Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


Neste blogue só se publicam desenhos feitos de observação e no sítio

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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Grão a grão...

Oiço muitas vezes "Não tenho tempo" como desculpa para não se desenhar. Para mim ter mais ou menos tempo implica a escolha da temática do desenho mas, o "não desenhar",  não é encarado como opção. Se tenho duas horas sou capaz de me aventurar a desenhar o Convento de Mafra. Se tenho poucos minutos desenho pessoas. As pessoas mexem-se. Não vale a pena estar com grandes rodeios. Se captaste captaste. Se não passas para o próximo. Esta serie de desenhos foi feita no mesmo café em vários dias, logo pela manhã, antes de ir trabalhar, enquanto bebia o meu café. Nalguns dias preenchi uma dupla página. Noutros, que estava sem tempo, desenhei um pessoa (1 minuto). Assim há paginas que têm várias pessoas desenhadas em dias diferentes. Estes minutos são para mim sagrados porque me sinto mais confiante para começar o dia de trabalho.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Desporto Escolar - Surf

Este ano o desporto escolar tem na praia do sul (Ericeira) um abrigo para guardar material. Este abrigo já foi muitas coisas. Há muitos anos atrás foi um bar. Contaram-me que nessa altura, quando o mar estava bravo, as ondas entravam pelo bar. Era preciso esperar pela pausa das vagas para se entrar e "fugir" para o primeiro andar. Era sem dúvida uma noite diferente. E fico aqui a pensar como seria a saída do bar.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Senhor Manecas

O senhor Manecas começou a trabalhar com quinze anos. Abriu a loja em 1964 e assim a manteve até hoje na Rua José Elias Garcia em Mafra. Disse-me, com os seus oitenta e seis anos, que está na altura de se reformar. Mas na prática continua a abrir todos os dias. Não é só uma relojoaria, é uma vida de memórias. Quando viu o desenho disse-me que não estava parecido, mas como o tinha feito mais novo, estava perdoado.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Jogo da Bola

Se formos à Ericeira e perguntarmos pelo Largo da Princesa Dona Amélia poucos saberão onde fica. Poderemos tentar Praça da Republica e talvez tenhamos um pouco mais de sorte. Mas se perguntarmos pela Praça do Jogo da Bola toda gente sabe onde fica. Este é o nome mais antigo da praça central da Ericeira e conseguiu resistir às toponímias da Monarquia e da República. O nome provem de um antigo jogo em que se atirava uma bola pequena para tentar derrubar um conjunto de palitos dentro de um quadrado, uma mistura de petanca com chinquilho (o jogo da ferradura).
Hoje estava tudo calmo mas já assisti aqui a um concerto do António Zambujo em que me senti sardinha em lata.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Igreja de Santo André

Quem vem a Mafra visita o Convento e segue viagem. Mas Mafra tem outros recantos muito interessantes. É o caso desta igreja medieval. Localiza-se na vila velha numa zona onde outrora existiu um castelo. É um local calmo e aprazível. Quando quero fazer um desenho calmo e descontraído passo por lá.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Quando chove bebo mais café

Os dias continuam chuvosos. O tempo livre é passado a marcar bons locais para desenhar. Nesta altura do ano são as pastelarias, que também estão quentinhas, a escolha preferida. Como o objetivo é desenhar acabo por pedir um café que se toma rápido. O resto do tempo é passado a cumprir o objetivo. Neste caso aproveitei que a Rita estava na explicação, para dar um saltinho até ao centro de Mafra. Gosto da ideia de desenhar um buraco no papel (a porta) e ser este o ponto de abertura para o mundo registado.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O regresso da rotina

Mafra acordou numa sopa de nevoeiro. Apesar disso consegue-se sempre encontrar uma boa montra para desenhar. Depois de deixar as miúdas na escola fui beber o meu café. O café foi escolhido por ter esta janela enorme. Como já disse antes esta é a melhor forma de começar o dia: Desenhar!



domingo, 26 de novembro de 2017

Inverno???

Começa a ser estranho ver esta imensidão de azul da Ericeira numa altura em que se pensa também nas castanhas, na árvore de natal e no presépio. É que nem está muito frio. Não me admirava nada se este ano aparecesse por aí um fato de banho de natal como presente.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Mafra

No passado fim-de-semana tive oportunidade de ir até Mafra e desta vez levei os cadernos atrás.
Confesso que nunca desenhei tão depressa. Tive entre 5 a 10 minutos para rabiscar porque não queria fazer esperar quem me acompanhou.
A pintura de aguarela, essa já foi nas calmas, durante o almoço.
Faltou-me fazer o desenho da fachada do Palácio de Mafra. Fica para uma outra vez (quando lá for com calma e tempo para desenhar)


