Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Os desenhos do Filipe Pinto

Conheci o Filipe Pinto naquele que foi, seguramente, um dos dias importantes da minha vida, o dia em que me tornei Urban Sketcher. Foi a 1 de Setembro de 2012, um Sábado quente de Verão, e a pretexto de um workshop de um (para mim) desconhecido Richard Câmara, que fiz os primeiros desenhos num caderno. Desde então que nos cruzámos muitas vezes, em workshops ou encontros, eu sempre com uma curiosidade de menino, a espreitar os cadernos do Filipe, e a perceber como ele, também como eu, andava a evoluir nisto dos desenhos em caderno.
Já o tinha comentado com alguém, mas nunca lho disse, fi-lo este Sábado no Museu do Carmo: 'eu acho mesmo que os desenhos são iguais às pessoas que os fazem'. Dei exemplos dos desenhos do Zé Louro e do Salavisa, que tanto admiro, e de como eles são iguaizinhos àquelas linhas. Alguém que conheça, por exemplo, o João Catarino, não entende que aquela poesia feita com pincéis é igualzinha ao sujeito? Como o Filipe, que tem desenhos como ele, pacientes, programados e silenciosos, mas afinal tão ricos por detrás daquelas linhas e aguarelas sem imperfeições. Dali não se espera uma coisa estouvada, nem no caderno nem na pessoa.

Desenhei e escrevi parte da palestra do Filipe, e coisas soltas do Museu do Carmo. 
Será que os meus desenhos também se parecem comigo?





10 comentários:

Procópio António disse...

Excelente reflexão Nelson. E sim os teus desenhos também se parecem contigo. Descrevem a importância que dás no contacto com o outro. São desenhos cheios de sentimento e emoção enquadrados com a palavra que tanto te diz.

João Santos disse...

Epah esta tua observação é fenomenal, adorei a dissertação. Na Psicologia há muitos exercícios de projecção em que o desenho é utilizado e depois estudado como fonte de conhecimento sobre o indivíduo, portanto acho que faz todo o sentido o que dizes.
De resto, falei contigo umas duas vezes e não é que assim de repente acho que os teus desenhos batem mesmo com a impressão que fiquei de ti, espontâneos e bem-dispostos. Mas assim sendo também deves ser torto :P
Já agora, estes são mais uns que estão muito bons, gosto sobretudo dos bustos!

Suzana disse...

Interessante esta tua observação e concordo tanto com ela, a forma como desenhamos diz tanto de nós e quando somos fiéis à nossa espontaneidade, está lá tudo!

Luis Gabriel Marques disse...

Gostei muito dos desenhos e do texto, fez-me pensar no primeiro dia em que me tornei um urban sketcher...

teresa ruivo disse...

O desenho como projecção do inconsciente...ui ui Nelson, cuidado..Olha que os teus têm muito que se lhe diga:)
Agora a sério: gosto muito de tudo!
(mas o primeiro parágrafo também foi a sério :D:D:D)

Eduardo Salavisa disse...

Não vás por aí. Cuidado com os psicólogos...

Fernanda Lamelas disse...

Diz-me como desenhas, dir-te-ei quem és... Também concordo que os desenhos revelam a personalidade de quem os faz! Os teus são sempre tão comunicativos e alegres, porque será?

Rodrigo Briote disse...

Mais um grande resultado desse encontro

José Louro disse...

Interessantes os desenhos, interessante este fórum que se estabeleceu aqui: este tema dava para uma dissertação. Concordo que o desenho, assim como uma data de outras coisas, reflete o seu autor. (Mas será que diria o mesmo se não conhecesse os autores)?
Amigo Nelson, abriste a caixa de Pandora.

nelson paciencia disse...

Ó Zé, havias de ter visto eu no museu do carmo quando me lembrei de dizer isto, lembrei-me logo de ti e dos teus desenhos incompletos e estouvados de bons, olhei para trás na plateia, e disse: "antes de dizer isto deixa-me ver se entretanto não apareceu aqui o Zé Louro..."
Isto dá pano para mangas, até te digo.