Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sardinhada solidária


Durante a celebração dos Santos Populares, os bairros da Lisboa velha são invadidos por centenas de milhar de pessoas, deliciando-se com música da boa, cerveja, bifanas e a tradicional sardinhada que anuncia o Verão como as andorinhas a Primavera.

No coração da Mouraria, os habitantes de um edifício organizaram uma sardinhada solidária para chamar a atenção sobre a sua situação dramática. Foi dada ordem de despejo às 16 famílias que lá vivem, pelo novo proprietário, que quer capitalizar o edifício como um produto de investimento. A Câmara Municipal implementa melhorias na infraestrutura, mas poucas medidas parecem prevenir que os actuais habitantes dos bairros antigos de Lisboa sejam despejados com possibilidades mínimas de manter os seus lares ou encontrar alternativas a um preço razoável. E assim, quaisquer melhorias na área acabam por beneficiar apenas o investidor.

Enquanto estes habitantes são mais activos no seu protesto - a acção atraiu a atenção de uma câmara francesa e alguns políticos locais - a sua luta não é, de longe, a única, já que o mesmo tipo de problema acontece um pouco por toda a cidade, nos bairros velhos bem como nos novos. O resultado dramático é que os preços de arrendamento ou venda se tornaram estratosféricos, tornando a habitação inacessível às populações locais, particularmente para aqueles que, como os inquilinos da Rua dos Lagares 25, viveram toda a sua vida na Lisboa velha.

9 comentários:

Pedro Alves disse...

Este é o post que todos os repórteres gráficos deviam ver. E nem era preciso tanto texto (apesar de estar óptimo), o desenho fala por si. Sou bastante sensível a este tema, uma vez que vivi a maior parte da minha vida numa Vila Operária da Graça, que tem vindo a sofrer este tipo de alterações e mais cedo ou mais tarde vai ter o mesmo desfecho deste pobre coitado na Mouraria. Lisboa é muito bonita e tal mas qualquer dia vira Museu, já ando a dizer isto há quase 15 anos. Devo ser vidente... ;)

Eduardo Salavisa disse...

Concordo com tudo. Com a qualidade do desenho (sabe a pouco), do texto e com o grande problema da saída dos lisboetas de Lisboa.

Isa Silva disse...

um belo desenho para chamar a atenção de um dos actuais problemas em Lisboa que, infelizmente, vai agravar-se :-(

nelson paciencia disse...

Grande post e desenho! Até mete nervos.

USKP disse...

Que desenho fabuloso!
Celeste Vaz Ferreira

Pedro Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pedro Ribeiro disse...

Pedro, este desenho é daqueles que enche as medidas a qualquer um e que faz qualquer iniciado nestas artes a querer chegar mais longe (apesar da frustração por se sentir tão aquém!).
O post em si é tremendo, cheio de relevância. Esperemos que seja lido por quem pode realmente agir e fazer a diferença.
Parabéns!

Mário Linhares disse...

O desenho é fabuloso. A reportagem também.
Os lisboetas estão a ser obrigados a sair e os que gostavam de entrar, não podem.
Enfim...

Pedro Loureiro disse...

Muito obrigado a todos!

Uma vez que a entrada no Castelo de São Jorge é a única coisa exclusivamente gratuita para os Lisboetas, era de ir tudo morar para lá com tendas e bagagens.

#occupycastelo