Enfermarias do convento


um dos órgãos dentro da basílica
chaminé na cozinha da enfermaria
macaca de construção
uma das cadeiras dos aposentos da rainha
a coruja Popas que é uma fofuraaaaaaa e que fazia parte de um conjunto de aves com quem poderíamos tirar uma foto cujo valor revertia para uma associação de protecção de aves de rapina (não imaginava que existissem tantas raças na zona de Mafra)


sábado, 18 de novembro de 2017

Concerto evocativo do Lançamento da 1º Pedra

Este ano comemoram-se os 300 anos do início da construção do Convento de Mafra. Houve vários festejos e atividades que culminaram ontem dia 17 com um concerto a evocar o lançamento da 1ª pedra na construção da Basílica. Foi um concerto memorável com os seis orgãos a tocarem em conjunto com o coro Voces Caelestes um programa do sec. XVIII escrito na altura para serem tocados aqui.

E se no primeiro desenho o concerto ainda não tinha começado. Fui-me perdendo nas linhas enquanto era feita a apresentação do programa e os últimos se sentavam. O segundo desenho, feito depois do início do concerto, deixa transparecer uma sensação de elevação. E não fiz mais nada. Deixei-me estar ali a ouvir retendo aquela sensação de leveza.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Mafra. Não Vamos esqucer.

Passados vários dias ainda se sente o cheiro intenso e adocicado do carvão molhado. Enquanto desenho uma casa ardida e isolada que me impressiona, chega um carro. Sai uma senhora, agente imobiliária, e um casal de estrangeiros visivelmente entusiasmado.
Cela va d'ici à ces eucalyptus là-bas!
Ah, bon... Mais ces arbres là ,appartiennent toujours? Oui?! Oh, c'est très bien...
Inexplicavelmente, experimento um profundo sentimento de traição.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

sábado, 26 de agosto de 2017

NARK em Mafra

Nark pinta orais fantásticos. Podem ver a sua obra aqui. Atualmente está a fazer em Mafra um mural espetacular sobre os 300 anos do Convento de Mafra. Estive à conversa com ele antes de subir aos céus. Fico nervoso só de me imaginar lá em cima. Aquilo é mesmo alto. Não perdi a oportunidade de registar o momento e de aproveitar para brincar com a perspetiva mas com os pés bem assentes no chão.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

dia do saloio antecipado

o dia do saloio é hoje, dia 15, mas foi vivido ontem
Saímos de casa com destino à Praia das Maçãs. Seguimos rumo a Mafra, fugindo das autoestradas e das  vias-rápidas. Queríamos mostrar à pequenada algumas das aldeias típicas da região saloia, explicar-lhes como viviam e qual o significado da palavra saloio, longe dos preconceitos e das barbaridades que lhes vão "ensinando".
Apesar de se encontrar na zona limite e de alguns iluminados tentarem "apagar esse facto histórico", Torres vedras também se encontra na zona saloia, assim como Alenquer, Amadora, Arruda dos Vinhos, Cadaval, Loures, Mafra, Odivelas, Sintra e Sobral de Monte Agraço. A região saloia, era no fundo a região que alimentava Lisboa, desde os víveres, ao pão. Era sobretudo o pão, a principal fonte de rendimento desta região. Foi esta produção que marcou a paisagem rural, através da construção de azenhas e de moinhos, visíveis ainda hoje.
 Os homens dedicavam-se sobretudo ao campo (camponeses), já as mulheres trabalhavam de dia e noite, com a lida da casa, a cuidar dos filhos, a ajudar os maridos no campo e como se não bastasse, ainda lavavam a roupa das "senhoritas de Lisboa". 
Desses tempos, restam-nos os moinhos, a maioria em ruína e algumas casas típicas. Já me esquecia, o belo e saboroso pão saloio...  Muitas aldeias chegaram a ficar sem qualquer habitante, como a aldeia de Broas ou a Aldeia da Mata Pequena (Mafra). Esta última ganhou uma nova vida ao ser adquirida (quase na totalidade) por um jovem casal, tornando este espaço num aldeamento turístico, aberto ao público, mantendo o espírito de uma aldeia: rua pública, cães, gatos, galinhas, porco, patos..etc...
A paisagem é de postal e eu não resisti a fazer 2. Confesso que não é o tipo de desenho que aprecie, mas deu-me enorme prazer a fazer estes dois desenhos. Pelo tempo que demorei, pela companhia, pelas conversas que ouvi, pelo som dos animais, mas sobretudo pelo silêncio e pela paz que ali sentimos.



Dali seguimos para a Praia das Maçãs, deixando pelo meio Cheleiros.

Na Praia das Maçãs, o tempo estava nublado. Nada que nos assuste, ou não estivéssemos habituados a Santa Cruz.

Assim que o sol começa a mostrar o ar de sua graça, vou para a esplanada onde faço esta espécie de desenho.


15h Apanhámos o eléctrico até Sintra.

