todas e quaisquer expectativas que eu tinha... 

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ponte de Lima à Noite

Numa breve (um dia e meio é mesmo pouco...) passagem por Ponte de Lima, há sempre tempo para um desenho ou dois. Confesso que antes destes esquissos, há muito que não desenhava na mais bela Vila de Portugal e que é, desde que me juntei com a minha mulher, a minha segunda casa e que me acolhe sempre bem. Nas margens do Lima, que estava um autêntico espelho, deu para desenhar bem rápido a Igreja de Santo António do lado de Arcozelo bem como a famosa Ponte Romana, ou ponte velha para quem lá vive.  

Depois de uma visita rápida à feia do Cavalo, uma passagem rápida pelo Bar Girabola para estar com familiares que só vemos uma ou duas vezes por ano. Este é o meu sítio preferido do Norte para beber um copo. A famosíssima "rampinha" dos bares que durante as Feiras Novas nem conseguimos ver o chão de tanta gente que acolhe. Aqui bem mais calma, num ambiente ideal para desenhar e testar uma caneta que me ofereceram e que nunca me tinha despertado a atenção, Faber Castell Pitt Sanguine 188. Ideal para quando queremos os nossos desenhos a explodir de cor...

terça-feira, 3 de julho de 2018

Carrasqueira, Porto Palafítico

Num fim de semana destes, quando ainda estava um tempo de Verão, fui mais a família até ao Carvalhal, para uma das minhas praias preferidas da Costa Alentejana. Numa breve passagem pelo Porto palafítico da Carrasqueira que é bem perto, deu para desenhar um pouco aquela pequena maravilha que se degrada a uma velocidade incrível... 

Já não ia ali há vários anos mas a magia do local continua intacta, apesar de ter muitas mais pessoas (turistas) que há 10 anos atrás. Gostaria de ter feito mais, mas com família é sempre mais complicado. Sai de lá muito satisfeito e fui lanchar choco frito e umas gambas porque com tanto barco de pesca, eu e a mulher ficámos com desejo de petiscos oriundos do mar... 

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Copos e Bifanas nas Pichas Murchas

Durante a longa subida Baixa - Graça, eu, o Pedro Loureiro e o António Procópio tínhamos de fazer uma pequena paragem para reabastecer de cerveja... Com o Largo de São Tomé à vista, a derradeira subida da Cç. da Graça era impossível sem antes bebermos uma fresquinha. O Largo das Pichas Murchas estava alí mesmo à mão com uma esplanada improvisada e uma TV a dar a bola. o que era para ser uma breve paragem, demorou uma hora e depois de duas bifanas e algumas cervejas lá continuamos caminho para acabar a noite em grande com o workshop Night Sketching em Lisboa.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Largo Duque de Cadaval

Mais uma vez, aquele recanto entre o Rossio e o Largo Duques de Cadaval é o motivo de desenho enquanto tomo café depois de almoço...

segunda-feira, 25 de junho de 2018

The Typical Neighbourhood

The Typical Neighbourhood é a 5ª aula de verão do curso anual de Urban Sketchers 10×10 Lisbon. ATENÇÃO: Irá ser na quinta-feira, dia 28 de Junho (e não na quarta-feira como inicialmente previsto).


O foco desta oficina serão as interações humanas num bairro típico de Lisboa. Na companhia de Pedro Alves, um nativo da Graça, e de Pedro Loureiro, um turista na Graça, Iremos fazer uma série de exercícos que nos vão preparar para desenhar multidões, pessoas em movimento e histórias interpessoais.

A oficina The Typical Neighbourhood irá ter lugar no Largo da Graça, em Lisboa. Encontramo-nos em frente à Estação dos Bombeiros.

