Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Palácio do Correio Velho



Finalmente, reencontro Roque Gameiro à beira do Bairro Alto. Os portões altos guardam este pátio; é proprieade dos leiloeiros de antiguidades Correio Velho. Mas aquilo que, num primeiro olhar, parece intimidador, na grandeza de cada janela e de cada porta, mais tarde vai-se entranhando, à medida que os traços avançam. Ao fundo amontoam-se mesas e cadeiras chippendale, relíquias das casas antigas, vasos de palmeiras e até um canhão de bronze, vindo sabe-se lá de que forte. Passam pessoas da leiloeira, que entre passos atarefados, aproximam-se, mostram curiosidade e acompanham o desenho.
As manchas de aguarela tentam esconder o traço hesitante, especialmente no arco abatido: a sua forma peculiar foi difícil acompanhar.
De volta a casa, pesquisei sobre este palácio. "Séc. 17, final - construção do palácio pela família Melo da Cunha, posteriormente condes de Castro Marim (1802) e, ainda mais tarde, (1808) marqueses de Olhão. (...) Acede-se ao interior através de pátio, que serve vestíbulo rasgado por arco abatido suportado por estípides, a partir do qual se desenvolve escadaria de lanços rectos com guarda em balaustrada de cantaria." Com um edifício tão diferente de todos os outros, esperemos que se consiga preservar por muito tempo esta escadaria que Roque Gameiro também viu.