Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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segunda-feira, 24 de julho de 2017

ENcosta: As pessoas

Na visita guiada pelo André Batista compreendemos a dimensão social deste projeto. Eu e a Suzana estávamos muito ansiosos por começar. A seguir ao almoço subimos a encosta. Não levávamos planos. Fomos à descoberta. Eu à procura das casas vividas. A Suzana à procura dos rostos que nelas habitavam. A nossa primeira paragem foi na Loja. A Loja é um café/mercearia, o único deste lado da encosta. Têm duas portas. Uma dá para a mercearia, a outra para o café. Mas no seu interior o balcão é comum às duas. 
À porta há sempre alguém sentado pelo que a Suzana não perdeu tempo e perguntou a um Senhor se o podia desenhar: O Sr. Mineiro. O Sr. Cuxixo que já sabia ao que vínhamos, serenou o Sr. Mineiro que não estava a perceber porque raio alguém o quereria desenhar. Após as primeiras linhas tudo ficou mais fácil. O sucesso foi tal que no fim o Sr. Mineiro queria pagar à Suzana. E depois de muita insistência aceitámos um café. E é com este espírito de gratidão por estarmos ali, que fomos acolhidos, acarinhados e tratados como família. Ofereceram-nos fruta, inquietavam-se quanto estávamos ao sol e no final de tarde eu arranjava sempre um companheiro para uma cervejinha. Fomos muitas vezes convidados para entrar em casa como é o caso da Dona Aurora que mora na Rua António da Silva Hugo.
Subindo as escadas do lado esquerdo e virando à esquerda encontramos a Dona Aurora.
A Dona Aurora é mais um exemplo do tipo de pessoa que mora aqui. Com 91 anos transmite alegria e boa disposição apesar de se perceber que a vida não tem sido fácil. Vive no cimo da encosta pelo que se torna muito difícil descer até à cidade. Mas a cidade também vem até cá. Às Terças feiras a camioneta do Sr. Rui sobe a encosta com frutas e vegetais.
O desenho tem esta dimensão humana que aqui foi levada para um nível que nunca tinha sentido.
Quando no sábado me despedi ouvi um "até segunda". Já não éramos visitantes. Fazíamos parte do bairro. Enchi um caderno A4 de desenhos e estou a tentar agrupar e sintetizar esta viagem. Mas são tantas as histórias que se torna difícil. Amanhã vou contar a extraordinária história do Xico das medalhas.



8 comentários:

André Duarte Baptista disse...

Escreves tão bem, quanto desenhas. Simplesmente fantástico. Nem sei o que te diga. Parabéns

Bruno Vieira disse...

Já dava para um livro, bela história, desenhos fantásticos 😉

AB disse...

Transcendente? Trans...qualquer coisa? Não encontro a palavra certa mas é algo "trans"... Obrigado aos dois!

Suzana disse...

Tão bonita a forma como escreves, complementa tão bem os magníficos desenhos :)

Eduardo Salavisa disse...

Grandes desenhos com estórias muito bem contadas. Dava um belo livro.

Marcelo de Deus disse...

Cum cara...ças !!!

USKP disse...

Bonitos desenhos
Leonor Janeiro

Rosário disse...

Bem bonitos!