Torres Vedras - Araraquara V (FIM)


Dia 27 de Maio, pelas 8:00 voltámos à Fazenda do Salto Grande para terminar em nota alta o Encontro Internacional de Desenho de Rua. Uma vez que já tinha desenhado parte do património construído na passada semana, desta feita, eu e o António Bártolo quisemos registar o património  Natural que inclui um rio que passa mesmo no centro do local e que contém uma cascata que dá o nome ao mesmo, Salto Grande. Depois disso foi tempo de descansar porque no dia seguinte esperava-me uma viagem de 10 horas de avião + 3 horas de carro até ao aeroporto. 
Nesse longo intervalo de tempo, foi mais que suficiente para terminar alguns desenhos, revisitar outros anteriores e chegar a conclusão que já não iria voltar a ver as pessoas e os locais que foram a minha casa nos 12 dias que passaram. Se bem que a saudade de casa era bem mais forte, não pude deixar de ter aquela sensação estranha que a vida a que tão bem me acostumei, as pessoas maravilhosas que conheci, dificilmente as iria reencontrar tão cedo. 


Quando no altifalante anunciavam que o embarque para o AD8750 com destino a Lisboa, estava iminente, foi tempo de fazer o último registo desta viagem, o A330 da Azul que nos voltou a transportar de volta a Portugal. Estes dias passados no Brasil não foram apenas mais uma viagem mas sim uma experiência cultural muito enriquecedora que se não fosse a convite do artista Lauro Monteiro (baptizado de Embaixador desta conexão cultural) nunca teria a oportunidade de experienciar... O meu muito obrigado à Câmara Municipal de Torres Vedras por nos possibilitar esta viagem; à Prefeitura de Araraquara e à cidade em geral e suas gentes que tão bem me receberam, sempre com um sorriso e alegria contagiantes; aos meus companheiros de viagem: André Baptista, António Bártolo, Olga Neves e Cátia Candeias pela camaradagem, troca de conhecimentos e o cimentar de amizades que irão perdurar certamente; ao USk Araraquara, ao Joel e Madu, pela amizade e coragem de divulgar o movimento USk num ambiente que ainda resiste bastante a esta prática; a Casa do Pinhal e ao Novo Hotel Municipal pela arte de bem receber;  à Daniele, Daniel, SESC e à UNIARA pelo apoio sempre presente; e a todos vós que foram acompanhando esta série de posts e que desta forma também viajaram comigo. Muito obrigado a todos! Por todas as razões já mencionadas, adorei toda esta experiência, espero que tenham gostado também. Até uma próxima Araraquara, decerto irá haver oportunidades para um regresso! 

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Torres Vedras - Araraquara IV


Após uma semana intensa de workshops de Sol a Sol, desenhei muito pouco mas irei revelar num futuro post alguns dos apontamentos que fui fazendo durante esses dias. Após todo esse cansaço (do bom) chega o esperado Fim de Semana e a  continuação do Encontro de Desenho do USk Araraquara. Sábado de manhã, voltámos a acordar cedo para desta feita rumar à Casa do Pinhal, a fazenda onde o André esteve em residencia artistica durante to da a semana. Apesar de ser Outono a caminho do Inverno, o Sol queimava e 28º é a temperatura que Portugal queria ter tido em Maio... 
A Fazenda é um lugar mágico onde cada recanto merece ser desenhado, sendo que não me vou alongar neste assunto que o André tão bem relatou nos seus posts. Após a sessão de desenhos, o Brunch! Foi sem dúvida um dos melhores que já tomei, dada a qualidade da comida e o fantástico cenário. Não desenhei porque a comida estava óptima e enquanto há comida, não há desenhos ;) 

Depois de voltarmos à cidade, eu, o António e a Cátia (os únicos Portugueses resistentes em Araraquara) aceitámos o convite dos nossos amigos Araraquarenses e fomos até ao Açaizeiro para comer uma taça gigante de Açai com uma vista fantástica para a rua amarelada pelo por do sol. As cores do por-do-sol em Araraquara são como as de Torres Vedras x 10. Os amarelos e as sombras púrpuras são lindas de morrer e não, eu não consegui colocar isso no papel. Como diz o António, se vamos lutar contra a Natureza, perdemos sempre...

Para terminar a noite e porque no dia seguinte íamos acordar bem cedo para o Encontro de Desenho, fomos com os nossos amigos para a Casa Bersanetti, o bar muito castiço na mesma rua do Açai. Petiscámos e bebemos à brasileira devidamente instruídos pelos locais, numa divertida saída pela noite de Araraquara, que seria a última antes de rumar a Lisboa...