Já me tinha esquecido como o percurso é bonito. Na ida e na volta, para além da beleza da paisagem, o que mais me marcou foi a quantidade de casas abandonadas e em estado de ruína. Casas de veraneio, iguais a outras tantas que vão-se repetindo pela costa, mas que as árvores desta zona as tornam únicas.

Sintra estava como Lisboa e Porto, cheia de turistas. 
No eléctrico não deu para desenhar, mas em Sintra, apesar do cansaço ainda houve tempo para um rabisco rápido.




domingo, 30 de julho de 2017

2 Cavalos no Concelho de Mafra

Terminou hoje o evento que espalhou 2 cavalos por todo o Concelho de Mafra, apesar do epicentro ser junto ao Parque de Campismo da Ericeira. Hoje houve um desfile em Mafra que terminou com o estacionamento de todos os participantes frente ao Palácio Nacional de Mafra. No interior do Palácio também estavam estacionados vários modelos. Com tantos carros as escolhas foram absolutamente aleatórias e subjetivas. Imagem o meu frenesim interior a desenhar um carro e a piscar o olho ao seguinte. Mas tive ajuda da Dina e da Inês Fereira que também desenharam alguns. Muitos parabéns à organização.



sexta-feira, 28 de julho de 2017

Da floresta portuguesa e da natureza domesticada

 A artificialidade cansa-me (e às vezes desgosta-me até) e por isso refugio-me em locais onde ainda há vestígios da natureza ibérica mais autêntica.

Ramo de castanheiro com ouriços

Aqui perto da cidade onde vivo encontro um desses refúgios - a Quinta Nova de Queluz. Tem uma diversidade apreciável de espécies vegetais, incluindo muitos sobreiros e medronheiros, os maiores pilriteiros que já vi, um par de carvalhos-alvarinhos e um castanheiro, que depois de ter secado no tronco e nos grandes ramos, rebentou cheio de força: nas varas que brotaram da terra agora exibe ouriços a amadurecer. Gostava que a "gestão" florestal deste espaço fosse mais eficaz a defender as nossas árvores, mas infelizmente as intervenções de "limpeza" acabaram por favorecer a invasão por acácias e por isso uma das áreas mais bonitas e selvagens da quinta transformou-se radicalmente nos últimos quatro anos.

Bagas de pilriteiro


Depois, na semana passada estive a explorar a Tapada de Mafra durante dois dias e o javali foi o tema a que consegui dar mais atenção. Na parede da sala do pequeno-almoço uma grande cabeça espreitava-nos. Visto de lado podia parecer-nos um animal feroz, mas olhando-o nos olhos postiços, podíamos adivinhar que afinal talvez fosse só um porquinho peludo e brincalhão.



Javali caçado na Tapada de Mafra

Lá fora, percorremos a ribeira, que se manterá seca enquanto for verão, e no areão do leito encontrámos uma coleção de ossos de gamo e uma mandíbula de javali. Um tesouro cuja primeira peça foi encontrada pelo meu filho de quatro anos. E tudo o que precisámos de fazer foi caminhar ribeira acima em vez de seguir pela estrada.


Crâneo de javali encontrado no Pulo do Lobo (Mértola)


Às vezes basta mudarmos o nosso ponto de vista para encontrarmos qualquer coisa maravilhosa, que nos escaparia se nos mantivéssemos a olhar o mundo a partir do sítio do costume. :)

Finalmente, esta semana, chegou uma pequena cadelinha a casa dos avós. Exausta com a transição para a sua nova morada, fez a primeira soneca e aproveitei a oportunidade para ajudar a povoar de sangue quente o meu caderno habitualmente repleto de vegetação. Apresento-vos a Irina.


Irina recém-chegada


Se acham que, para variar, gostariam de ser sketchers sem urban, por três dias vou estar em retiro de field sketching e tenho vagas para quem queira alinhar, a 4, 5 e 6 de Agosto em Tramagal. Vamos começar no meio de vinhas domesticadas, depois percorrer uma ribeira selvagem e finalmente olhar o Tejo a partir de Tramagal (Abrantes) no lugar onde natureza e civilização se encontram.

Para mais informações podem espreitar:
http://velhadaldeia.blogspot.pt/2017/07/retiro-de-desenho-e-aguarela-2017-45-e.html
https://www.facebook.com/events/2002123253407210/


Chão da Ribeira, Madeira

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Encontro mundial de dois cavalos

Este fim de semana acontece na Ericeira na praia de Ribeira d'Ilhas o Encontro Mundial de dois cavalos. Há citroens por todo o conselho. Não é difícil encontrar um para desenhar. Este estava junto ao Convento de Mafra. É Alemão. Quando o seu dono chegou ainda ia a meio do desenho. Disse-me que ia beber um café para eu ter tempo de o terminar. Quando regressou explicou-me que na Alemanha chamam a estes dois cavalos patos. Por isso colou um no capot.