Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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sexta-feira, 3 de março de 2017

Sapatilhas vencedoras

Os campeões de outrora eram muito menos exuberantes. Sem redes sociais onde as imagens circulassem rapidamente a ditar tendências e estilos. Precisámos de zero posts para lembrar para sempre o Carlos Lopes, em 1984, a cortar a meta nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.  Até eu que quase não era nascida (era sim e já via televisão, mas ainda não sabia ler legendas). O Carlos Lopes era uma espécie de primo afastado de todos nós. Era da família.

Quem visita a exposição permanente do Pavilhão Carlos Lopes, reaberto ao público a 18 de Fevereiro deste ano, pode ver centenas de peças entre troféus, medalhas e equipamento desportivo, do acervo do atleta, e recordar o nosso querido maratonista: o primeiro 'medalha de ouro' português.

Vários pares de sapatilhas estão imortalizados em fotografias ou expostos em vitrines. O vencedor da medalha de ouro, na prova da maratona, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, esteve 2h9m21s com estas sapatilhas nos pés. Estas, são as sapatilhas vencedoras. São discretas, lindas, sofridas e desconfortáveis.

O recorde olímpico de Carlos Lopes só seria batido em 2008 nos Jogos Olímpicos de Pequim. Aposto que foi com umas sapatilhas óptimas cheias de câmaras de ar e sistemas de amortecimento.


2 comentários:

Celeste Vaz Ferreira disse...

Belo post, Rita!

nelson paciencia disse...

Óptimo post!
E um desenho cheio de significado. Recordo-me como se fosse hoje, tinha 9 anos, o meu pai entrar no meu quarto e do meu irmão, madrugada dentro a dizer:
"Se quiserem acordar e ver o Carlos Lopes ganhar a medalha de ouro, levantem-se e venham comigo para a sala".
E fomos, de olhos esbugalhados e espantados por podermos estar acordados aquela hora. Daí a cinco minutos essas sapatilhas eram as primeiras a passar aquela meta no estádio de Los Angeles.
Obrigado Rita por esse post, conseguiu emocionar-me e dar-me um arrepio na espinha, coisa tão rara nas nossas vidas aceleradas.