Continua...

Mais desenhos aqui: intervalosalmoco.blogspot.com/2018/06/torres-vedras-araraquara-iv

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Torres Vedras - Araraquara III

Depois da manhã passada no Assentamento da Bela Vista, era altura de regressar à cidade pelo mesmo caminho cheio de altos e baixos que mais parecia uma ida às Berlengas em dia de tempestade. Ainda bem que não almoçamos antes porque caso contrário, o interior do "ônibus" não teria ficado muito bem de saúde, assim como os seus ocupantes... 
À tarde rumámos ao teatro municipal de Araraquara que estava em processo de restauro e como tal, interditado. No entanto o seu exterior Neo Brutalista tinha todos os motivos para serem desenhados, de todos os ângulos e mais algum. Dei aqui um mini workshop de como simplificar as formas deste complexo conjunto a fim do nosso cérebro não "fritar" enquanto tentamos organizar o encadeamento do nosso desenho. 

No dia seguinte começavam os workshops da semana e eu até tive uma 2ª feira bem descansada onde apenas dei uma palestra para os professores locais em conjunto com a minha colega Olga Neves. Um ambiente bem descontraído onde falámos sobre o ensino em Portugal e os problemas que temos ao lidar com os alunos. Diferentes da realidade/escala brasileiras mas ainda assim, todos se mostraram surpreendidos por não serem os únicos a pensar que só ali é que existem problemas e carências na educação. Da parte da tarde, juntámos um pequeno grupo e fomos para a Praça Pedro Toledo desenhar numa divertida sessão liderada pelo António Bártolo que fez uma demo de aguarela para todos nós. Por entre o arvoredo, fios e telhados, a Igreja Matriz eleva-se dominante à medida que o sol descia (bem cedo, as 18h já era noite!) 

A noite fomos para o auditório da UNIARA ( Universidade de Araraquara) onde iria dar início à XXI semana da Arquitectura e do Urbanismo liderada pela Prof. Dra. Sálua Kairuz coordenadora do curso de Arquitectura e Urbanismo (à direita com o microfone). A palestra inicial foi a do André Baptista que na condição de arquitecto da Câmara Municipal de Torres Vedras e coordenador do projecto de recuperação da Encosta de São Vicente, foi falar dos desafios de como levar a cabo um projecto desta envergadura e a importância do desenho à mão como ferramenta de análise e projecto de todo este processo. As imagens de Torres Vedras que iam passando nos slides acentuavam ainda mais as minhas saudades de casa, que estava bem longe há quase 5 dias...

Continua...

Mais história e desenhos AQUI

terça-feira, 12 de junho de 2018

Torres Vedras - Araraquara II

 ...No dia seguinte bem cedo, apanhámos o "ônibus" até ao Assentamento da Bela Vista. O equivalente em Portugal a uma AUGI (Área Urbana de Génese Ilegal) mas no campo, iniciado pelos trabalhadores sem-terra das grandes culturas locais. É um povoado organizado dentro da sua aparente desorganização espacial e acima de tudo, é um local honesto que não tenta parecer algo que não é. A autenticidade e simplicidade do lugar e das suas gentes é nos presenteada assim que damos os primeiros passos na rua de terra batida e tom avermelhado. 

Depois de uma mini-palestra do André Baptista sobre o Lugar e o Património e como os podemos transportar para os nossos cadernos, foi tempo de fazer uma rápida visita pelo local e despojarmo-nos de preconceitos para o podermos desenhar em conformidade. Somos atraídos por uma ruína à distância que nos convida a desenhar e mais ainda porque a nossa anfitriã efectivamente nos convida a ouvir a grandiosa história daquele casarão que testemunhou glória, riqueza mas também pobreza, sofrimento e ausência de direitos. Já lavada em lágrimas (genuínas e comoventes), Silvani tocou no assunto mais discutível dependendo da nossa visão política: "normalmente as pessoas vêm cá para conhecer a história do poderoso dono das terras, a história da família e do casarão, dos negócios e da política e esquecem-se do essencial - os escravos e os sem-terra que muito sofreram nas mãos dos senhores"  Aqui, e deixo a ressalva de compreender a 100% as lágrimas sofridas da Silvani, não posso deixar de opinar com algum lado de direita que houve mérito numa pessoa que largou tudo e investiu o que tinha e não tinha para construir tudo aquilo e dar trabalho a outros... No fundo é tudo uma máquina que precisa de engrenagem e uns não podem viver sem os outros e vice-versa. Se há trabalhadores a lutar por melhores condições é porque primeiro surgiram postos de trabalho e isso também é louvável. 

