Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.


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domingo, 31 de dezembro de 2017







Desejo-vos o melhor para 2018 e deixo-vos com um poema sobre a minha cidade - Lisboa - de Sophia de Mello Breyner cuja poesia me toca profundamente. 

LISBOA


Digo:

«Lisboa»

Quando atravesso — vinda do sul — o rio

 E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse

 Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna

 Em seu longo luzir de azul e rio

 Em seu corpo amontoado de colinas —

Vejo-a melhor porque a digo

 Tudo se mostra melhor porque digo

 Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência

 Porque digo

 Lisboa com seu nome de ser e de não-ser

 Com seus meandros de espanto insónia e lata

 E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro

 Seu conivente sorrir de intriga e máscara

 Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata

 Lisboa oscilando como uma grande barca

 Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência

 Digo o nome da cidade

— Digo para ver


1977

In Navegações, 1983

4 comentários:

USKP disse...

Lindo!
Que bela maneira de terminar as postagens de 2017!
Feliz Ano Novo Helena!

Fefa

hfm disse...

Obrigada, Fefa, um Bom Ano para si e para os seus.

Pedro disse...

Mas que post tão simpático.
Bom ano também para ti. Com muitos desenhos e muitas palavras bonitas.

Rosário disse...

Bom Ano! Que bonita poesia da Lisboa que tanto desenhamos!