Cheguei a Aljezur no Sábado, eram quase 6 da tarde, mesmo a tempo da fotografia de grupo. Pedi uma cerveja, e enquanto a bebi Portugal marcou dois golos, ainda antes do intervalo. Conversei animado com o Vicente e o Luís Ançã, enquanto o João tagarelava na mesa do lado, rodeado de fãs.
- "Vamos lá a juntar, todos para foto!"
Fiz-me de distraído, envergonhado por ter chegado àquela hora e não ter um desenho para mostrar.
- "Abre noutra página, uma qualquer, a gente não conta nada ao Eduardo..."
Abri o caderno num desenho do Encontro do Rés do Chão, ao longe parecia mesmo Aljezur, e assim também fiquei na foto. Seguimos para a pousada de juventude da Arrifana, onde íamos dormir nessa noite. Deixámos os sacos, tomámos um banho a correr e seguimos para a escola primária, hoje sede da Associação Tertúlia, que organizou o encontro e tão bem nos recebeu. Comemos frango com grão feito numa panela gigante, e estava óptimo. Trouxemos os pratos para o alpendre no antigo recreio, onde jantámos animadamente, antes das palestras do serão. Foram todas óptimas, sem excepção, mas a estória dos ténis Nike do José Louro, e os desenhos vagabundos do Pedro Cabral e do João Catarino, foram os meus favoritos.
Saímos depois da meia noite, ainda parámos num restaurante na borda da estrada, onde bebemos uma garrafa de vinho tinto do Dão antes de nos irmos deitar.
- "Amanhã acordamos às sete da manhã para ir dar um mergulho à praia, antes de irmos desenhar!", alguém disse, talvez eu.
Houve quem não falhasse nessa combinação, mas eu, que me juntei com más companhias, acordei mais tarde, e acabei por sacrificar uma manhã de desenhos para poder conhecer, finalmente, a praia da Arrifana. A tal praia que o João nos mostrou na noite anterior, em 20 anos de desenhos. Que bonita é a tua praia João, e que lata tens para pedires uma prancha emprestada àquela miúda Australiana, atrasada que estava para ir para Lisboa apanhar o avião...
Depois da praia almoçámos no mato, debaixo de um pinheiro, e abrigados de um sol abrasador. A vista, tal como o calor, tirava-nos a respiração. Desenhar paisagens "não é a minha praia", aliás, fiz apenas dois desenhos neste encontro, mas foi impossível não gostar da sensação vagabunda que o Pedro e o João tão apaixonadamente falaram naquela escola primária...