A vista sobranceira para os campos de café que outrora presenciaram os abusos descritos acima não deixa de ser notável e só nos restava pensar no Poderoso Barão a observar os seus escravos e a dizer para o seu herdeiro: "Filho, um dia, tudo isso será seu..." Este desenho foi feito na companhia do António Bártolo que para além de ser prodigioso no seu talento, é um mentor fantástico que nos dá sempre uma dica ou outra que fazem realmente a diferença e tudo isso com grande generosidade. Juntamente com o Simon e o Nelson, estes dias iniciais foram  no mínimo hilariantes e mega descontraídos! 

Diz a lenda que este casarão está assombrado e isso tem atrasado a sua recuperação (para além do assombramento mais comum, a falta de fundos) e na verdade, quando tirei fotos desta perspectiva para acabar a cor mais tarde, reparei que a foto estava com uma anomalia de luz num dos cantos. A Silvani veio a confirmar que todas as fotos que se tiram deste casarão são invadidas pelo tal fantasma! Sim... tirei uma foto a um fantasma, mas não o desenhei que aqui so entra quem eu quero... 

Pouco antes do final do Encontro, pude desenhar no meio da rua uma vez que os carros eram poucos, (passaram dois por mim em 15 minutos de linhas) enquanto conversava com alguns moradores que iam passando por nós com a natural curiosidade de ver o que estávamos a fazer. As conversas passavam sempre pelos problemas do país e da localidade e o espanto das pessoas quando eu "ripostava" que em Portugal também temos alguns desses mesmos problemas. O ar surpreendido e algum descanso era comum a todos, por perceberem que não estavam sozinhos no mundo e que muitas mais pessoas (infelizmente) têm problemas semelhantes. Tudo isto com o sotaque Brasileiro porque se eu falasse em PT-PT ninguém percebia absolutamente nada...

Continua...

Publicado também aqui: http://intervalosalmoco.blogspot.com/2018/06/torres-vedras-araraquara-ii.html

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Torres Vedras - Araraquara I


Em Novembro passado tinha recebido um convite especial do Lauro Monteiro, o de integrar uma comitiva Torriense para rumar até Araraquara, no estado de São Paulo, Brasil, a fim de continuar com a parceria político-cultural que tem juntado as duas cidades nos últimos 4 anos, na altura em que o Projecto Arte ao Centro quebrou fronteiras e navegou o Atlântico. Ás 8:00 de 17 de Maio, eu carregava um misto de emoções ao rumar para o Aeroporto Humberto Delgado. Se por um lado estava entusiasmado pela ideia de conhecer outro continente, outro país, uma cultura diferente e ir para um lugar longe da pressão turistica; Por outro estava nervoso e já com saudades de casa e da família. Iriam ser 12 longos dias sem a esposa e a filha e isso corroía-me por dentro à medida que o A330 da Azul se afastava de terras Lusas. Desenhei o que pude com a pouca vontade que tinha: O André ao meu lado fazia o mesmo com um semblante carregado e cansado tal como eu estava; A Olga ao meu lado fazia o que eu gostaria de ter feito, dormir que nem uma pedra; A Cátia explorava o que o seu telefone lhe permitia em "Flight Mode"... 


