Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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domingo, 2 de abril de 2017

Norberto Dorantes no Jardim das Amoreiras

Norberto Dorantes
Este sábado tive o privilégio de ir a mais uma das oficinas de "Um ano a desenhar para o futuro 2017" na  Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, CASA-ATELIER.
Quando cheguei ao auditório já estavam alguns dos participantes. Norberto Dorantes chegou depois. Veio ter connosco, apresentou-se, perguntou quem éramos e o que fazíamos. Achei muito simpático da sua parte ter tomado esta iniciativa. Revela muito da sua maneira de ser. Uma pessoa afável com muita vontade de escutar o próximo. Para além disso demonstrou ser um excelente comunicador, partilhando de forma apaixonada a sua pesquisa sobre o desenho que começou à décadas. Ter oportunidade de o conhecer e escutar um pouco das suas motivações em relação ao que o leva a desenhar foi para mim muito gratificante. Uma nota de excelência para a conferência da tarde. Foi um privilégio poder estar ali.

A oficina
A oficina foi de uma grande riqueza. Norberto pediu-nos para desenharmos várias miniaturas do que víamos durante um minuto. Desenhos rápidos para captar a essência do lugar, numa explosão de expressão. Apesar de ter compreendido o que se pretendia fiquei bastante frustrado com o resultado. Tinha uma dupla página de riscos mas sentia que esses riscos diziam muito pouco. Tentei encontrar enquadramentos diferentes traçando retângulos com o lápis de cor  mas faltava qualquer coisa.
Na segunda parte da proposta de trabalho tínhamos de escolher um dos desenhos feitos e reproduzir o seu enquadramento num desenho mais demorado. Mas como fazer o segundo desenho com material vazio.
Decidi por isso voltar a desenhar as miniaturas. E compreendi que apesar de desenhar depressa, tinha de continuar a observar devagar. A rapidez do traço não pode prejudicar a qualidade  da observação. Eu aconselho vivamente a fazerem esta experiência. 
Depois de escolher o enquadramento para poder realizar o desenho na página contígua à miniatura comecei o meu desenho. 
No final notei duas coisas, pintei a página toda, algo que nunca faço e fiz um enquadramento muito pouco improvável para mim porque raramente dou ênfase ao chão. Mas este lugar é assim bucólico onde cada folha no chão dá a quem por lá passa uma sensação de abrandamento.

O desenho não é nada de extraordinário mas o que aprendi com ele é. E na minha opinião estas oficinas são muito ricas porque nos retiram da nossa zona de conforto e nos levam para lugares improváveis.




9 comentários:

Pedro Alves disse...

É um belo exercicio. Fiz este tipo de abordagens vezes sem conta nas aulas de desenho e curiosamente foi assim que comecei o workshop com o Pedro Loureiro. É a forma mais rápida de apanhar a essência do local e abordar as regras de composição. O teu desenho final ficou fantástico. As regras estão todas lá mas acima de tudo é um desenho solto e cheio de personalidade.

hfm disse...

Grande "post", António. Estou inteiramente de acordo com tudo o que dizes e senti que o Norberto se nos apresentou despojado de preconceitos e de vedetismo. Desde o Simpósio de Lisboa, onde o conheci, que o achei um bom comunicador, paciente e com uma capacidade de síntese óptima.

Do workshop, ao almoço e à conferência tudo me atraiu e tornou aquele dia marcante.

Manuel Tavares disse...

Obrigado pela partilha da tua experiência António. Este post é extraordinário!

teresa ruivo disse...

Gostei muito de teu resultado final.

Ketta disse...

Gosto muito destas páginas com rápidas "anotações" que mostram o processo até ao resultado final!
É como se diz "não basta olhar, é preciso observar".

Teresa disse...

Tudo muito claro, mesmo para quem não esteve presente no WS da manhã. Obrigada por esta partilha.

Celeste Vaz Ferreira disse...

Gosto francamente de tudo: texto e desenhos!
Bela reflexão!

José Louro disse...

Desenhar é ver, o resto são cantigas;) gostei muito deste post.

nelson paciencia disse...

Também gostei muito do teu post!