Após um combinado de 18 horas de viagem, só deu tempo para comer uma sopa e ir directo para minha cama na minha morada dos próximos tempos: Araraquara. No dia seguinte, após montarmos a exposição dos artistas de Torres Vedras na Casa da Cultura, eu, o António Bartolo, o Simon Taylor (Curitiba) e o Nelson Polzim (Rio) fomos para a Praça da Matriz para fazer uns riscos. O que me espanta nesta cidade tal como em muitas cidades Brasileiras, são os cabos de electricidade/telecomunicações, com uma espessura de "fiamento" que por vezes ultrapassava 1 metro! As sombras que toda aquela parafernália projectava nos edifícios no final de tarde, era qualquer coisa de fantástica e isso era algo que eu teria de desenhar.  


A Igreja Matriz surge na praça, pelo meio de uma mini Selva Urbana e quase que fora de escala, pois a sua dimensão VS largura da Praça são do mais desproporcional que já vi. Claramente uma construção nova sobre uma pré existência que tal como se faz em Portugal, deita abaixo edifícios icónicos lindíssimos para dar origem a elementos de gosto enfim, duvidoso... Ainda assim, uma imponência destas tornada ex-libris da cidade, era algo que não poderia faltar no meu caderno. 


No dia seguinte acordámos bem cedo para o inicio do Encontro de Desenho de Rua (acho esta expressão nacional bem mais elegante) onde os participantes iriam fazer "croquis" do Parque do Pinheirinho, bem longe da confusão da cidade. Fomos baptizados (mesmo...) por uma tempestade tropical, com uma chuva vinda de umas nuvens como eu nunca tinha visto antes, pelo que tivemos de nos abrigar para ver o Mestre António Bartolo em acção na sua primeira demo/workshop. A água caia com uma força desmesurada que nem o abrigo chagava para nos proteger devidamente. A areia em torno do lago depressa virou terra cada vez mais encarniçada que volta e meia reflectia o céu branco e cinza. 



À primeira aberta, fugimos para a capela mas nem assim conseguimos escapar ao frio e algumas gotas de água que insistiam em cair sobre todos. Desenhei aqui o que era possível ver, o arvoredo e algum mobiliário urbano na distância. 


Depois de almoço e quando a chuva deu tréguas, fomos até a belíssima fazenda do Salto Grande onde orientei um rápido workshop/encontro de desenho demonstrando a técnica que costumo usar de poucas cores e altos contrastes. Aqui desenhei um dos casarões que outrora hospedava barões de café e hoje hospeda os milionários que estão dispostos a pagar milhares de Reais por dia. 

Continua... 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Night Sketching Workshop - Lisboa à Noite



Have you ever danced with the devil in the pale moonlight?
~ Joker de Tim Burton

A maioria dos desenhadores disfrutam das suas cidades durante o dia, quando as vistas são límpidas, as sombras são definidas e as cores são vívidas. Mas quando a noite chega, começa um novo desafio.



Desenhar a cidade à noite é fácil por um lado, e desafiante por outro! A parte fácil é que a paleta cromática fica reduzida a duas cores, trés no máximo. A simplificação do que se vê - linhas, formas e cores - é fulcral.



O desafio é ser preciso na reserva do branco do papel. Com aguarela não há retorno - no máximo, conseguimos remover algum pigmento em alguma área mais bem iluminada. Os focos de luz, o brilho da iluminação pública, as superficies reflectoras, são escassas e vitais para o sucesso de um desenho noturno.



Os Pedros (o Alves e o Loureiro), no seguimento do sucesso dos seus workshops nocturnos em Torres Vedras, Lisboa e Sintra, vão regressar à capital para orientar um Workshop de desenho nocturno no centro histórico, no miradouro da Graça. Vamos captar a beleza nocturna de Lisboa nos nossos diários gráficos, partilhando técnicas, truques e experiências de como desenhar à noite.

Graças a um generoso apoio do fabricante alemão Hahnemühle, todos os participantes irão receber um bloco de 20 folhas de papel de aguarela Expression, 100% algodão grão fino, 24x30cm, 300gsm.


22 de Junho (sexta-feira) das 21:00 às 00:00
Mínimo 8 participantes - Máximo 20 participantes
Pedidos de informação, preços e inscrições até 20/06 para email stillsketch.tvedras@gmail.com (Pedro Alves) e/ou pedro.mac.loureiro@gmail.com (Pedro Loureiro)
Esperamos por vós, até lá.